Indústria de suplementos do Paraná investe R$ 67 milhões em fábrica e novo centro logístico

Há 19 anos, a indústria de suplementos Maxinutri começou em um espaço de 70 metros quadrados, em Arapongas, no norte do Paraná, produzindo apenas três itens: um shake, um chá e uma sopa para emagrecimento. Hoje, a empresa fabrica mais de 200 produtos, está presente em mais de 83 mil pontos de venda no país e prepara um novo salto de crescimento.
Em 2026, a companhia está tirando do papel um investimento de R$ 67 milhões para ampliar sua operação industrial e logística. O pacote inclui uma expansão de fábrica de R$ 45 milhões e a construção de um novo centro de distribuição de R$ 22 milhões, ambos em Arapongas.
"Estamos construindo uma estrutura para sustentar os próximos ciclos de crescimento. O que está sendo feito agora foi pensado para os próximos anos da companhia", afirma Fernando Ferdinandi, fundador e CEO da Maxinutri.
Após alcançar receita de R$ 345 milhões em 2025, a projeção de Ferdinandi é de encerrar este ano com faturamento entre R$ 425 milhões e R$ 430 milhões — e alcançar a marca de R$ 500 milhões em receita em 2027, quando a empresa completa 20 anos de fundação.
Nos últimos três anos, a empresa cresceu 128,8%, ritmo que colocou a companhia entre as que mais avançam no mercado brasileiro de suplementação.
Como se dá a expansão da Maxinutri
O principal investimento da empresa está concentrado na fábrica. A Maxinutri opera atualmente em uma planta industrial de 20 mil metros quadrados em Arapongas. A sede própria começou a ser construída em 2016 e foi inaugurada em 2018.
Agora, a empresa finaliza uma nova expansão de 5 mil metros quadrados, que deverá entrar em operação em janeiro do próximo ano.
O projeto contempla novas linhas de produção, incluindo líquidos, cápsulas softgel, pré-misturas e um novo setor de embalagem, além da ampliação do laboratório de controle de qualidade.
Uma das principais apostas é a entrada mais forte no segmento de suplementos em gomas.
"É um movimento que vem crescendo de maneira muito acelerada. É um formato que apresenta grande aderência em diferentes públicos, desde jovens até idosos, pela facilidade de consumo", diz Ferdinandi.
Somente a linha de produção de gomas demandou R$ 18 milhões em investimentos entre equipamentos e estrutura produtiva.
Fernando Ferdinandi, CEO da Maxinutri: fabricante de vitaminas e suplementos aposta em novas linhas de produção para sustentar o próximo ciclo de crescimento. (Maxinutri/Divulgação)
Como melhorar um gargalo de logística
Paralelamente à expansão industrial, a empresa está construindo um novo centro de distribuição de 8 mil metros quadrados em frente à fábrica. O empreendimento terá capacidade para armazenar 9 mil posições de pallets de produtos acabados e deve entrar em operação entre o fim deste ano e o início do próximo.
Segundo o executivo, o crescimento da companhia acabou transformando a logística em um dos principais desafios operacionais. Hoje, a Maxinutri abastece praticamente todo o território nacional a partir de Arapongas.
"Chegou um momento em que percebemos que precisávamos ganhar eficiência logística para continuar crescendo no ritmo que vínhamos apresentando."
A decisão de investir na distribuição começou há quatro anos. A empresa comprou um primeiro caminhão para testar uma operação própria. O resultado levou à aquisição de novos veículos. Hoje, a companhia possui uma frota de 16 carretas.
Em termos financeiros, o ganho não foi tão expressivo. Segundo Fernando, a economia de custos ficou abaixo de 10%. Os benefícios vieram em outras frentes.
"Tivemos uma redução drástica de avarias e um ganho muito expressivo de qualidade de serviço, previsibilidade e tempo de entrega."
Novo centro de distribuição da Maxinutri: empreendimento de R$ 22 milhões terá capacidade para armazenar quase 9 mil pallets de produtos acabados. (Maxinutri/Divulgação)
A força do canal farmacêutico
A expansão da empresa também se apoia em um modelo comercial pouco usual quando a Maxinutri foi criada. No início dos anos 2000, a maior parte dos suplementos era comercializada em lojas especializadas em nutrição esportiva. A categoria praticamente não existia dentro das farmácias. Foi justamente nesse espaço que a companhia decidiu apostar.
