Incorporadora brasileira investe US$ 20 milhões em complexo de alto padrão no Uruguai
Projeto terá 95 lotes e até 20 casas em área de 170 hectares no Agreste Punta Negra

A incorporadora brasileira Sahyoun Properties vai investir cerca de US$ 20 milhões na primeira etapa de um projeto residencial de alto padrão no Uruguai. É o primeiro negócio internacional da empresa, que mira a demanda de brasileiros interessados em imóveis e patrimônio no país vizinho.
O empreendimento será construído no Agreste Punta Negra, um clube de campo e mar de 170 hectares no departamento de Maldonado, e terá inicialmente cerca de dez casas. O projeto é uma parceria com a Bodega Bouza, que já mantém vinhedos e o restaurante Las Espinas na propriedade.
A escolha do Uruguai está ligada, segundo a companhia, ao avanço da migração de capital estrangeiro para o mercado uruguaio e ao interesse crescente de brasileiros por imóveis no exterior. A Sahyoun também vai abrir um escritório local e já avalia outros projetos no mercado uruguaio.
A aposta da Sahyoun no Uruguai
Fundada em 2013, a Sahyoun Properties atua no segmento de alto padrão no Brasil, com projetos em destinos como Fazenda Boa Vista, Fazenda da Grama e litoral da Bahia. A companhia projeta alcançar R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) no mercado nacional.
Para o fundador da incorporadora, Alexandre Sahyoun, o Agreste Punta Negra tem características semelhantes às dos mercados em que a companhia já atua. "Escolhemos um lugar que conversa diretamente com o nosso público. A presença da vinícola, a gastronomia e a relação com a paisagem tornam o Agreste muito especial."
Além do projeto em Punta Negra, a incorporadora já estuda outras iniciativas no Uruguai. No Brasil, mantém uma sociedade com a LN Urbanismo para trazer a marca de hotéis VIK ao país.
Um condomínio de poucos lotes
O Agreste Punta Negra ocupa 170 hectares na encosta do Cerro Las Espinas e terá apenas 95 lotes de, aproximadamente, quatro mil metros quadrados cada. A proposta é manter baixa densidade de ocupação, com lotes grandes e áreas de vegetação preservada.
O sócio-diretor do Agreste, Carlos Eduardo Silveira, conheceu a região ao lado do pai, Ricardo Silveira. E, em 2024, um amigo em comum apresentou Silveira a Juan Bouza, que havia adquirido a área. A ideia desde o início era evitar um condomínio convencional.
"A visão nunca foi simplesmente desenvolver um empreendimento imobiliário, mas entender como poderíamos criar valor preservando justamente aquilo que tornava o lugar único", disse Carlos Eduardo Silveira. É daí que vem o conceito usado pelos responsáveis pelo projeto de um "luxo mais silencioso".
O papel da vinícola no negócio
A parceria com a família Bouza é outro componente do projeto, pois a Vinícola Bouza mantém vinhedos na propriedade e o restaurante Las Espinas, instalado no ponto mais alto do Cerro Las Espinas.
Os moradores terão acesso ao restaurante por um caminho que atravessa os vinhedos e, conforme a proprietária da vinícola, Lucía Bouza, brasileiros já representam parte do público que frequenta o Las Espinas. "Desde o início do projeto, recebemos um interesse muito importante do público brasileiro."
Além da estrutura ligada à vinícola, o condomínio terá piscina, academia e espaço infantil. O acesso será controlado e haverá monitoramento 24 horas.
A área esportiva contará com quadras de tênis, pádel, beach tennis e futebol, além de um centro equestre. O projeto também prevê trilhas, áreas preservadas de monte nativo e espaços para observação da fauna e da flora.
Primeiras casas em 2027
A primeira etapa terá cerca de dez residências, dentro de um projeto que pode chegar a até 20 unidades. A expectativa é concluir a fase de projetos nos próximos meses e começar as obras no início de 2027. A previsão de entrega das primeiras casas é de 24 meses após o início da construção.
O desenvolvimento é conduzido pelo consórcio formado por RCS Australis, Bouza e Invergroup, com a participação da Sahyoun. Para Silveira, a construção das residências pode ajudar a transformar Punta Negra em um destino também voltado à moradia.
"À medida que surgem projetos e residências com esse nível de cuidado, Punta Negra começa a se consolidar não apenas como um lugar para visitar, mas como um lugar para viver e construir patrimônio no longo prazo", detalhou Carlos Eduardo Silveira.
