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Sacre Investimentos
Economia
30/09/2026
3 min

Inflação dos EUA alivia pressão por altas de juros, mas PIB mais forte mantém Fed em alerta

A inflação americana abaixo do esperado trouxe algum alívio para as perspectivas de juros nos Estados Unidos, mas a revisão para cima do PIB limita o espaço para uma postura mais branda do Federal Reserve. Para economistas da Nomad e da Avenue, os dados divulgados nesta quarta-feira (30) mostram uma economia que continua firme, enquanto […]

Inflação dos EUA alivia pressão por altas de juros, mas PIB mais forte mantém Fed em alerta

A inflaçãoamericana abaixo do esperado trouxe algum alívio para as perspectivas de juros nos Estados Unidos, mas a revisão para cima do PIB limita o espaço para uma postura mais branda do Federal Reserve. Para economistas da Nomad e da Avenue, os dados divulgados nesta quarta-feira (30) mostram uma economia que continua firme, enquanto os preços ainda exigem atenção.

O PCE, indicador de inflação preferido do Fed, avançou 0,3% em agosto, abaixo da expectativa de 0,4%. Em 12 meses, a alta foi de 3,4%, ante projeção de 3,7%, segundo as análises. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês, também abaixo dos 0,3% esperados.

Na atividade, a estimativa de crescimento do PIB do segundo trimestre passou de 1,5% para 2,2% em ritmo anualizado, superando a previsão de manutenção da leitura anterior.

“Os dois dados puxam as apostas de juros em direções opostas”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

Segundo ele, a revisão do PIB reforça o diagnóstico de uma economia forte, sustentada pelo consumo e pelo investimento, e favorece a expectativa de juros mais altos. Já a surpresa positiva da inflação reduz a urgência de novas altas.

O problema é que o PCE permanece acima da meta de 2% do Fed. Na avaliação de Kayo, a combinação de atividade e mercado de trabalho resilientes mantém o combate à inflação como prioridade.

“Enquanto esse quadro se mantiver, uma leitura de inflação melhor na margem tende a pesar menos do que a força da economia na condução da política monetária”, diz.

Inflação mais branda pode aliviar os juros dos títulos americanos

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o PCE abaixo das expectativas ajuda a reduzir a pressão sobre os rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, e sobre as apostas de uma sequência mais intensa de altas de juros.

A leitura também veio acompanhada de revisões favoráveis: a variação mensal do PCE de julho passou de 0,2% para 0,1%, enquanto a taxa anual foi revisada de 3,7% para 3,4%, segundo a Avenue.

Ainda assim, Castro ressalta que um único resultado não basta para mudar a condução da política monetária. O Fed precisa observar uma trajetória mais persistente de melhora dos preços.

Entre os componentes que pressionaram a inflação em agosto, a Avenue destaca a gasolina, com alta de 4,4%, os serviços de transporte, que avançaram 1,4%, e os serviços de energia, com aumento de 2,3%.

“A inflação ainda sustenta a perspectiva de novas altas de juros, mas a surpresa mais moderada do PCE pode indicar que parte da pressão já foi antecipada pelo mercado e incorporada à curva”, afirma o estrategista.

Nesse cenário, ele avalia que a alta recente dos rendimentos dos títulos americanos pode perder intensidade, embora a possibilidade de juros mais elevados continue no radar.

Emprego também reforça resistência da economia

O mercado de trabalho também mostrou força. Segundo a análise da Avenue, o relatório ADP apontou a criação de 90 mil vagas no setor privado, acima das 73 mil esperadas. O resultado anterior, porém, foi revisado de 38 mil para 36 mil postos.

“O resultado reforça a leitura de que o mercado de trabalho americano segue equilibrado e ainda sustenta a criação de empregos em ritmo superior ao previsto”, diz Castro Alves.

Assim, a melhora da inflação reduz a pressão por um aperto mais intenso, mas a resistência da atividade mantém motivos para cautela nas próximas decisões do Fed.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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