Incêndios na região de Madrid causam evacuação de 63 mil pessoas

Autoridades espanholas evacuaram ou determinaram o confinamento de cerca de 63 mil pessoas devido aos incêndios florestais que atingem a região de Madrid e a província vizinha de Ávila. Segundo o Ministério do Interior da Espanha, trata-se dos piores incêndios da história da Comunidade de Madrid.
O número de afetados aumentou nesta sexta-feira, 24, após a retirada de aproximadamente 5 mil pessoas de um camping em El Escorial, município para onde as chamas avançam.
As autoridades afirmam que aprioridade agora é impedir que o fogo alcance El Escorial e, posteriormente, San Lorenzo de El Escorial, enquanto militares da Unidade Militar de Emergências (UME) montam uma linha de defesa na região.
Moradores evacuados: com incêndios, moradores das áreas afetadas ficam em camping (Pierre-Philippe Marcou / AFP)
O responsável pela gestão de emergências do governo regional de Madrid, Carlos Novillo, afirmou que o incêndio está em seu "momento mais crítico" e já está "fora da capacidade de extinção" dos bombeiros. Segundo ele, os três focos que atingiam a região se fundiram em um único incêndio.
Até o momento, oito municípios da região de Madrid foram evacuados ou seguem em processo de retirada de moradores, enquanto outras localidades permanecem sob ordem de confinamento. A comunidade autônoma também mantém 13 centros de acolhimento, que já receberam cerca de 1.800 pessoas deslocadas.
Polícia prende suspeito por origem do incêndio
A Guarda Civil espanhola informou que prendeu um homem e investiga outra pessoa por suspeita de provocar um dos incêndios. Segundo as autoridades, o fogo teria começado após o uso de máquinas agrícolas pesadas em uma área onde essa atividade estava proibida devido ao alto risco de incêndios.
"A causa que iniciou o incêndio foi um ato de negligência grave devido ao uso de máquinas pesadas em uma área onde isso era totalmente proibido", informou a corporação.
Os bombeiros também tentam impedir que o incêndio na região de Madrid, que já queimou cerca de 6 mil hectares, se una ao fogo que atinge a região de Castela e Leão, onde outros 9 mil hectares foram devastados. A união dos dois focos aumentaria significativamente a intensidade das chamas.
Sánchez visitará área afetada
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitará neste sábado, 25, o centro de coordenação da emergência em Cenicientos, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Incêndios: fogo se espalha por diversos focos na Espanha (Cesar Manso/ AFP)
Em publicação nas redes sociais, Sánchez classificou a situação como "dramática" e afirmou que todas as administrações trabalham de forma coordenada para conter o incêndio e proteger a população.
"Vivemos uma situação dramática. É momento de agir com responsabilidade e reforçar a unidade frente à emergência", escreveu o premiê, que também defendeu acelerar medidas para enfrentar a emergência climática.
Grande-Marlaska informou ainda que novos meios aéreos enviados pelo Mecanismo Europeu de Proteção Civil chegarão neste sábado para reforçar o combate às chamas. Além disso, seis comunidades autônomas espanholas disponibilizaram recursos próprios para apoiar a operação.
As condições meteorológicas continuam dificultando o trabalho das equipes. Segundo o ministro, a região enfrenta ventos superiores a 50 km/h, além de altas temperaturas e baixa umidade, fatores que favorecem a rápida propagação do fogo.
Desde o início de 2026, quase 130 mil hectares já foram queimados por incêndios na Espanha. Especialistas apontam que a seca prolongada e as sucessivas ondas de calor, agravadas pelas mudanças climáticas, aumentaram significativamente o risco de grandes incêndios em toda a Europa.
