Imóveis de luxo em SP chegam a R$ 90 mil o metro quadrado após valorização de 181%
Levantamento da MBRAS mostra avanço de projetos com terrenos raros, vista verde permanente e baixa densidade nos bairros mais valorizados da capital

O metro quadrado de alguns dosimóveis mais exclusivos de São Paulo já alcança R$ 90 mil. O valor aparece em um dos projetos residenciais de luxo analisados pela MBbras, que identificou uma valorização de 181,3% em cerca de quatro anos e meio em um empreendimento no Jardim Europa. O levantamento analisou cinco projetos em desenvolvimento na capital paulista e mostra a valorização de ativos imobiliários associados a atributos cada vez mais escassos na cidade, como terrenos grandes, baixa densidade, vista verde permanente e serviços de hotelaria.
O destaque é o 280 ART Boulevard, na Avenida Cidade Jardim, na divisa entre o Itaim Bibi e o Jardim Europa. No empreendimento da Benx, a referência de preço por metro quadrado passou de R$ 32 mil para R$ 90 mil, uma alta acumulada de 181,3%, equivalente a uma valorização anualizada de 25,8%.
O projeto reúne uma única torre com apenas 22 residências, em um terreno de cerca de 2.984 metros quadrados. As unidades variam de 572 metros quadrados a 780 metros quadrados, além de um garden de aproximadamente 1.000 metros quadrados e uma penthouse de cerca de 1.300 metros quadrados.
Para Lucas Melo, sócio fundador da MBRAS, o mercado de luxo passou a precificar características que não podem ser facilmente reproduzidas. “O comprador de luxo não paga mais pelo metro quadrado. Paga pelo que não se refaz. Vista verde permanente, terreno grande e um prédio afastado da rua são características que São Paulo dificilmente consegue produzir novamente”, afirma.
Um dos principais elementos é a escala dos terrenos. Grandes áreas permitem maior afastamento entre as torres, jardins extensos, áreas de lazer mais completas e estruturas de bem-estar que dificilmente cabem nos lotes tradicionais da cidade.
O Reserva Cidade Jardim, da JHSF, ocupa um terreno de cerca de 20 mil metros quadrados na Marginal Pinheiros. O projeto tem quatro torres, unidades de 455 metros quadrados a 1.300 metros quadrados, heliponto, concierge 24 horas e acesso ao Shopping Cidade Jardim. A referência de preço do empreendimento passou de R$ 40 mil para R$ 78 mil por metro quadrado em dois anos e meio, uma valorização acumulada de 95%, equivalente a 30,6% ao ano, a maior taxa anualizada entre os cinco projetos analisados.
Outro projeto com terreno amplo é o Faena São Paulo, da Even, em Pinheiros. O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados e combina duas torres residenciais com um hotel de 99 quartos operado pela Accor sob a marca Faena, além de um centro cultural. A referência de preço passou de R$ 35 mil para R$ 55 mil por metro quadrado, uma valorização de 57,1%, equivalente a 19,8% ao ano.
Outro fator que ganhou peso no mercado de alto padrão é a chamada vista verde permanente. A lógica é diferente de simplesmente ter uma paisagem agradável no momento da compra. O valor está na segurança de que aquela vista dificilmente será bloqueada por novos empreendimentos.
No Jardim Europa, essa característica está relacionada à preservação do conjunto urbano dos Jardins, que possui áreas protegidas por tombamento municipal. O Arbórea Vista Jardim Europa, também da Benx e localizado na divisa com o Itaim Bibi, aposta justamente nesse atributo. O empreendimento terá uma única torre com 30 unidades, com plantas entre 484 metros quadrados e 1.102 metros quadrados. A referência de preço passou de R$ 38 mil para R$ 65 mil por metro quadrado em dois anos e meio, uma valorização de 71,1%, equivalente a 24% ao ano.
O levantamento também inclui o Edifício Capanema, nos Jardins, ainda em fase anterior ao lançamento. A referência de preço passou de R$ 35 mil para R$ 44 mil por metro quadrado em um ano e meio, uma valorização anualizada de 16,5%.
A metodologia do levantamento considera referências de valores por metro quadrado acompanhadas pela MBRAS nos cinco projetos analisados. Os percentuais representam a evolução nominal dos preços e não correspondem ao retorno líquido de investidores, pois não consideram inflação, tributos, custos de aquisição, manutenção ou venda.
