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Bolsa e dólarACSBDR
28/08/2026
5 min

Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca SP 500, México e Coreia do Sul

Com desconto histórico e forte fluxo externo, a B3 assumiu o primeiro lugar no pódio nesta semana; confira o raio-X do Bank of America sobre rotação de capital e eleições

Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca SP 500, México e Coreia do Sul

Se o mês de agosto vinha sendo um pesadelo de resgates na bolsa brasileira, os últimos dias trouxeram um sopro de ar fresco diretamente do exterior. O investidor estrangeiro decidiu dar uma trégua na realização de lucros e estendeu a mão novamente para a B3

Segundo levantamento do Bank of America (BofA), os gringos injetaram R$ 3,2 bilhões via mercado à vista na B3 em apenas uma semana. 

O movimento estanca parte substancial da sangria verificada ao longo de agosto, quando as retiradas estrangeiras chegaram a encostar na marca alarmante de R$ 22 bilhões. 

Com o alívio recente, o saldo acumulado do capital externo no ano está positivo em R$ 16 bilhões, com o mercado à vista registrando entradas líquidas de R$ 36 bilhões. 

Ibovespa no topo do pódio global 

Em uma semana em que os mercados globais operaram em tom de cautela, o Ibovespa brilhou na comparação internacional.  

Impulsionado pelas compras dos gringos, o principal índice da bolsa brasileira entregou um retorno total em dólares de +1,9%, ou +2,0% em termos nominais no mercado local.  

O resultado colocou a B3 na liderança isolada entre as principais bolsas do mundo e dos mercados emergentes: 

  • Ibovespa (Brasil): +1,9% em dólares (+2,0% em reais) 
  • S&P 500 (EUA): +0,7% 
  • MSCI Emerging Markets (emergentes): +0,1%  
  • Mexbol (México): -0,2% 
  • Colcap (Colômbia): -0,9% 

Mais do que superar os vizinhos latino-americanos, o Brasil beneficiou-se de uma rotação geográfica dentro dos mercados emergentes.  

De acordo com os dados do BofA, os fundos de mercados emergentes fora da China captaram US$ 700 milhões na semana. 

No entanto, a Coreia do Sul — que vinha acumulando fortes aportes de capital estrangeiro há vários meses — sofreu saídas expressivas de capital. Parte dessa liquidez migrou direto para a América Latina (+US$ 200 milhões) e para fundos dedicados exclusivamente ao Brasil (+US$ 100 milhões). 

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Eleições seguem no radar 

Se por um lado o fluxo de dólares traz alívio para os preços, por outro o ruído político e eleitoral acendeu um sinal amarelo na mesa dos gestores internacionais. 

No relatório, o Bank of America faz um alerta explícito: a atenção dos investidores em relação ao cenário político brasileiro está aumentando.  

O banco destaca que pesquisas recentes de intenção de voto têm mostrado uma maior convergência entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro

A aproximação nas pesquisas adiciona uma camada extra de volatilidade para os ativos brasileiros, à medida que o mercado começa a precificar os cenários para o pleito presidencial. 

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Onde o BofA enxerga valor na bolsa

Para ajudar o investidor a navegar nesse cenário de liquidez estrangeira e ruído político, o Bank of America atualizou as telas quantitativas que filtram as melhores ações da B3. 

Inspirado no conceito de Magnificent 7 de Wall Street, o banco criou duas carteiras temáticas para o Brasil: 

1. As 7 Magníficas do Brasil (foco em growth e escala) 

Empresas que combinam forte histórico de crescimento, dominância em seus mercados, escala e alta rentabilidade. Na última semana, essa carteira rendeu +2,3%: 

  • Mercado Livre (MELI34) 
  • Nubank (ROXO34) 
  • WEG (WEGE3) 
  • BTG Pactual (BPAC11) 
  • Raia Drogasil (RADL3) 
  • Localiza (RENT3) 
  • Itaú Unibanco (ITUB4) 

2. As 7 Inesquecíveis do Brasil (foco em value e dividendos) 

Grandes líderes de mercado em setores maduros, como energia, mineração, bancos e consumo básico, que talvez não entreguem o mesmo ritmo de crescimento, mas são verdadeiras máquinas de gerar fluxo de caixa a preços descontados. Essa carteira rendeu +3,0% na semana: 

  • Petrobras (PETR4) 
  • Vale (VALE3) 
  • JBS (JBS) 
  • Banco do Brasil (BBAS3) 
  • Ambev (ABEV3) 
  • Bradesco (BBDC4) 
  • Gerdau (GGBR4) 

A bolsa brasileira continua em liquidação? 

A resposta curta do BofA é: sim. O valuation atrativo é justamente o grande ímã para o dinheiro estrangeiro. 

Indicador/Região  Múltiplo P/L Projetado (12m)  Média Histórica  Desconto vs. Média 
Ibovespa (Brasil Total)  8,2x  10,7x  -23% 
Ibovespa (Ex-Commodities)  9,8x  10,9x  -10% 
México (Mexbol)  12,5x  14.9x  -16% 
Chile (IPSA)  12,3x  13,1x  -6% 
Emergentes Global (MSCI EM)  10,0x  11,7x  -14% 
Fonte: Bank of America

Mesmo desconsiderando as gigantes de commodities, como Vale e Petrobras, o Brasil negocia com 10% de desconto frente ao seu próprio passado e muito mais barato que pares latinos como México e Chile. 

Dança das cadeiras no Ibovespa 

De olho no rebalanceamento do índice que entra em vigor em 8 de setembro, o BofA também fez uma projeção sobre a versão final da prévia que a B3 divulga em 31 de agosto. 

Segundo o banco, entra a Tenda (TEND3) por ser beneficiada pelo ganho de liquidez e avanço no Índice de Negociabilidade (IN), e sai a Petroreconcavo (RECV3), cujo índice de negociabilidade caiu abaixo do ponto de corte do índice. 

O ponto de atenção, segundo o BofA, é a SLC Agrícola (SLCE3), que corre o risco marginal de exclusão por estar no limite da liquidez exigida. 

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O brasileiro vai para a renda fixa 

Enquanto os fundos internacionais colocam fichas na bolsa aproveitando os múltiplos baixos, o investidor doméstico segue fazendo o caminho inverso. 

Na semana passada, as saídas dos fundos de ações locais aceleraram para R$ 1,4 bilhão — uma aceleração em relação à média de resgates de R$ 100 milhões por semana vista no segundo trimestre.  

Os fundos multimercado também mantiveram o ritmo de resgates. 

O destino desse dinheiro? A renda fixa. Com a taxa de juros elevada no Brasil (14% ao ano), os fundos de renda fixa simples e de crédito continuam atraindo bilhões de reais das famílias brasileiras, deixando o trabalho de comprar bolsa barata quase todo nas mãos do investidor estrangeiro. 

AutorCarolina Gama
FonteSeu Dinheiro
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