iFood começa a fazer entregas fora do app e prevê ganhos 20% maiores para entregadores
Com o Envios iFood, empresa abre rede de 600 mil entregadores para pedidos feitos em sites, aplicativos e outros canais próprios de varejistas; operação já fez 500 mil entregas

RESUMO | O iFood começou a usar sua rede logística em pedidos feitos fora do aplicativo com o Envios iFood, que realizou 500 mil entregas em cerca de um mês e meio. A empresa espera chegar a 1 milhão no mês seguinte e estima que, em escala, o serviço possa elevar em 20% os ganhos dos 600 mil entregadores ativos.
Receber uma compra no mesmo dia deixou de ser uma promessa restrita aos grandes marketplaces. A corrida pela entrega em poucas horas começa a chegar também às pequenas e médias empresas — e o iFood quer usar a escala construída com comida para entrar nessa disputa.
A empresa começa a disponibilizar sua infraestrutura logística para pedidos que acontecem fora de seu aplicativo. Batizada de Envios iFood, a solução permite que varejistas acionem a rede de entregadores da companhia para compras feitas em sites, aplicativos e outros canais próprios. O anúncio foi realizado no iFood Move 2026.
O movimento acontece depois de o iFood atingir 50 milhões de entregas mensais feitas por sua própria logística dentro da plataforma. Em cerca de um mês e meio de operação, o novo serviço chegou à marca de 500 mil entregas. A expectativa é alcançar 1 milhão no mês seguinte.
“A gente pegou essa mesma solução de intermediação de logística e levou para os estabelecimentos que não necessariamente estão dentro do iFood”, diz Arnaldo Bertolaccini, vice-presidente de logística do iFood.
A próxima etapa será ampliar os tipos de varejistas atendidos e a escala da operação. O iFood começa principalmente com pacotes menores, transportados por motos, mas pretende incorporar outros modais à medida que avançar sobre categorias que exigem entregas maiores.
A empresa também estima que, com a escala do Envios, os ganhos dos entregadores possam crescer 20%, com mais corridas nos períodos de menor demanda.
Atualmente, são 50 milhões de pedidos por mês entregues pela logística da companhia. A rede reúne 600 mil entregadores ativos, considerando aqueles que fizeram ao menos uma entrega nos últimos 30 dias.
Para Bertolaccini, essa estrutura exige investimentos em tecnologia e escala que dificilmente seriam replicados por um pequeno varejista.
“Esse não é um ativo que pequenos e médios empreendedores costumam ter acesso. Normalmente, é um investimento de tecnologia e um investimento econômico importante para você conseguir oferecer esse tipo de serviço em escala”, diz.
É justamente essa barreira que o iFood tenta transformar em um novo negócio.
Um pequeno varejista pode vender um tênis em seu próprio site, por exemplo, e usar a estrutura do iFood apenas para levar o produto até o consumidor. O mesmo vale para compras feitas em outros canais próprios.
A estratégia também responde a uma mudança no comportamento do consumidor. Se esperar alguns dias por uma compra online já foi considerado normal, grandes marketplaces passaram a reduzir essa janela para o mesmo dia — e, em alguns casos, poucas horas.
“O empreendedor que não é uma grande plataforma antigamente jamais conseguiria competir com um serviço de entrega rápida. Com o Envios iFood, ele passa a competir com grandes plataformas porque consegue ter uma entrega tão rápida quanto aquela plataforma oferece”, afirma Bertolaccini.
Nuvemshop será uma das portas de entrada
Uma das formas encontradas pelo iFood para chegar aos pequenos varejistas é se conectar às plataformas que eles já usam.
A empresa fechou uma parceria com a Nuvemshop, plataforma de comércio eletrônico que atende mais de 180 mil marcas. A logística do iFood é integrada ao processo de compra e pode aparecer como uma opção de entrega rápida na hora em que o consumidor fecha o pedido.
