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InvestMercadosACS
15/09/2026
5 min

Ibovespa volta a subir de olho em STF, Fed e Copom: dólar avança para R$ 5,15

As bolsas de NY encerraram o pregão em queda, com investidores reduzindo a exposição a ativos de risco antes da decisão de juros dos EUA

Ibovespa volta a subir de olho em STF, Fed e Copom: dólar avança para R$ 5,15

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, 15, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores diante de uma agenda carregada no Brasil e no exterior. O principal índice da B3 avançou 0,54%, aos 186.502,64 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 185.055,57 e a máxima de 187.650,53 pontos. O volume financeiro somou R$ 15,8 bilhões.

A alta foi sustentada principalmente pelasações da Petrobras, que acompanharam o forte avanço do petróleo no exterior em meio àescalada das tensões no Oriente Médio. As ações ordinárias da estatal (PETR3) subiram 3,59%, a segunda maior alta do dia, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 3,23%.

O movimento ajudou a compensar a pressão de Vale (VALE3), que caiu 1,17%, e dos bancos, que fecharam majoritariamente em baixa. A exceção entre os grandes bancos foi Itaú Unibanco (ITUB4), com alta de 0,71%.

Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a alta do petróleo foi o principal suporte para o índice nesta terça. Segundo Nossig, o avanço de mais de 2% nas cotações internacionais da commodity impulsionou as ações da Petrobras e compensou a pressão negativa exercida pela Vale, afetada pela fraqueza das commodities metálicas.

“O Ibovespa opera em terreno positivo ao longo da sessão desta terça-feira, sustentado pelo avanço do setor petroleiro”, afirma Nossig. Para a estrategista, porém, o ambiente segue defensivo, com investidores à espera das decisões sobre juros do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.

O dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,14%, a R$ 5,154, depois de oscilar entre R$ 5,127 e R$ 5,162.

O cenário político também manteve os investidores em compasso de espera. Em Brasília,o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e acompanha o caso que também envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A sessão adicionou uma camada de incerteza ao ambiente doméstico em uma semana já marcada por decisões importantes de política monetária.

Uma nova pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça apontou vantagem de sete pontos percentuais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.

“O mercado está em modo ‘esperar para ver’ a Super Quarta”, afirma Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital. Para Bassani, a votação no STF e a decisão do Copom são os principais gatilhos domésticos no curto prazo, enquanto o Fed pode amplificar ou neutralizar os efeitos da decisão brasileira sobre o câmbio e o fluxo estrangeiro.

Bassani avalia que o ambiente político adiciona prêmio de risco aos ativos brasileiros. “O STF com foco em eventuais corrupções gera incertezas em relação ao investidor nacional e estrangeiro, abrindo margem para risco Brasil”, afirma.

Atividade perde força

No cenário macroeconômico doméstico, os investidores também repercutiram novos dados de atividade. O volume de vendas do comércio varejista brasileiro caiu 0,8% em julho ante junho, considerando a série com ajuste sazonal.

Para Nossig, o dado reforça a percepção de perda gradual de força da economia brasileira após um período de juros elevados. “Essa desaceleração mais pronunciada do consumo passa a ser um fator relevante para balizar os próximos passos da política monetária”, afirma.

Os números da produção animal referentes ao segundo trimestre também foram divulgados nesta terça-feira, com crescimento na comparação anual.

Petróleo sobe com riscos à oferta

Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte alta nesta terça-feira e permaneceram acima dos US$ 100 por barril, diante dos riscos para o transporte e a infraestrutura de energia no Oriente Médio. Após uma semana de ataques,a Arábia Saudita emitiu alertas de segurança, enquanto a Líbia informou uma paralisação em campos de petróleo.

O Brent, referência global, para novembro subiu 2,90%, a US$ 108,75 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, referência nos Estados Unidos, com entrega em outubro avançou 4,38%, a US$ 105,83 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).Além da estatal, os papéis da Gerdau também tiveram desempenho positivo. As ações da metalúrgica Gerdau (GOAU4) lideraram a alta do dia, com quase 4%, e a empresa em si (GGBR4) avançou também 3,35%, acompanhando um movimento comprador que já vinha sendo observado nas últimas semanas, segundo Bassani.

Na ponta negativa, a Azzas 2154 (AZZA3) teve a maior queda do Ibovespa, próxima de 3%.

Wall Street fecha em baixa antes do Fed

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta terça-feira em queda, com investidores reduzindo a exposição a ativos de risco antes da decisão de juros do Federal Reserve, prevista para quarta-feira.

O Dow Jones caiu 0,63%, aos 52.093,11 pontos. O S&P 500 recuou 0,45%, aos 7.585,73 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,78%, aos 25.981,57 pontos.

A expectativa de uma possível alta dos juros americanos aumenta a atratividade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e mantém o mercado acionário sob pressão. Para Bassani, a decisão do Fed também será determinante para o comportamento do dólar, dos juros futuros e do fluxo estrangeiro para mercados emergentes.

No Brasil, investidores ainda aguardam a decisão do Copom, também nesta quarta, 16. A combinação das duas decisões deve definir o tom para câmbio, juros e bolsa nos próximos dias.

AutorClara Assunção
FonteExame
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