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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
03/09/2026
4 min

Ibovespa vira e perde ganhos após 11 altas; mercado aguarda Datafolha e acompanha Fed

Os papéis da Petrobras, de peso no índice, passaram a recuar em meio à queda dos preços do petróleo nesta quinta-feira, 3

Ibovespa vira e perde ganhos após 11 altas; mercado aguarda Datafolha e acompanha Fed

Depois de 11 pregões consecutivos de alta, o Ibovespa inverteu o sinal nesta quinta-feira, 3, em um movimento de realização de lucros. O principal índice da B3 chegou a subir até 188.892 pontos pela manhã, mas perdeu força ao longo do dia e passou a operar no campo negativo.

Por volta das 15h20, o Ibovespa recuava 0,11%, aos 185.000,96 pontos, próximo da mínima do dia, de 184.718,36 pontos. A queda ocorre após o índice acumular uma forte valorização nas últimas sessões,impulsionada, entre outros fatores, pelo chamado “trade eleitoral”.

Na véspera, o Ibovespa avançou 3,05%, aos 185.205,09 pontos, na maior alta diária desde 23 de março de 2026, quando subiu 3,24%, segundo levantamento da Elos Ayta.

O movimento de realização aparece principalmente entre algumas das principais ações do índice. A Vale (VALE3) recuava 3,39%, enquanto a Petrobras tinha queda de 1,06% nos papéis preferenciais (PETR4). As ações ordinárias (PETR3) também passaram a operar em baixa de quase 2%.

As ações de bancos, que ajudaram a sustentar a alta do Ibovespa no início do pregão, reduziram os ganhos. As preferenciais do Bradesco (BBDC4) avançavam apenas 0,17%, enquanto outros papéis do setor ainda permaneciam no campo positivo.

O dólar à vista também se afastou das mínimas e registrava ligeira queda de 0,17%, cotado a R$ 5,10. No exterior, porém, a moeda americana recuava com mais força: o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, caía 0,65%, aos 98,91 pontos.

Mercado aguarda nova pesquisa eleitoral

Após a forte valorização das últimas sessões, investidores aguardam a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial no fim desta quinta-feira.

O chamado “trade eleitoral” ganhou força nos últimos dias diante de pesquisas que apontaram uma disputa mais acirrada para a eleição presidencial de 2027. A percepção de que um cenário político considerado mais favorável aos ativos brasileiros poderia se consolidar ajudou a sustentar a alta da Bolsa e a valorização do real.

Para o consultor da Wiser Asset, Fábio Murad, parte desse movimento pode estar antecipando um cenário político ainda distante. Segundo ele, novas pesquisas capazes de alterar a percepção sobre a disputa eleitoral, uma piora do debate fiscal ou uma mudança no cenário externo podem provocar uma reversão dos mercados.

“Se novas pesquisas desfizerem o empate, se o debate fiscal piorar ou se a guerra provocar uma corrida global por proteção e mais inflação, dólar e Bolsa podem inverter parte das variações”, afirmou.

Bolsas de Nova York sobem após fala de Waller

No exterior, o destaque está nas bolsas americanas, que avançam após declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed), reduzirem as apostas de uma alta dos juros americanos ainda neste mês.

O Dow Jones subia 1,19%, enquanto o S&P 500 avançava 1,09% e o Nasdaq ganhava 1,44%.

As apostas de uma alta dos juros na próxima reunião do Fed caíram de 63,2% na quarta-feira para 50,4% nesta quinta, segundo dados do CME Group.

Waller afirmou que a inflação ainda está “significativamente acima” da meta de 2%, mas que vem apresentando progresso lento e contínuo em direção ao objetivo. O dirigente também defendeu que o banco central aguarde novos dados antes de tomar uma decisão.

“Vamos dar uma chance à desinflação”, afirmou Waller. Segundo ele, não é necessário esperar até o próximo ano, mas observar se haverá melhora nos indicadores.

Os rendimentos dos Treasuries recuam diante da mudança nas expectativas para a política monetária americana. A Treasury de dez anos era negociada em torno de 4,75%.

Petróleo recua

O petróleo também perdeu os ganhos e passou a cair. O WTI operava estável com ligeira queda de 0,02%, negociado a US$ 90,97 por barril, enquanto o Brent caía 0,52%, a US$ 95,15.

A commodity acumula alta superior a 7% nesta semana, diante das preocupações com o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o comércio da commodity.

Apesar da escalada das tensões, o presidente americano Donald Trump afirmou na quarta-feira, 2, que não espera que a atual rodada de hostilidades evolua para uma nova guerra.

AutorClara Assunção
FonteExame
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