Inflação mais fraca nos EUA reduz pressão sobre juros, mas Brasil não deve ser o principal destino, diz especialista

O recuo de 0,4% no índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos em junho, divulgado nesta terça-feira (14), pode influenciar as expectativas para os juros no país. Na avaliação de Thiago Salomão, fundador do Market Makers, a desaceleração da inflação tende a reduzir a pressão para novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Com isso, investidores costumam aumentar a exposição a ativos de maior risco — embora isso não signifique, necessariamente, um fluxo maior para o mercado brasileiro. A análise foi feita em entrevista ao Giro do Mercado desta terça.
A queda foi a maior desde abril de 2020 e veio acima das expectativas do mercado, que projetava recuo de 0,1%, após a alta de 0,5% registrada em maio.
Na visão do especialista, os dados de inflação e a trajetória dos juros nos Estados Unidos devem seguir no radar dos investidores, já que influenciam a alocação global de recursos.
“Foi um baita indicador positivo para quem não queria ver o Banco Central americano subir juros. O Fed está em um ciclo de aperto monetário e, quando os juros americanos sobem, os títulos do país passam a oferecer retornos mais atrativos com baixo risco. É como se os Estados Unidos se transformassem em um ‘aspirador de pó’, atraindo capital do mundo inteiro para seus ativos”, afirmou.
Segundo Salomão, esse movimento tende a reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil, já que muitos investidores preferem aplicar em ativos americanos, considerados mais seguros. Por outro lado, quando a inflação perde força e diminui a necessidade de novas altas de juros, parte desse capital pode voltar a buscar investimentos de maior risco em outros mercados.
Veja a análise completa no Giro do Mercado
O especialista também destacou os resultados robustos da temporada de balanços dos grandes bancos americanos. Segundo ele, os lucros foram impulsionados pelo forte desempenho das mesas de negociação (trading), beneficiadas pela maior volatilidade dos mercados em meio às tensões geopolíticas, além da retomada das grandes ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) nos Estados Unidos.
“A gente vê a diferença do que é uma economia pujante. Os Estados Unidos, mesmo com os juros nos patamares atuais, conseguem fazer os bancos crescerem em lucro. Começa a ficar fácil entender por que o Brasil perde protagonismo entre os investidores, enquanto os mercados lá fora ganham”, afirmou.
Salomão também apontou como um fator importante para os mercados nas próximas semanas o anúncio prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a próxima quinta-feira (17). Na avaliação do especialista, uma eventual confirmação de um acordo entre Washington e Teerã pode reduzir parte das incertezas que hoje pesam sobre os mercados globais.
“Um acordo pode melhorar o cenário, mas isso não significa que o dinheiro venha para o Brasil. Na verdade, esse capital pode continuar indo para os Estados Unidos. O principal efeito seria reduzir o risco que vinha crescendo no mundo todo, ligado à alta do petróleo, à inflação e às tensões geopolíticas”, disse.
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