Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EconomiaCMDT
10/06/2026
4 min

Inflação americana atinge maior nível desde 2023 e reforça expectativa de juros altos por mais tempo

Inflação americana atinge maior nível desde 2023 e reforça expectativa de juros altos por mais tempo

A inflaçãodos Estados Unidos voltou a acelerar em maio, sustentando a expectativa do mercado de que o Federal Reserve (Fed) manterá os juros inalterados nos próximos meses.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,5% na comparação mensal, em linha com as projeções dos analistas. Em 12 meses, a inflação acelerou de 3,3% para 4,2%, atingindo o maior patamar desde abril de 2023.

O principal responsável pela alta continua sendo o grupo de energia, que acumula quase 20% de valorização nos últimos três meses, refletindo os impactos da guerra envolvendo o Irãe a disparada dos preços do petróleo.

Apesar da aceleração da inflação cheia, os indicadores subjacentes vieram mais benignos. O núcleo do CPI, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, subiu apenas 0,2% no mês, abaixo das expectativas do mercado.

Para André Valério, economista sênior do Inter, o resultado mostra que o choque recente provocado pela energia ainda não contaminou de forma relevante o restante da economia.

“Excluindo alimentação, energia e habitação, a inflação americana está rodando na casa dos 2,4% ao ano, sugerindo uma inflação subjacente mais bem comportada do que o choque de energia sugere, sem grandes sinais, por ora, de contaminação da inflação pelo choque do petróleo”, afirma.

Parte da surpresa positiva veio da inflação de bens, que registrou deflação de 0,1% em maio, contribuindo para conter a pressão sobre os núcleos.

Serviços seguem no radar do Fed

Se por um lado os preços de bens ajudaram a aliviar o dado, por outro a inflação de serviços continua sendo motivo de preocupação para a política monetária.

Segundo Andressa Durão, economista do ASA, a abertura dos números mostrou uma nova surpresa baixista nos bens, mas os serviços permanecem pressionados e disseminados.

Os aluguéis desaceleraram menos do que o esperado em maio, enquanto os serviços médicos registraram aceleração. Além disso, o chamado “supercore” de serviços, indicador acompanhado de perto pelo Fed por excluir os preços de moradia, continua acelerando na comparação anual.

“A inflação de serviços é persistente e disseminada”, destaca a economista.

O núcleo da inflação acumulada em 12 meses avançou de 2,8% para 2,9%, enquanto a média trimestral anualizada permaneceu em 3,2%, mostrando que as pressões subjacentes seguem acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.

Juros devem permanecer elevados

A leitura do CPI reforça um cenário que já vinha sendo desenhado pelo mercado: embora a inflação cheia esteja sendo pressionada pela alta da energia, ainda não há evidências suficientes de uma disseminação generalizada dos aumentos de preços para o restante da economia.

Ao mesmo tempo, a resiliência da inflação de serviços dificulta qualquer discussão sobre retomada dos cortes de juros.

Para o Inter, a combinação de inflação acima da meta há vários anos, expectativas inflacionárias elevadas e um mercado de trabalho que dá sinais de reaceleração deve manter o Fed em posição defensiva.

“Será difícil encontrar justificativa para a retomada dos cortes entre os membros do comitê, que nas últimas semanas têm se tornado mais hawkish”, avalia Valério.

A visão é compartilhada pelo ASA. Segundo a gestora, o impacto da guerra continua concentrado na inflação cheia, enquanto os núcleos seguem relativamente comportados. Ainda assim, a persistência dos serviços mantém os riscos para a política monetária inclinados para cima.

Diante desse cenário, tanto Inter quanto ASA seguem projetando manutenção dos juros americanos nos níveis atuais até o fim do ano, com os próximos passos do Fed dependendo da evolução do mercado de trabalho e de eventuais efeitos secundários da alta da energia sobre a inflação.

Antes da divulgação do dado, a ferramenta FedWatch do CME Group apontava para uma alta nos juros na reunião de outubro. Agora, as apostas para esse ajuste passaram para dezembro com 66,1% das projeções indicando aperto monetário.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
Distribuído por