Ibovespa volta do feriado com Vale em forte queda e impacto do 'payroll'

O Ibovespa reduziu as perdas ao longo da manhã desta sexta-feira, 5, após iniciar o pregão em queda mais acentuada, pressionado principalmente pelas ações ligadas a commodities. Por volta das 10h57, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,12%, aos 170.129 pontos, depois de chegar a cair mais de 0,4% nos primeiros minutos de negociação.
Na última negociação, no dia 3, o índice fechou com queda de mais de 2%. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 1,01%, a R$ 5,11.
A recuperação parcial do índice ocorre apesar da forte pressão exercida pela Vale. As ações (VALE3) da mineradora aprofundavam as perdas e recuavam 2,74%. O movimento também atingia siderúrgicas, com CSN (CSNA3) tombando 7,04%, Usiminas (USIM5), -2,71%, Gerdau (GGBR4), -1,53% e Bradespar (BRAP4), -2,90%.
Entre os pesos da bolsa, a Petrobras operava próxima da estabilidade, mesmo com a queda do petróleo nos mercados internacionais. As ações preferenciais (PETR4) cediam 0,34%, enquanto as ordinárias (PETR3) recuavam 0,07%. Já a Prio (PRIO3) perdia 1,17%.
O setor financeiro também ajudava a limitar as perdas. As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) avançavam 0,52%, enquanto Bradesco (BBDC4) subia 0,46% nas preferenciais e 0,60% nas ordinárias. Itaúsa (ITSA4) ganhava 0,40%, compensando parte da pressão vinda das empresas de commodities.
Na ponta positiva, Embraer (EMBJ3) ampliava os ganhos e avançava 4,13%. Também se destacavam Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 3,56%, Suzano (SUZB3), que subia 1,67%, e Lojas Renner (LREN3), 1,64%.
No campo político e institucional, hoje a atenção se volta para a entrada em vigor da classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
O humor dos investidores também foi afetado pelo relatório de emprego (payroll) dos EUA. Foram criadas 172 mil vagas em maio, acima das 80 mil projetadas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,3%. Há percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter os juros por mais tempo ou até discutir altas.
Tecnologia pressiona mercados
Os mercados internacionais operam sem direção única, em meio à realização de lucros no setor de tecnologia, após a forte queda das ações da Broadcom em Wall Street. O movimento desencadeou uma rotação dos investidores para setores mais defensivos e pressionou fabricantes de semicondutores ao redor do mundo.
Os índices dos EUA operam em queda, pressionados pela forte realização nas ações de semicondutores e pela alta dos rendimentos dos Treasuries. O S&P 500 cai 1,07%, enquanto o Nasdaq recua 1,84%, liderando as perdas entre os principais índices. O Dow Jones também opera no vermelho, com baixa de 0,23%.
Na Europa, o sinal ficou mais negativo ao longo da sessão. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,13%. Entre os principais mercados, o DAX, da Alemanha, caía 0,50%, enquanto o FTSE MIB, da Itália, perdia 0,45%. Em Paris, o CAC 40 operava próximo da estabilidade, com leve baixa de 0,02%. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, avançava 0,31%.
Na Ásia, o movimento foi mais intenso. A bolsa da Coreia do Sul liderou as perdas da região, com o Kospi despencando 5,54%, pressionado pelas quedas de Samsung e SK Hynix. O Nikkei, do Japão, caiu 1,31%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,15%. Na China continental, o índice de Xangai perdeu 0,74%.
Petróleo devolve parte dos ganhos
No mercado de commodities, o petróleo devolve parte dos ganhos recentes, mas continua próximo dos maiores níveis em meses. Parâmetro global, o Brent recua 0,5%, para cerca de US$ 94,60 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, cai 0,5%, para US$ 92,70.
Ambos os contratos do petróleo, porém, caminham para encerrar a semana com ganhos superiores a 6%, sustentados pelas preocupações com a oferta global em meio às tensões geopolíticas da guerra no Irã.
