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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
10/09/2026
5 min

Ibovespa volta aos 188 mil pontos e tem maior fechamento em 4 meses; dólar recua

O principal catalisador doméstico na sessão desta quinta-feira, 10, continuou sendo o cenário eleitoral

Ibovespa volta aos 188 mil pontos e tem maior fechamento em 4 meses; dólar recua

O Ibovespa voltou a subir forte nesta quinta-feira, 10, em uma sessão marcada pela repercussão da corrida eleitoral e pela disparada do petróleo no exterior. O principal índice da B3 fechou em alta de 1,42%, aos 188.268,59 pontos, o maior fechamento nominal desde 28 de abril, quando o índice encerrou aos 188.619 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,9 bilhões.

O movimento levou o índice de volta à marca dos 188 mil pontos, depois de uma tímida realização de lucros na sessão anterior. A bolsa brasileira também se descolou do movimento negativo em Nova York, onde os principais índices acionários recuaram diante da alta dos juros dos Treasuries e da disparada do petróleo.

O principal catalisador doméstico continuou sendo o cenário eleitoral. Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira mostrou empate numérico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno, com 46% das intenções de voto para cada um.

A pesquisa reforçou o chamado trade eleitoral, que tem influenciado a precificação dos ativos brasileiros. A leitura entre investidores é de que uma disputa mais acirrada pode alterar as expectativas sobre a política econômica e fiscal a partir de 2027, movimentando posições em bolsa e câmbio.

Entre as principais ações do Ibovespa, os bancos tiveram desempenho positivo. Bradesco (BBDC4) subiu 3,88%, Banco do Brasil (BBAS3) avançou 2,80%, BTG Pactual (BPAC11) ganhou 2,35% e Itaú Unibanco (ITUB4) teve alta de 1,83%. Santander (SANB11) foi a exceção, com queda de 0,13%.

A Petrobras (PETR3) avançou 1,77% e Petrobras (PETR4) subiu 1,45%, acompanhando a forte valorização do petróleo no mercado internacional. Já Vale (VALE3) recuou 1,10%, pressionada também pela queda de 0,95% do minério de ferro.

Na ponta negativa do índice, Natura (NATU3) caiu 3,30% e MBRF (MBRF3) recuou 1,28%. Entre as maiores altas, Assaí (ASAI3) liderou, com ganho de 7,17%, seguido por Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 6,64%, e Hapvida (HAPV3), que avançou 4,57%.

No câmbio, o dólar à vista voltou a cair diante do real, também refletindo o ambiente de maior apetite por risco doméstico. A moeda americana fechou em baixa de 0,18%, a R$ 5,103, após oscilar entre R$ 5,083 e R$ 5,146.

O movimento ocorreu apesar da valorização do dólar frente a outras moedas no exterior. Lá fora, os investidores seguem avaliando a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos por mais tempo diante da pressão inflacionária provocada pela disparada do petróleo.

Petróleo dispara com tensão entre EUA e Irã

Os contratos futuros de petróleo dispararam nesta quinta-feira, ampliando os ganhos da sessão anterior. O WTI voltou a superar US$ 100 por barril, enquanto o Brent se aproximou de US$ 108, diante dos sinais de que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode se prolongar.

O movimento ganhou força após os houthis, grupo alinhado ao Irã, assumirem o controle da cidade portuária de Mokha, no Iêmen, e avançarem pela costa do Mar Vermelho em direção a ilhas estratégicas. As informações também apontam para uma ampliação do controle do grupo sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas de navegação do mundo.

A possibilidade de uma guerra mais longa elevou os temores sobre a oferta e o transporte de petróleo na região. Segundo o The Wall Street Journal, a Casa Branca discutiu a possibilidade de o conflito se prolongar além da posse do próximo presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2029, cenário que contrasta com a declaração feita por Donald Trump na véspera de que a guerra terminaria logo após as eleições de meio de mandato.

No fechamento, o Brent para novembro subiu 6,34%, a US$ 107,63 por barril, enquanto o WTI para outubro avançou 6,69%, a US$ 102,48.

O movimento ocorreu mesmo após dados mostrarem alta dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Energia americano, os estoques subiram 391 mil barris na semana passada, para 424,069 milhões de barris. O mercado esperava uma queda de 1,4 milhão de barris.

Bolsas de NY voltam a cair

As bolsas americanas tiveram mais uma sessão negativa nesta quinta-feira, pressionadas pela disparada do petróleo e pela alta dos rendimentos dos Treasuries. O movimento reforçou as preocupações com a inflação a menos de uma semana da decisão de juros do Federal Reserve.

Os investidores também acompanharam o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos. O indicador subiu 0,4% em agosto na comparação mensal, em linha com as expectativas.

No mercado de Treasuries, os rendimentos avançaram após o Tesouro americano realizar a primeira recompra de títulos de longo prazo com um montante maior. A operação, porém, ficou abaixo dos US$ 6 bilhões anunciados na véspera, contribuindo para a pressão sobre os juros dos títulos.

A Treasury de dez anos chegou a se aproximar da marca de 5%, movimento que aumenta a atratividade relativa da renda fixa americana e tende a pressionar ativos de risco.

O Dow Jones caiu 0,60%, o S&P 500 recuou 0,58% e o Nasdaq fechou em baixa de 0,65%.
AutorClara Assunção
FonteExame
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