Outra frente são empresas que já têm alguma relação com o iFood, mas também vendem por canais próprios. É o caso de farmácias que estão no aplicativo e, ao mesmo tempo, mantêm seus próprios sites ou apps.
Neste primeiro momento, a distribuição do Envios está concentrada nesses dois caminhos: estabelecimentos que já se relacionam com o iFood e integrações com plataformas que concentram milhares de vendedores. A ideia é criar intenção é criar uma forma mais simples para que outros comerciantes contratem diretamente o serviço.
A expansão significa que o iFood passa a colocar sua infraestrutura a serviço de transações nas quais não necessariamente participou da venda.
Para a companhia, a lógica está em transformar a escala já existente em um serviço que pode atender mais momentos do varejo — e, ao mesmo tempo, gerar mais corridas para sua base de entregadores.
O perfil buscado pelo Envios também mostra onde o iFood pretende competir inicialmente.
Em vez de grandes centros de distribuição, a operação está focada no chamado ship from store, modelo no qual uma compra online é despachada diretamente de uma loja física.
Na prática, o varejista pode usar o estoque que já mantém na loja para atender consumidores próximos sem precisar construir um centro de distribuição.
iFood prevê ganhos 20% maiores para entregadores
Existe uma segunda conta por trás da expansão. A demanda tradicional do delivery de comida é concentrada principalmente nos horários de almoço e jantar. Ao adicionar entregas de roupas, medicamentos, eletrônicos e outros produtos, o iFood consegue distribuir mais corridas ao longo do dia.
Nos primeiros testes, segundo Bertolaccini, a empresa já percebeu aumento de renda entre entregadores que participaram da operação, embora ainda não tivesse um percentual consolidado no momento da entrevista.
“A gente consegue distribuir isso durante todo o dia e isso tem se mostrado um aumento de renda do entregador”, diz Bertolaccini.
O desafio agora é provar que a equação funciona em escala. Além de chegar a mais varejistas, o iFood terá de manter a velocidade da entrega à medida que adiciona categorias, tamanhos de pacotes e diferentes modais.
A aposta parte de um ativo que o iFood já tem. São 600 mil entregadores ativos e 50 milhões de entregas mensais dentro da plataforma. Agora, a companhia quer descobrir até onde essa estrutura consegue chegar quando o pedido começa fora dela.
O que é o Envios iFood?
O Envios iFood é um serviço que permite a varejistas usar a rede de entregadores da empresa em compras feitas fora do aplicativo, como em sites, apps e outros canais próprios.
Quantas entregas o Envios iFood já realizou?
O Envios iFood realizou 500 mil entregas em cerca de um mês e meio de operação. A expectativa da empresa é alcançar 1 milhão de entregas no mês seguinte.
Como os pequenos varejistas podem usar a logística do iFood?
Os pequenos varejistas podem acessar o serviço por integrações como a parceria com a Nuvemshop, que atende mais de 180 mil marcas, ou por relações comerciais já existentes com o iFood. Mais adiante, a empresa pretende permitir a contratação direta por outros comerciantes.
Quais produtos podem ser entregues pelo Envios iFood?
Vestuário, tênis, eletrônicos e medicamentos estão entre as categorias testadas. Inicialmente, o serviço privilegia pacotes menores transportados por motos, mas o iFood pretende incorporar outros modais gradualmente.
Como o Envios iFood pode aumentar os ganhos dos entregadores?
Segundo o iFood, a escala do Envios pode elevar em 20% os ganhos dos entregadores ao oferecer mais corridas nos períodos de menor demanda, fora dos horários de almoço e jantar.
O que é o modelo ship from store usado pelo Envios iFood?
O modelo ship from store permite despachar uma compra online diretamente de uma loja física. Segundo Arnaldo Bertolaccini, vice-presidente de logística do iFood, o serviço está mais conectado aos estoques das lojas do que aos grandes centros de distribuição.
