Iniciativa junta BTG, Fireblocks e gigantes de blockchain para novo padrão do sistema financeiro

O projeto Open Transaction Layer (OTL) juntou uma série de empresas envolvidas em blockchain para trazer um padrão para a construção de um novo sistema financeiro baseado em tecnologia descentralizada.
A ideia é estabelecer protocolos compartilhados para identidade, mensageria e coordenação de transações entre instituições financeiras, carteiras não custodiais e agentes automatizados.
Em entrevista à EXAME, Mélodie Lamarque, vice-presidente de identidade e compliance da Fireblocks, empresa fundadora do projeto, disse que a iniciativa traz uma série de diretivas para a construção de aplicações futuramente que integrem sistemas de pagamento e diferentes redes blockchain.
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“Não há produto por enquanto, mas são especificações. É uma arquitetura proposta e vamos lançar aplicações em cima dela para que empresas construam soluções que permitam uma maior comunicação e integração entre ferramentas blockchain”, explica.
Participam da iniciativa o banco brasileiro BTG Pactual, a Fireblocks, e uma série de outras empresas e projetos ligados ao mundo cripto. São eles: B2C2, Consórcio de Pagamentos Blockchain (que engloba as fundações TON, Stellar, Polygon, Monad, Solana, Sui e Mysten Labs), Checkout.com, Coins.ph, Cross River Bank, eToro, FalconX, MetaMask, MoonPay, Orbital, Privy + Bridge, Robinhood, Securitize, SoFi, Taptap Send, Tazapay, Triple-A, WalletConnect, Wintermute, Xendit, Zengo, Zerocap e zerohash.
Construção do novo sistema financeiro
De acordo com Mélodie, essas organizações decidiram participar da OTL por sofrerem atualmente com a dificuldade de conseguir colocar diferentes protocolos e soluções blockchain para conversarem.
Ao trabalhar com tokenização de ativos, por exemplo, muitas vezes uma debênture registrada em blockchain pode ficar presa no ecossistema da empresa que emitiu os tokens, pois é tecnologicamente desafiador passar para a infraestrutura de outra companhia. Isso dificulta a distribuição deste tipo de ativo para o grande público.
Com os novos padrões, os envolvidos esperam facilitar a migração da infraestrutura tecnológica dos sistemas legado das instituições financeiras para a blockchain. A OTL tem quatro camadas técnicas: identidade, sessão, transporte e mensageria; e uma quinta camada de aplicações para que os padrões possam ficar operacionais.
Base interoperável única
Em nota, a iniciativa OTL afirma que o principal obstáculo para adoção em larga escala da tecnologia onchain como trilho para as transações financeiras não é mais tecnológico, e sim de ausência de uma camada padronizada de coordenação. Com a construção desses padrões seria possível definir como as contrapartes se identificam, estabelecem requisitos de conformidade regulatória e liquidam transações.
“Atualmente, cada instituição que opera transações onchain precisa desenvolver essa camada de forma independente. Cada nova contraparte, jurisdição ou caso de uso exige integrações bilaterais adicionais, adaptações específicas de compliance ou enfrenta barreiras operacionais, como a interação regulatória com carteiras não custodiais e agentes de inteligência artificial”, aponta a OTL.
No novo padrão, haverá uma base interoperável única. “Instituições reguladas ainda precisam desenvolver conexões sob medida para coordenar suas operações com ativos digitais de ponta a ponta. O resultado é uma proliferação de integrações e sistemas paralelos que não se comunicam adequadamente”, afirmou Idan Ofrat, cofundador e CPO da Fireblocks.
