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19/06/2026
3 min

Iene cai ao menor nível em décadas e acende alerta no Japão

Iene cai ao menor nível em décadas e acende alerta no Japão

O iene voltou a perder força no mercado internacional e já opera em um dos níveis mais baixos em décadas, com o dólar superando a faixa de 161 ienes no fim da sessão de quinta-feira, 18. A movimentação, registrada após o fechamento das bolsas no Japão, levou a moeda a tocar 161,80 por dólar e reacendeu no mercado a leitura de que o país pode se aproximar de uma intervenção das autoridades.

Se a cotação ultrapassar 161,96, o iene entra em uma região que não era vista desde 1986. As informações são da CNBC.

Mercado volta a testar a tolerância do Japão

A desvalorização ocorre mesmo após uma combinação de medidas que, em tese, deveriam ter ajudado a conter o movimento. O Japão já gastou mais de US$ 70 bilhões em intervenções cambiais em maio.

Autoridades do país têm reiterado que estão atentas ao comportamento do câmbio. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou em encontros recentes do G7 que o governo está "preparado para tomar medidas decisivas contra movimentos especulativos".

No Banco do Japão, o tom segue semelhante e o seu vice-governador, Ryozo Himino, disse ao Parlamento que a instituição acompanha de perto o impacto do câmbio sobre inflação e atividade econômica.

Força do dólar e juros globais dominam

A influência sob o iene parece ser menos por fatores domésticos e mais por dinâmicas globais. O principal deles continua sendo o diferencial de juros entre Japão e Estados Unidos, que mantém o dólar altamente atrativo.

Os rendimentos elevados dos Treasuries estadunidenses seguem sustentando a demanda pela moeda dos EUA, enquanto o recente ajuste de juros no Japão ainda não foi suficiente para mudar de forma relevante essa equação.

Some-se a isso a percepção de que a política econômica do governo japonês ainda prioriza crescimento, o que reduz o espaço para uma postura monetária mais dura no curto prazo.

Intervenções têm efeito limitado no câmbio

A leitura de analistas citados pela CNBC é de que as intervenções recentes têm perdido eficiência. O problema, para eles, é que o iene não está sendo guiado apenas por fluxo de curto prazo, mas por fatores estruturais.

E reforçam que ações pontuais acabam tendo impacto temporário, sem alterar a tendência principal da moeda. Essa fraqueza do iene cria um quadro complexo para a economia japonesa.

De um lado, exportadores se beneficiam, já que produtos japoneses ganham competitividade no exterior. Esse efeito tende a sustentar parte do crescimento do país. Do outro, o impacto interno é menos confortável.

A moeda fraca encarece importações e pressiona a inflação, especialmente em energia e matérias-primas, corroendo o poder de compra das famílias em um momento em que o país busca recuperar a demanda doméstica.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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