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Sacre Investimentos
Economia
28/07/2026
4 min

Inflação perde força em julho e anima mercado; economistas veem cenário mais favorável para a Selic

O IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente o mercado ao subir 0,06%, bem abaixo da mediana das projeções, de 0,21%, segundo o Broadcast. Mais do que o número cheio, os analistas destacam que a composição da prévia da inflação veio melhor do que o esperado, com desaceleração disseminada entre os núcleos, queda do índice de difusão […]

Inflação perde força em julho e anima mercado; economistas veem cenário mais favorável para a Selic

O IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente o mercado ao subir 0,06%, bem abaixo da mediana das projeções, de 0,21%, segundo o Broadcast.

Mais do que o número cheio, os analistas destacam que a composição da prévia da inflação veio melhor do que o esperado, com desaceleração disseminada entre os núcleos, queda do índice de difusão e forte alívio nos preços dos alimentos, reforçando a percepção de que o processo de desinflação ganhou força.

Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, a leitura trouxe uma “melhora qualitativa generalizada e expressiva”. O principal vetor de alívio veio da deflação de 0,66% em Alimentação e Bebidas, puxada pela queda de 1,14% na alimentação no domicílio.

Além disso, Rondinelli avaliou que a média dos cinco núcleos desacelerou de 0,34% para 0,21%, enquanto o índice de difusão caiu de 60,2% para 48,2%, indicando que menos da metade dos itens pesquisados registrou aumento de preços no mês.

Na mesma linha, a SulAmérica Investimentos avalia que as surpresas positivas foram distribuídas de forma ampla. A casa destaca que a queda mais intensa da gasolina conseguiu neutralizar a alta da energia elétrica, enquanto produtos in natura, vestuário, eletroeletrônicos e automóveis também ajudaram a conter a inflação.

Para a instituição, a combinação de um índice cheio mais fraco com a desaceleração dos núcleos reforça uma melhora consistente da dinâmica inflacionária no curto prazo.

A avaliação do ASA vai na mesma direção, segundo o economista Leonardo Costa, “a inflação de curto prazo segue apresentando um comportamento benigno”, favorecida pela queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além de sinais mais claros de desaceleração da inflação de serviços.

Diante da surpresa positiva, a gestora revisou sua projeção para o IPCA de julho de 0,12% para 0,02%, apostando que a inflação oficial poderá vir praticamente estável no mês.

Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora, também atribui o resultado ao esvaziamento dos efeitos do choque de commodities provocado pela guerra no Oriente Médio e destacou que a normalização dos custos de frete e transporte favoreceu a queda dos alimentos e compensou as pressões vindas da energia elétrica e das passagens aéreas.

Positivo, mas ainda é preciso atenção

Apesar do tom amplamente positivo, parte dos economistas recomenda cautela antes de concluir que a inflação está definitivamente controlada.

Na avaliação da Genial Investimentos, embora o resultado reforce um quadro de desinflação, “a boa surpresa não deve ser lida como um alívio completo da inflação”, já que parte importante da queda veio de itens mais voláteis, como passagens aéreas, transporte por aplicativo e pacotes turísticos.

Além disso, Gabriel Pestana, economista-sênior da casa, destaca que componentes relevantes dos serviços continuam pressionados nas métricas dessazonalizadas.

A Mirae Asset também adota uma postura mais conservadora. Para a economista-chefe Marianna Costa, o resultado melhora a percepção sobre a inflação, mas “o fechamento dos vértices intermediários e longos da curva de juros tende a ser mais limitado”.

Segundo ela, a resiliência da inflação de serviços, o mercado de trabalho ainda aquecido e riscos para o segundo semestre, como possíveis impactos do El Niño, exigem prudência por parte do Banco Central.

A própria MAG Investimentos pondera que, apesar do dado benigno, o cenário inflacionário ainda inspira atenção. Rondinelli afirma que o resultado “não altera a visão de cenário inflacionário pressionado”, embora represente uma evolução importante na margem.

E os juros?

O resultado mais positivo do IPCA-15 de julho fortaleceu a expectativa de corte de juros para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece na semana que vem, nos dias 4 e 5 de agosto.

As casas avaliam que o resultado abre espaço para mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, mas há divergências em relação aos próximos passos da política monetária mostrando como o mercado ainda está dividido.

Na curva de juros futuros, esse cenário também se consolidou. Minutos após o IPCA-15, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 5 pontos-base, a 13,845%, ante 13,900% do fechamento anterior. Já por volta de 11h (horário de Brasília), a taxa operava a 13,865%.

Enquanto algumas casas enxergam um ambiente mais favorável para a continuidade do ciclo de cortes, outras defendem que a persistência da inflação de serviços, os riscos climáticos e o cenário externo podem levar o Banco Central a manter uma postura cautelosa após a decisão de agosto.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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