A decisão foi influenciada pela própria trajetória do fundador. Filho de agricultores, Ferdinandi começou a trabalhar aos 12 anos em uma farmácia de Arapongas. Permaneceu ali por cinco anos, passando por diferentes funções e aprendendo também sobre manipulação.
Mais tarde, cursou Farmácia, comprou uma drogaria junto de um colega de faculdade e abriu uma segunda unidade. Foi dessa experiência que surgiu a percepção de que as farmácias poderiam se tornar um importante canal para vitaminas e suplementos.
"Quando começamos, precisávamos convencer distribuidores e farmacistas de que essa categoria tinha potencial."
A estratégia exigiu um trabalho de longo prazo. Hoje, a companhia opera por meio de 180 distribuidores espalhados pelo Brasil. Eles representam cerca de 85% do negócio e formam uma estrutura comercial de quase 5 mil vendedores.
O resultado é uma capilaridade rara para uma empresa do segmento: mais de 83 mil farmácias brasileiras possuem pelo menos um produto da Maxinutri em suas prateleiras. Para Fernando, essa é a principal vantagem competitiva da empresa.
"Nossa cadeia de parceiros é o ativo mais valioso que construímos. Ela reduz risco de concentração, reduz inadimplência e nos dá capacidade de escalar o portfólio."
Uma crise que quase interrompeu a trajetória
Fundada em 2007, a empresa nasceu produzindo apenas três produtos voltados ao emagrecimento: um shake, um chá e uma sopa solúvel. Hoje, o catálogo reúne mais de 200 itens divididos em diferentes categorias, como saúde articular, sistema digestivo, probióticos, nutricosméticos e vitaminas.
A expansão também já ultrapassou as fronteiras brasileiras. Além da presença nacional, a Maxinutri possui operações em mercados da América Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Oriente Médio.
O crescimento atual contrasta com um momento particularmente delicado da história da empresa. Em 2011, a Maxinutri recebeu de uma grande rede varejista um pedido equivalente a aproximadamente um ano de faturamento na época.
Para atender à encomenda, mobilizou fornecedores, recorreu a capital de giro e ampliou a produção. Menos de 20% do pedido, porém, acabou efetivamente comprado pelo cliente.
"Meu sócio entendia que a empresa havia quebrado. Eu acreditava que tínhamos cometido um erro, mas que o negócio era bom e tinha potencial."
Fernando assumiu sozinho a operação e as dívidas da empresa. Em seguida, renegociou os débitos com bancos e fornecedores e decidiu investir em um rebranding completo da marca.
A aposta deu certo. Pouco mais de uma década depois, a empresa se prepara para entrar em um novo ciclo de crescimento.
Planta industrial da Maxinutri, em Arapongas: empresa prepara nova expansão para acompanhar o crescimento de 128,8% registrado nos últimos três anos. (Maxinutri/Divulgação)
Quais serão os próximos passos da Maxinutri
Os investimentos atuais não encerram o processo de expansão. Neste ano, a companhia adquiriu mais uma área de 20 mil metros quadrados ao lado da fábrica.
O terreno vai abrigar novos projetos industriais, incluindo a possibilidade de entrada no mercado de higiene e beleza. A lógica, segundo Fernando, é ampliar a jornada de cuidado oferecida ao consumidor.
"Hoje ajudamos as pessoas a cuidar da saúde de dentro para dentro. Faz sentido também participar do cuidado de fora para dentro."
A empresa projeta crescer entre 15% e 17% no próximo ano e atingir a marca de R$ 500 milhões em faturamento em 2027.
Para um negócio que começou com R$ 80 mil de investimento e uma pequena fábrica instalada em um espaço de 70 metros quadrados, o meio bilhão de reais em receita tem um significado particular.
"Seria uma maneira muito simbólica de comemorar os 20 anos da empresa. Mostraria que valeu a pena insistir quando tudo parecia ter dado errado."
