Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
17/07/2026
6 min

Indústria têxtil catarinense abre primeira loja física e mira R$ 345 mi no ano

Indústria têxtil catarinense abre primeira loja física e mira R$ 345 mi no ano

O grupo têxtil catarinense Fakini inaugurou na noite desta sexta-feira (17/7), sua primeira loja própria, no centro de Pomerode, no Vale do Itajaí. Com mais de mil metros quadrados, a unidade marca a entrada direta da companhia no varejo e reúne as três marcas do portfólio: Fakini, Angel e Aurus.

A abertura ocorre em meio a um novo ciclo de expansão do negócio, que faturou cerca de R$ 300 milhões em 2025 e projeta crescimento de 15% neste ano, chegando a R$ 345 milhões.

Ao longo dos mais de 30 ano de operação, o grupo concentrava sua atuação na indústria e na distribuição para lojistas. A chegada ao varejo permitirá acompanhar diretamente o comportamento do consumidor, testar a exposição conjunta das marcas e avaliar o desempenho das coleções em um mesmo ambiente.

“Agora conseguimos apresentar ao mercado um pouco daquilo que produzimos em nossa estrutura e nas nossas dez fábricas”, afirma Francis Giorgio Fachini, CEO da companhia.

A loja está localizada na região central de Pomerode, um dos principais destinos turísticos de Santa Catarina. A escolha busca aproximar a Fakini tanto da comunidade local quanto dos visitantes que circulam pela cidade.

Além das áreas destinadas às três marcas, o espaço conta com playground inspirado na cultura germânica, café com produtos feitos em Pomerode e um bazar permanente, voltado à venda de peças de coleções anteriores e itens de diferentes faixas de preço.

Filhos foram a inspiração

A chegada ao varejo próprio é o capítulo mais recente de uma história iniciada em 1994, quando Carmen e Moacir Fachini decidiram abrir uma pequena confecção infantil em Pomerode.

Os dois haviam se conhecido enquanto trabalhavam em uma grande indústria têxtil catarinense. Por conhecerem de perto as dificuldades do setor, chegaram a considerar outros caminhos antes de empreender.

O incentivo, no entanto, estava dentro de casa. Com três filhos pequenos — Francis, Giovan e Rafael —, Carmen começou a criar roupas que atendessem às necessidades das crianças e acompanhassem a rotina da família.

Moacir assumiu a frente comercial. Nos primeiros anos, viajava de ônibus de Pomerode até São Paulo para oferecer as peças a comerciantes do Brás, um dos principais centros atacadistas de moda do país.

O que nasceu como uma confecção familiar voltada ao vestuário infantil se transformou, ao longo de pouco mais de três décadas, em um grupo com cerca de 10 mil clientes ativos, dez unidades industriais e mais de 1,5 mil funcionários.

Francis cresceu acompanhando a evolução do negócio. Ainda jovem, começou ajudando o pai em tarefas administrativas, realizando serviços bancários e datilografando cheques. Nos anos 2000, passou a atuar na área comercial, período em que a Fakini ganhou velocidade e enfrentou uma das principais mudanças de sua trajetória.

Naquele momento, a produção estava fortemente direcionada ao mercado externo. Uma mudança no câmbio reduziu a competitividade das exportações e obrigou a companhia a buscar rapidamente uma nova estratégia para ampliar as vendas no Brasil.

A saída foi apostar no licenciamento de personagens para tornar as coleções infantis mais conhecidas e competitivas no mercado nacional. A estratégia contribuiu para a expansão da Fakini e ajudou a reposicionar o negócio. Atualmente, personagens de grandes estúdios internacionais, como Disney e Marvel, estampam peças produzidas pelo grupo.

Os licenciamentos continuam presentes no planejamento comercial. Em uma convenção com mais de 100 representantes, foram anunciadas duas novas colaborações. Uma delas envolve A Boiadeirinha, personagem infantil inspirada na cantora Ana Castela. A outra é relacionada a Guerreiras do K-Pop, produção que ganhou espaço entre o público infantil.

Em 2025, depois de participar do negócio desde os primeiros anos e construir parte de sua trajetória na área comercial, Francis assumiu oficialmente o cargo de CEO do grupo fundado pelos pais.

 Novos mercados

Enquanto ampliava as vendas e fortalecia sua presença no mercado brasileiro, a Fakini também aprofundou a verticalização da produção. Diferentes etapas da cadeia passaram a ser realizadas dentro da própria estrutura industrial.

Atualmente, o grupo executa processos como fiação, tecelagem, tinturaria, corte, bordado, estamparia e costura. A companhia também informa possuir um processo patenteado na área de tecelagem, desenvolvido a partir de um modelo próprio de fabricação.

Nos últimos 12 meses, a Fakini afirma ter investido mais de R$ 15 milhões em máquinas, instalações e na conclusão de um novo centro administrativo.

Com mais de 4 mil metros quadrados distribuídos em quatro pavimentos, o prédio reúne áreas administrativas, showroom, uma loja para exposição das marcas e um auditório para 150 pessoas.

A ampliação da estrutura acompanhou a diversificação do portfólio. Embora tenha surgido produzindo roupas infantis, a companhia começou a avançar sobre novos segmentos em 2020, com a aquisição da Angel, marca de moda feminina fundada dez anos antes da própria Fakini.

A incorporação exigiu mudanças principalmente na escolha de matérias-primas, nos acabamentos e na estratégia de divulgação. Hoje, a Angel está presente em mais de mil pontos de venda distribuídos por cerca de 800 cidades.

A marca feminina também é exportada para Paraguai, Uruguai, Equador e Portugal, entre outros mercados.

O desempenho da Angel abriu caminho para um novo movimento. Em 2025, o grupo lançou a Aurus, marca masculina voltada ao uso de tecidos tecnológicos e ao design minimalista.

Com isso, a companhia passou a atuar de forma mais abrangente nos segmentos infantil, feminino e masculino. A reunião das três marcas em uma única loja transforma a unidade de Pomerode em uma síntese dessa diversificação e, ao mesmo tempo, em um teste para a estratégia de varejo próprio.

Primeira loja física do grupo foi inaugurada nesta sexta-feira, em Pomerode (Divulgação/Divulgação)

A Fakini ainda não informou se pretende abrir novas unidades nem apresentou um cronograma de expansão. Por enquanto, o objetivo é acompanhar o desempenho da loja de Pomerode, avaliar a resposta do consumidor e entender como as três marcas se comportam reunidas em um único espaço.

A entrada direta no varejo ocorre em um período de pressão sobre a indústria têxtil, marcado pelo aumento dos custos, pela concorrência dos produtos importados e pelas mudanças nos hábitos de consumo.

Para Francis, a resposta do grupo passa pela manutenção dos investimentos, pelo aumento da produtividade e pela ampliação dos canais de venda.

“Meu pai é um grande inquieto. E isso está muito presente na cultura da Fakini. O tempo inteiro estamos pensando no que pode ser melhorado para ganhar competitividade”, afirma.

Segundo o executivo, a companhia pretende sustentar o crescimento com a modernização da indústria, a diversificação do portfólio e uma relação mais direta com o consumidor final.

A inauguração da primeira loja própria conecta, portanto, duas pontas da trajetória da Fakini: a origem familiar, marcada pelas roupas criadas para os três filhos do casal fundador, e a construção de uma nova frente de crescimento .

AutorRafael Martini
FonteExame
Distribuído por