Inflação no Brasil e nos EUA e disparada do petróleo: o que move os mercados
IPCA de agosto e CPI dos EUA concentram as atenções dos investidores nesta sexta-feira, 11, com os dados indicando a trajetória da inflação nas duas economias

A agenda econômica desta sexta-feira, 11, concentra os principais gatilhos para os mercados em dois indicadores de inflação: o Índice Oficial de Inflação do Brasil (IPCA) e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos.
Os números serão acompanhados de perto pelos investidores em um momento em quea bolsa brasileira voltou aos 188 mil pontos e o dólar recuou, enquanto, no exterior, a disparada do petróleo e a alta dos juros dos Treasuries voltaram a pressionar os mercados.
O que acompanhar
No Brasil, o destaque sai às 9h, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de agosto. Em julho, a inflação subiu 0,07% na comparação mensal e acumulou alta de 4,44% em 12 meses.
Para agosto, o mercado projeta queda de 0,29% no mês e desaceleração da inflação acumulada em 12 meses para 4,27%. O IPCA com ajuste sazonal havia registrado alta de 0,17% em julho.
No mesmo horário, o IBGE divulga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de agosto. Em julho, o indicador teve queda de 0,01% no mês e alta de 4,1% em 12 meses.
O principal evento da agenda internacional acontece às 9h30, com a divulgação do CPI de agosto nos Estados Unidos. Em julho, o índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês e acumulou alta de 3,4% em 12 meses. Para agosto, o mercado projeta aceleração da alta mensal para 0,4%, mas estabilidade da inflação anual em 3,4%.
Mais importante para as expectativas de juros, o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% em julho e acumulou alta de 2,5% em 12 meses. Para agosto, a projeção é de manutenção da alta mensal em 0,2% e desaceleração do núcleo anual para 2,4%.
O dado ganha peso porque os investidores monitoram os sinais de inflação nos Estados Unidos em meio à proximidade da decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) na próxima semana. A pressão sobre os preços também voltou ao centro das atenções com a forte disparada do petróleo no mercado internacional.
Às 11h, a Universidade de Michigan divulga a prévia de setembro da confiança do consumidor e das expectativas de inflação. A confiança ficou em 51,5 pontos na leitura anterior e a projeção é de queda para 50,5 pontos.
As expectativas de inflação estavam em 4% na leitura anterior. O indicador também traz as expectativas para três e cinco anos, que estavam em 3% e 3%, respectivamente.
No mesmo horário, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discursa na União Europeia. Na véspera, o BCE aumentou os juros das suas três principais taxas de juros em 25 pontos-base, com efeito a partir de 16 de setembro. Com a decisão, a taxa de depósito passa para 2,50%, a de refinanciamento para 2,65% e a de empréstimo marginal para 2,90%.
Às 15h, o Departamento do Tesouro americano divulga o balanço orçamentário federal de agosto. Em julho, o governo dos Estados Unidos registrou déficit de US$ 432 bilhões, e a projeção para agosto é de um déficit de US$ 221,1 bilhões.
Mais cedo, às 3h, o Reino Unido divulga uma série de indicadores econômicos de julho. O PIB havia crescido 0,3% em junho na comparação mensal e 1,1% em 12 meses. Também serão conhecidos os números da balança comercial, que registrou déficit de 23 bilhões de libras em junho, e da produção industrial, que caiu 0,5% no mês e 0,2% em 12 meses.
Na Rússia, a decisão de política monetária está prevista para as 7h30. A taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
Eleições seguem no radar
Além da agenda econômica, o mercado brasileiro deve acompanhar a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha para a Presidência da República. O instituto também divulga pesquisas de intenção de voto para governos e Senado em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Pernambuco.
A política doméstica segue no centro da formação dos preços dos ativos. Na quinta-feira, a pesquisa AtlasIntel mostrou empate numérico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, com 46% das intenções de voto para cada um.
O resultado reforçou o chamado trade eleitoral, com investidores avaliando os possíveis impactos de uma disputa mais acirrada sobre a política econômica e fiscal a partir de 2027.
Também termina nesta sexta-feira o prazo dado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que a PGR e o ministro André Mendonça se manifestem sobre o pedido de Alexandre de Moraes para investigar a conduta de Mendonça no caso Master.