Inflação da Zona do Euro e mercado de trabalho dos EUA: o que move os mercados

Depois de cinco pregões consecutivos de queda do Ibovespa, os investidores entram nesta terça-feira, 2, de olho em uma agenda que pode mexer com as apostas para juros e inflação nas principais economias do mundo. O destaque do dia fica com a prévia da inflação da Zona do Euro e com o relatório Jolts dos Estados Unidos, um dos indicadores mais observados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central do país) para medir o equilíbrio do mercado de trabalho americano.
O pano de fundo é de maior cautela nos mercados. Na véspera, oIbovespa iniciou junho em queda de 0,91%, aos 172.197 pontos. O movimento refletiu principalmente a pressão de Vale e dos grandes bancos, apesar do avanço das ações da Petrobras, impulsionadas pela disparada do petróleo.
No câmbio, o dólar caiu 0,39%, para R$ 5,023, favorecido pela valorização da commodity, que costuma beneficiar moedas de países exportadores de petróleo.
O que acompanhar no exterior e no Brasil
Entre os principais destaques da agenda internacional está a divulgação da prévia de maio do índice de preços ao consumidor (CPI) da Zona do Euro, às 6h. O indicador será acompanhado de perto pelos investidores em busca de sinais sobre o espaço para cortes de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). No mesmo horário, também será divulgado o núcleo dainflação europeia, que exclui itens mais voláteis.
Nos Estados Unidos, a atenção se volta para o relatório Jolts de vagas em aberto referente a abril, às 11h. O dado é acompanhado de perto pelo Fed por oferecer uma leitura do grau de aquecimento do mercado de trabalho americano. Em março, o número de vagas abertas foi de 6,866 milhões.
Além dos indicadores, dois dirigentes do BC dos EUA estarão no radar. O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, discursa ainda durante a madrugada, enquanto Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, fala às 9h30. As declarações podem ajudar o mercado a calibrar expectativas sobre os próximos passos dos juros americanos.
No período da noite, os investidores acompanharão os índices PMI de serviços e composto do Japão e da China referentes a maio. Os indicadores ajudam a medir o ritmo de atividade das duas maiores economias da Ásia e podem influenciar a percepção sobre a demanda global por commodities e o crescimento econômico da região.
Já no Brasil, o destaque da manhã será a publicação da ata da última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), às 8h. O documento poderá trazer avaliações do Banco Central sobre riscos ao sistema financeiro e condições de estabilidade do mercado.
Também entra no radar a divulgação do IPC-Fipe, o índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo, de maio, às 5h, enquanto o Tesouro realiza, às 11h30, leilão de títulos públicos com oferta de LFTs e NTN-Bs.
Na agenda das autoridades, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista à TV Record às 10h.
A participação ocorre um dia após Durigan comentar os possíveisimpactos da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Segundo o titular da pasta, a medida pode elevar custos de monitoramento e compliance para instituições financeiras erepresentar riscos para instrumentos como o Pix e para bancos brasileiros com operações internacionais.
Petróleo e guerra no Irã segue no centro das atenções
Os investidores também devem continuar acompanhando os movimentos do petróleo após a forte alta registrada na segunda-feira. Os preços reagiram a informações de que oIrã teria abandonado negociações com os Estados Unidos e estaria considerando o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Embora declarações posteriores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenham ajudado a reduzir parte das tensões, os contratos encerraram o dia em forte alta. O Brent para agosto avançou 4,23%, para US$ 94,98 por barril, enquanto o WTI para julho subiu 5,49%, para US$ 92,16.
