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InvestMercados
03/08/2026
4 min

Iene dispara após primeira intervenção feita por Japão e EUA em mais de 15 anos

Primeira intervenção conjunta desde 2011 impulsiona moeda japonesa e muda apostas sobre juros

Iene dispara após primeira intervenção feita por Japão e EUA em mais de 15 anos

O iene registrou sua maior valorização em meses nesta segunda-feira, 3, após Japão e Estados Unidos confirmarem uma intervenção conjunta no mercado de câmbio para conter a desvalorização da moeda japonesa. Ele chegou a subir mais de 1%, alcançando 155,20 por dólar.

A ação, a primeira realizada pelos dois países desde 2011, reforçou a expectativa de que o Banco do Japão (BOJ) acelere o ciclo de alta de juros e marcou uma mudança importante na postura de Washington diante do enfraquecimento da divisa.

O Ministério das Finanças do Japão informou que a compra de ienes ocorreu na sexta-feira, 31, e afirmou que novas intervenções não estão descartadas caso a moeda volte a sofrer pressão. Estimativas do BoJ indicam que Tóquio pode ter desembolsado até US$ 36,58 bilhões na operação.

Parte dos ganhos, porém, foi devolvida e a moeda passou a ser negociada perto de 157 por dólar, mas ainda distante da mínima de quase 40 anos, em torno de 164 por dólar, atingida no mês passado. As informações são da Reuters.

Intervenção marca mudança na relação entre Japão e EUA

Trata-se da primeira intervenção cambial conjunta entre os dois países desde o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão em 2011. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo, 2, que o apoio ao Japão representa um gesto de amizade e também uma medida voltada à estabilidade da economia global.

Já a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, pontuou que os dois governos "não hesitarão" em voltar a atuar conjuntamente se as condições de mercado exigirem. Questionada sobre uma eventual nova intervenção hoje, ela evitou comentar.

A operação foi classificada como um reflexo da aliança entre os dois países na avaliação do principal diplomata cambial do Japão, Atsushi Mimura. Ele projeta que o governo continuará coordenando sua estratégia cambial com a política monetária do BoJ.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também declarou que Washington está disposto a colaborar em novas operações. Em publicação na rede X, o secretário afirmou apoiar as medidas adotadas pelo Japão para corrigir o que considera uma forte subvalorização do iene.

Bessent voltou, ainda, a defender que o Banco do Japão acelere o ritmo de alta dos juros.

Mercado passa a apostar em alta de juros já em setembro

As declarações das autoridades reforçaram a percepção de que o BoJ está, de fato, mais próximo de elevar os juros novamente. Na semana passada, a instituição manteve a taxa básica inalterada, mas indicou que uma alta poderá ocorrer já na reunião de setembro.

A estrategista-chefe de renda fixa da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities, Naomi Muguruma, vê que a combinação entre a intervenção cambial e o discurso das autoridades praticamente elimina as dúvidas sobre o próximo passo do banco central.

A próxima reunião do Banco do Japão está marcada para os dias 17 e 18 de setembro.

A leitura também ganhou força no mercado de títulos públicos. O rendimento do bônus japonês de dois anos, mais sensível às expectativas para os juros, chegou a 1,545%, o maior nível desde 1995, refletindo a aposta de investidores em um aperto monetário nas próximas semanas.

Meses de negociações entre EUA e Japão levaram à ação

Uma autoridade japonesa ouvida pela Reuters destacou que a possibilidade de uma intervenção conjunta começou a ser discutida em janeiro, quando o Federal Reserve (Fed) de Nova York fez consultas incomuns sobre o mercado cambial japonês.

As negociações avançaram durante a visita de Scott Bessent ao Japão em maio. Na ocasião, Katayama declarou ter realizado cerca de dez reuniões com o secretário americano, incluindo um encontro de três horas e meia durante um jantar.

Naquele período, o Japão havia acabado de realizar uma intervenção sozinho para conter a queda do iene, mas o efeito foi limitado. Pouco depois, o BoJ elevou os juros para 1%, o maior nível em 31 anos, mas a moeda continuou pressionada pela diferença entre os juros japoneses e americanos.

Intervenção reduz pressão, mas não resolve os problemas

Embora o movimento tenha impulsionado o iene, analistas avaliam que a intervenção, sozinha, dificilmente será suficiente para sustentar uma valorização duradoura da moeda, pois a capacidade de novas intervenções continua limitada pelos ativos que o Japão possui para utilizar como garantia.

O economista sênior do NLI Research Institute, Tsuyoshi Ueno, também esclareceu que os fatores que vêm enfraquecendo o iene permanecem presentes, como a diferença ainda elevada entre os juros dos EUA e do Japão e o aumento dos custos de energia provocado pela guerra no Irã.

*Com informações da Reuters

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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