Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
31/08/2026
5 min

Ibovespa volta aos 177 mil pontos, mas encerra agosto com queda de 0,33%

A combinação entre o desempenho das ações de Petrobras e a mudança no cenário eleitoral ajudou a sustentar a alta do índice nesta segunda-feira, 31

Ibovespa volta aos 177 mil pontos, mas encerra agosto com queda de 0,33%

O Ibovespa iniciou a semana em forte alta nesta segunda-feira, 31, e encerrou a sessão com avanço de 1%, aos 177.418,78 pontos, apoiado principalmente pelas ações da Petrobras e dos grandes bancos. O volume financeiro negociado foi de R$ 23,1 bilhões. Apesar da alta no último pregão, o principal índice da B3 encerrou agosto com queda de 0,33%. No ano, o Ibovespa mantém valorização de 10,11%.

As ações da Petrobras subiram acompanhando a valorização do petróleo. Os papéis ordinários da companhia (PETR3) subiram 4,23%, enquanto os preferenciais (PETR4) avançaram 3,38%. Prio (PRIO3) também fechou em alta, de 3,85%.

Entre os demais pesos-pesados do índice, Vale (VALE3) caiu 0,93%, mesmo com a alta de 0,76% do minério de ferro na China.

Entre os grandes bancos, o desempenho foi majoritariamente positivo. O Itaú (ITUB4) subiu 0,84%, Bradesco (BBDC4) avançou 0,64%, Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 2,83% e BTG Pactual (BPAC11) teve alta de 2,11%. Santander (SANB11), por outro lado, caiu 1,50%.

Entre as maiores altas do pregão, MRV (MRVE3) subiu 6,17%, Cyrela (CYRE3) avançou 5,52% e Fleury (FLRY3) ganhou 4,29%. Na ponta negativa, Embraer (EMBJ3) caiu 1,82%, Minerva (BEEF3) recuou 1,55% e Suzano (SUZB3) teve baixa de 1,50%.

Para Gabriel Magno, chefe da mesa de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a combinação entre o desempenho das ações de Petrobras e a mudança no cenário eleitoral ajudou a sustentar a alta do índice nesta segunda-feira. Segundo Magno, o movimento também alcançou papéis estatais e ações do setor de construção civil.

No caso de Casas Bahia (BHIA3), os papéis operaram em forte alta após a Justiça de São Paulo aprovar a antecipação dos efeitos do pedido de recuperação judicial, com suspensão de cobranças contra a companhia por seis meses.

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,31%, a R$ 5,18. Segundo Magno, a moeda e os juros ficaram próximos da estabilidade, após a forte valorização registrada na sexta-feira, enquanto os investidores seguematentos às tensões no Oriente Médio e às próximas decisões do Federal Reserve.

Na avaliação do especialista, o fluxo estrangeiro também ajudou a explicar o comportamento da bolsa ao longo do mês. Após uma forte saída de recursos até 20 de agosto, houve retomada das entradas na segunda metade do mês, contribuindo para a recuperação do mercado.

Magno também avalia que as pesquisas eleitorais passaram a influenciar as expectativas dos investidores, especialmente diante do avanço de Flávio Bolsonaro. Para ele, o principal ponto de atenção para o mercado será a capacidade dos candidatos de apresentar propostas para o controle da dívida pública.

Focus reduz IPCA de 2026, mas eleva projeção para 2027

No cenário doméstico, o mercado reduziu pela segunda semana consecutiva a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 5,02% para 5,01%, segundo o Boletim Focus. Para 2027, porém, a estimativa subiu de 4,25% para 4,28%, na terceira alta semanal seguida.

Aprojeção para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75%. Para 2027, a expectativa continua em 12%, enquanto as previsões para 2028 e 2029 estão em 10,50% e 10%, respectivamente. O mercado também reduziu a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 1,95% para 1,92%.

Além do Focus, investidores acompanharam nesta segunda-feira a discussão sobre a chamada "taxa das blusinhas". Uma comissão mista da Câmara e do Senado deve analisar a medida provisória que prevê o fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

O governo também deve encaminhar ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que dará início às discussões sobre receitas, despesas, metas fiscais e investimentos para o próximo ano.

Petróleo avança após EUA e Irã retomarem ataques

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, depois que os EUA e o Irã trocaram ataques após um mês e elevaram as tensões no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, disse que os EUA responderão à retaliação de Teerã.

Apesar disso, matéria da Axios mostra que o republicano planeja realizar ataques limitados contra o Irã no Estreito de Ormuz, com o objetivo de impedir que Teerã reconstrua sua capacidade de reação na região.

No fechamento, o contrato do Brent para novembro avançou 2,71%, a US$ 90,49 por barril na ICE, enquanto o WTI para outubro teve alta de 2,83%, a US$ 85,76 por barril na Nymex.

Bolsas em NY fecham em queda, mas finalizam agosto com ganhos

As bolsas em Nova York encerraram a sessão desta segunda-feira em queda, com os mercados preocupados com as tensões no Oriente Médio e com os juros. Os recentes ataques entre EUA e Irã renovaram os receios de novas altas no preço do petróleo e, consequentemente, de uma inflação resiliente e acima da meta.

Apesar da queda no pregão, os principais índices terminaram agosto no campo positivo. O Dow Jones teve o quinto mês consecutivo de ganhos, enquanto o setor de inteligência artificial permaneceu ativo, especialmente após os balanços recentes.

No cenário corporativo, as ações da Amazon caíram 2,50% após notícias de que a Comissão Federal de Comércio (FTC) e mais 20 Estados planejam processar a empresa, alegando que a companhia enganou anunciantes.

O Dow Jones caiu 0,70%, aos 53.185,90 pontos. O S&P 500 perdeu 0,33%, aos 7.686,14 pontos. E o Nasdaq teve baixa de 0,12%, aos 26.370,89 pontos. Em agosto, os índices avançaram 1,33%, 2,62% e 3,92%, respectivamente.
AutorClara Assunção
FonteExame
Distribuído por