Ideia rejeitada por cliente vira uma das empresas de tecnologia que mais cresce no país
Fundada em 2004, em Goiânia, Santri atende 1,5 mil lojas que movimentam cerca de R$ 2 bilhões por mês; agora, aposta em IA

O que começou como uma tentativa de resolver um problema interno de uma loja de materiais de construção acabou dando origem a uma empresa que atende cidades por todo o país. Fábio Santri, que trabalhava como gerente de uma das maiores lojas do segmento em Goiânia, participou da criação de um software que foi interrompido pela empresa após seis meses de desenvolvimento. Em vez de abandonar o projeto, decidiu levá-lo adiante e transformá-lo em negócio.
Assim, nasceu a Santri, em 2004, como um software desenvolvido especificamente para atender às necessidades de lojas de materiais de construção, reunindo em uma única solução funções que, até então, eram divididas entre diferentes sistemas.“A gente queria resolver um problema básico: ter um sistema estável, que não parasse e não apresentasse inconsistências nos dados”, diz o fundador.
Nos últimos anos, o grupo vem registrando crescimento médio de cerca de 20% ao ano, impulsionado pela ampliação da carteira de clientes, pela evolução do portfólio e pelos investimentos em tecnologia.
Hoje, as cerca de 1.500 lojas atendidas pela empresa movimentam aproximadamente R$ 2 bilhões em faturamento por mês. A empresa inaugura uma nova sede, em Goiânia, e lança novas soluções com uso de inteligência artificial. A expectativa é dobrar o faturamento nos próximos cinco anos.
A empresa apareceu no Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026, com receita de R$ 30,2 milhões em 2025.
De uma dor à oportunidade
Em 1995, Fábio Santri começou a trabalhar em uma loja de material de construção. Começou emitindo notas fiscais e, depois de dez anos, virou gerente geral da empresa.
“O software da empresa já não atendia ao que pretendíamos para o negócio. Ao pesquisar o mercado, encontrei quatro ou cinco soluções diferentes para atender uma única empresa: uma para o contábil, outra para o fiscal, outra para a frente de loja, outra para o financeiro e alguém no meio controlando a integração de tudo”, diz.
Foi quando ele identificou um problema: as soluções eram caras, segmentadas e ineficientes. Santri sugeriu que a loja de material de construção desenvolvesse um software próprio. O projeto, no entanto, não foi para frente.
Frustrado, ele decidiu transformar a ideia em um projeto próprio. Estudou sobre desenvolvimento de software e contratou uma pessoa com experiência na área. Em um ano e oito meses, a primeira versão do software estava pronta.
“Todo mundo pergunta se existia um plano de negócio para isso acontecer. A verdade é que tínhamos mais vontade do que plano. A gente acreditava muito que aquilo ia dar certo”, afirma Santri.
Os primeiros clientes chegaram por meio da rede de contatos que o empreendedor construiu ao longo dos anos no setor.
O primeiro cliente chegou antes mesmo de Santri saber exatamente quanto cobrar pelo software. Sem experiência em precificação, ele definiu um valor simbólico, mais interessado em testar a solução na prática do que em obter retorno financeiro imediato. A estratégia deu certo: a primeira implantação funcionou e mostrou que o sistema conseguia atender, já de início, às necessidades do segmento.
A Santri oferece um ERP especializado no varejo de materiais de construção que concentra, em uma única plataforma, operações como vendas, estoque, financeiro, fiscal, emissão de notas e controle de entregas.A expansão pelo mapa
Nos primeiros meses, o crescimento da empresa foi pelo boca a boca, até que o empreendedor criou um planejamento para crescer. A ideia foi começar nas proximidades para depois expandir em nível nacional.
A aposta inicial foi em Goiânia, depois, no interior de Goiás. “Nos primeiros dez anos, fomos nos consolidando no Centro-Oeste. Começamos por Goiânia, depois fomos para Brasília e Mato Grosso e, a partir de 2014, a expansão para outros estados aconteceu naturalmente”, diz.
Nos últimos dez anos, a empresa se dedicou a crescer por todo o Brasil. Hoje, soma 1.500 lojas em 22 estados e no Distrito Federal, com mais de 100 mil usuários conectados às suas soluções.
Além da estratégia de crescimento regional, a disponibilização de uma plataforma nichada ajuda a empresa a se conectar com os possíveis clientes, impulsionando o desenvolvimento da empresa.
“A gente só faz isso há 24 anos. Falar todos os dias com o dono da loja e com o contador de material de construção nos dá uma sensibilidade muito grande para entender e antecipar as necessidades do cliente”, afirma.
A próxima fase
Após duas décadas de consolidação no mercado, a Santri inicia uma nova etapa com a mudança para uma sede própria, de 8,5 mil metros quadrados, que recebeu um investimento de R$ 50 milhões. O novo espaço, que levou quatro anos para ser construído, concentra áreas administrativas e de convivência da empresa. A inauguração está prevista para o final de setembro de 2026.
Antes da nova sede, a Santri funcionava em um prédio alugado, com 35 salas. O novo espaço foi planejado para reunir os departamentos em uma estrutura própria, distribuindo as áreas pelos andares de acordo com o fluxo de trabalho e a comunicação entre as equipes.
“Hoje a gente está em um momento de retomada, como se estivesse começando o sistema do zero novamente. É um novo ciclo para a empresa.”
Parte dessa nova etapa passa pelos investimentos em inteligência artificial. Desde janeiro, a companhia mantém uma equipe dedicada ao desenvolvimento de novas tecnologias. Entre as soluções desenvolvidas está o Robson, agente de IA que permite aos gestores consultar indicadores, metas e informações da operação, inclusive pelo WhatsApp. Já a Santina funciona como uma assistente integrada ao sistema, auxiliando os usuários na utilização das funcionalidades do ERP.
“A primeira versão não vai ter autonomia total. Mas, depois, a gente quer que ela consiga agir de forma autônoma, dentro das regras que a empresa definir”, diz.
A expectativa é que a combinação entre tecnologia, especialização e expansão ajude a Santri a acelerar o crescimento. A meta para os próximos cinco anos é dobrar o faturamento da empresa.
