Ibovespa volta aos 187 mil pontos; dólar dispara e vai a R$ 5,22
Petróleo supera US$ 100 com tensão no Oriente Médio, enquanto bolsas de Nova York fecham perto da estabilidade

A três dias do primeiro turno das eleições, o Ibovespa fechou em alta de 0,46% nesta quinta-feira, 1º, aos 187.197,46 pontos, após oscilar entre a mínima de 184.767,78 e a máxima de 187.436,73. O volume financeiro somou R$ 26,2 bilhões.
O índice foi sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, que acompanharam a forte alta do petróleo, enquanto a cautela como cenário eleitoral e a pressão dos juros no exterior limitaram os ganhos.Entre as ações de maior peso, o papel ordinário da Petrobras (PETR3) avançou 1,80% e o preferencial (PETR4) subiu 1,32%. A Vale (VALE3) virou para alta no final da tarde e terminou com ganho de 0,56%. O Bradesco (BBDC4) também passou para o campo positivo e fechou em alta de 0,32%.
Entre os bancos o cenário foi de queda com o Itaú Unibanco (ITUB4) recuando 0,26%, enquanto as units do BTG Pactual (BPAC11) caíram 0,62%. O Banco do Brasil (BBAS3) também perdeu 0,22% e Santander units (SANB11) recuou 2,96%.
Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o exterior foi o principal vetor da sessão. A alta dos juros longos nos Estados Unidos, o petróleo acima de US$ 100 e a escalada das tensões no Oriente Médio reduziram o apetite por ativos de risco, especialmente em mercados emergentes.
“O exterior acaba movimentando hoje: juros longos e petróleo acima de US$ 100 tiram bastante o apetite por risco dos emergentes”, afirma Gass.
Brent fica acima dos US$ 102
O petróleo Brent para dezembro fechou em alta de 4,37%, a US$ 102,31 por barril, enquanto o WTI para novembro avançou 2,71%, a US$ 92,87. A commodity ganhou força diante das incertezas sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã e dos riscos para o abastecimento de combustíveis.A alta veio após relatos de que o governo americano avalia retomar os ataques ao Irã depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Segundo o The Wall Street Journal, Washington também estaria deslocando um terceiro grupo de ataque de porta-aviões e navios adicionais para o Oriente Médio, com potencial de reforço de até 10 mil militares na região. A China, por sua vez, suspendeu exportações de derivados de petróleo para fora de Hong Kong e Macau, aumentando as preocupações com a oferta global de combustíveis.
A disparada do petróleo também elevou as preocupações com a inflação e os juros. No Brasil, a curva de juros futuros subiu principalmente nos vencimentos longos, com altas superiores a 10 pontos-base, refletindo tanto o risco inflacionário trazido pela commodity quanto o movimento dos mercados internacionais e o prêmio associado ao cenário fiscal e eleitoral.
O movimento também apareceu no leilão do Tesouro desta quinta-feira, que, segundo Gass, mostrou demanda mais fraca pelos títulos de prazo mais longo. Na ponta curta da curva, as taxas permaneceram mais comportadas, acompanhando as expectativas para o ciclo de cortes da Selic.
“Petróleo mais caro traz risco de inflação também para o Brasil, enquanto os juros internacionais e o prêmio fiscal e eleitoral pressionam principalmente a parte longa da curva”, afirma.
Dólar sobe 0,89%
No câmbio, o dólar à vista fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,220, após oscilar entre R$ 5,170 e R$ 5,237. A moeda americana também refletiu o movimento global de busca por proteção diante da escalada das tensões geopolíticas e dos juros elevados no exterior, além da cautela dos investidores com a eleição brasileira.
Segundo Gass, o movimento do dólar também incorpora uma devolução parcial da queda registrada na sessão anterior. “Aqui dentro, temos a cautela antes das eleições e uma devolução natural também da queda de ontem”, afirma.
No cenário doméstico, a proximidade do primeiro turno, marcado para domingo, 4, mantém o mercado atento às pesquisas e aos eventos da reta final da campanha.
A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 45% de Lula (PT). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. No primeiro turno, Lula aparece com 43%, ante 39% de Flávio.
O Datafolha também realiza nesta quinta-feira a coleta de seu novo levantamento presidencial, com divulgação prevista para a noite. A pesquisa ouviu 2.506 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Também nesta quinta-feira ocorre o último debate presidencial antes do primeiro turno, na TV Globo. Lula informou que não participará do evento e estará no mesmo horário em entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro está entre os candidatos confirmados para o debate.
Para Gass, a combinação entre eleição, juros e cenário externo deve manter a volatilidade elevada até a abertura dos mercados na próxima semana. “Até lá, o viés é de cautela, com dólar e juros carregando prêmio de risco. A segunda-feira deve trazer volatilidade forte, dependendo do resultado e também da composição do Congresso”, afirma.
Apesar da cautela, o fluxo estrangeiro segue como um fator de sustentação para a Bolsa. Segundo Gass, os investidores internacionais acumulam entrada líquida superior a R$ 28 bilhões no ano.
Bolsas de Nova York fecham perto da estabilidade
Em Wall Street, os principais índices encerraram a sessão praticamente estáveis. O Dow Jones subiu 0,04%, aos 50.926,56 pontos; o S&P 500 avançou 0,19%, aos 7.666,45 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,04%, aos 26.871,60 pontos.No mercado de Treasuries, os rendimentos recuaram após a forte alta registrada na sessão anterior. A taxa da T-Note de dois anos caiu para 4,787%, de 4,908%. O rendimento da T-Note de dez anos recuou para 5,241%, ante 5,291%, enquanto o juro do T-Bond de 30 anos caiu para 5,608%, de 5,634%.
Mesmo com o recuo no fechamento, os juros longos permaneceram em níveis elevados e continuaram entre os principais fatores de pressão sobre os ativos de risco.
