Inadimplência no aluguel cai pela 3ª vez seguida e atinge menor nível desde abril
Após quatro meses de alta no meio do ano, taxa cai a 5,84%; Minas lidera entre os estados

De cada 100 contratos de aluguel residencial acompanhados pela Loft, quase seis estavam com mais de 15 dias de atraso em outubro. A taxa, de 5,84%, é a menor desde abril e marca a terceira queda mensal seguida do Índice de Inadimplência de Aluguéis (IIA), calculado pela empresa de tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias.
O recuo vem depois de quatro meses consecutivos de alta, entre abril e julho, período em que o indicador chegou a 6,20%. Desde então, a inadimplência acumula queda de 0,36 ponto percentual.
O IIA é calculado com base em cerca de 500 mil contratos ativos de Fiança Aluguel sob gestão da Loft, modalidade de garantia locatícia oferecida pela empresa. A amostra inclui imóveis de todas as regiões do país, de estúdios compactos a casas de alto padrão.
Pela metodologia, a imobiliária responsável pelo contrato tem uma janela de três meses para informar à Loft sobre o atraso no pagamento.
Um ano de sobe e desce
A trajetória de 2026 foi marcada por oscilações. O índice abriu o ano em 5,87% e caiu para 5,46% em março, o menor patamar da série histórica, iniciada em maio de 2024. Em seguida, voltou a subir por quatro meses.
Na comparação com outubro de 2025, quando a taxa estava em 6,26%, a redução é de 0,42 ponto percentual. Em relação ao pico da série, de 7,01% em julho de 2024, o recuo chega a 1,17 ponto.
O desenho dos dois anos anteriores mostra um movimento semelhante: alta no meio do ano e alívio a partir de outubro. Em 2024, a taxa saiu de 7,01% em julho para 5,83% em dezembro. Em 2025, passou de 6,80% em setembro para 5,81% no fim do ano, como a EXAME mostrou em reportagem sobre o recuo de fim de ano.
Sul e Sudeste puxam a melhora
A queda no indicador nacional não foi uniforme. Sudeste e Sul concentraram os principais recuos desde julho. No Sudeste, a inadimplência passou de 6,3% para 5,9%. No Sul, de 5,8% para 5,5%.
O grupo formado por Norte, Nordeste e Centro-Oeste, por outro lado, está parado em 7% há três meses. O percentual é o mais alto entre as regiões e repete o nível de outubro do ano passado.
Na comparação anual, o Sudeste registrou queda de 0,4 ponto percentual, de 6,3% para 5,9%. No Sul, o recuo foi de 0,5 ponto, de 6% para 5,5%.
Minas lidera, Rio tem a menor taxa
Entre os sete estados monitorados individualmente, Minas Gerais tem a maior inadimplência, de 6,5%. A taxa, no entanto, caiu 1 ponto percentual desde julho, quando atingiu 7,5%.
Na outra ponta, o Rio de Janeiro manteve a menor taxa do levantamento, de 4,4%, mesmo patamar de setembro.
No mês, o comportamento foi dividido. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram queda. São Paulo, Espírito Santo e Paraná tiveram alta.
O Espírito Santo concentra o movimento mais destoante. O estado chegou a 3,9% em junho, a menor taxa entre os estados naquele mês, e desde então subiu por quatro meses seguidos, até 5,3% em outubro.
Ainda assim, todos os sete estados estão com inadimplência abaixo da registrada em outubro de 2025. As maiores quedas anuais ocorreram no Rio Grande do Sul, de 6,7% para 5,5%, e no próprio Espírito Santo, de 6,2% para 5,3%.
Inadimplência no aluguel por estado
| Estado | Out/2025 | Set/2026 | Out/2026 |
|---|---|---|---|
| Minas Gerais | 6,9% | 6,8% | 6,5% |
| São Paulo | 6,3% | 5,8% | 5,9% |
| Santa Catarina | 6,1% | 6,0% | 5,8% |
| Rio Grande do Sul | 6,7% | 5,7% | 5,5% |
| Espírito Santo | 6,2% | 5,2% | 5,3% |
| Paraná | 5,3% | 5,0% | 5,2% |
| Rio de Janeiro | 4,8% | 4,4% | 4,4% |
Fonte: Loft, com base em cerca de 500 mil contratos sob gestão
Os próximos meses
A Loft avalia que o movimento ainda pede cautela. As quedas mensais foram pequenas: 0,20 ponto em agosto, 0,12 em setembro e 0,04 em outubro.
"O índice completa três meses seguidos de queda. Embora as reduções mensais sejam discretas, a sequência indica uma melhora gradual no pagamento dos aluguéis. Ainda é preciso acompanhar os próximos meses para avaliar a continuidade dessa tendência", afirmou Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.
