Inter (INBR32) chega a tombar, mas recupera fôlego; quem tiver ‘estomago’ pode ver ação saltar 70%, vê Genial
O resultado do Inter (INBR32) não foi suficiente para despertar ‘suspiros’ entre os analistas, mas tampouco foi uma catástrofe. Prova disso é a reação das BDRs na bolsa. No início do pregão, o papel chegou a despencar 8%, mas recuperou o fôlego e agora opera próximo da estabilidade, com queda de 0,54%, a R$ 29,31. […]

O resultado do Inter(INBR32) não foi suficiente para despertar ‘suspiros’ entre os analistas, mas tampouco foi uma catástrofe. Prova disso é a reação das BDRs na bolsa.
No início do pregão, o papel chegou a despencar 8%, mas recuperou o fôlego e agora opera próximo da estabilidade, com queda de 0,54%, a R$ 29,31.
Na noite da última quinta-feira (6), o banco reportou lucro de R$ 421 milhões, alta de 34% na comparação anual e acima das expectativas. A receita líquida atingiu R$ 2,6 bilhões, um salto de 32%, sustentada por mais um trimestre de forte crescimento da margem financeira, que alcançou R$ 2 bilhões.
O desempenho foi impulsionado pela expansão contínua da carteira de crédito, por um mix de empréstimos mais rentável e pelo NIM (Margem de Juros Líquida), que ultrapassou a marca de dois dígitos pela primeira vez, atingindo 10,1%.
O Safraclassificou os números como um bom desempenho, com lucro 4% acima do esperado e lucro antes de provisões 1% superior às estimativas.
Os analistas afirmam ainda que a receita proveniente de títulos, derivativos e da linha de câmbio foi beneficiada pela contabilização do hedge dos empréstimos imobiliários (R$ 175 milhões no trimestre), fator que havia prejudicado os resultados do primeiro trimestre e agora passou a contribuir positivamente.
Inadimplência ainda é um problema
Uma das pedras no sapato do Inter, no entanto, continua sendo a inadimplência, que voltou a preocupar no segundo trimestre, após já ter avançado no primeiro e provocado uma forte perda de valor das ações na bolsa.
Neste trimestre, os analistas daXP destacam que os indicadores de qualidade dos ativos voltaram a se deteriorar, com aumento da inadimplência (NPLs, sigla em inglês para empréstimos inadimplentes), do custo de risco e da formação de operações em estágio 3, consideradas mais arriscadas, enquanto o índice de cobertura continuou recuando.
“Embora nenhum desses indicadores pareça alarmante de forma isolada, acreditamos que os investidores continuarão atentos para verificar se as tendências de crédito se estabilizarão nos próximos trimestres”, destaca a XP.
Em relatório, o Safra também ressalta que o menor apetite por crédito não foi suficiente para conter a inadimplência. A carteira de consignado privado, por exemplo, adicionou apenas R$ 300 milhões no trimestre, ante os habituais R$ 600 milhões.
Mesmo assim, os indicadores de inadimplência de curto e longo prazo continuaram piorando. O índice de NPL entre 15 e 90 dias subiu 20 pontos-base no trimestre, apesar da sazonalidade favorável (queda de 20 pontos-base no 2T25 em relação ao 1T25).
Além disso, a cobertura sobre o saldo de Estágio 3 caiu para cerca de 130% — ante níveis próximos desse percentual há dois anos —, enquanto o custo de risco aumentou 33 pontos-base no trimestre.
A Genialsegue a mesma linha ao afirmar que, embora a alta do NPL tenha sido parcialmente distorcida pela revisão da política de write-off do cartão de crédito, o custo de risco continua aumentando.
“O crescimento acelerado do consignado privado e a redução gradual dos índices de cobertura indicam que o banco entra em uma fase mais sensível do ciclo de crédito, tornando a execução da originação ainda mais importante nos próximos trimestres.”
A expectativa de continuidade da alta do custo de risco, somada ao desempenho mais fraco das receitas com tarifas, levou oBradesco BBIa cortar em 12% suas estimativas de lucro para 2027, agora em R$ 2 bilhões.
Quem tiver estômago…
Com tombo de quase 40% no ano — grande parte dessa queda após os resultados do primeiro trimestre —, o Safra avalia que o preço da ação já parece precificar o pior cenário.
“É justo dizer que o lucro por ação e o lucro bruto vieram um pouco melhores que o esperado. Assim, esperamos uma reação amplamente neutra ou até levemente positiva. Recomendação neutra reiterada.”
Já a Genial afirma que os números reforçam que o banco continua executando sua estratégia de crescimento com disciplina.
A corretora lembra que a expansão da carteira permanece muito acima da média do sistema, a monetização da base de clientes continua evoluindo e a eficiência operacional atingiu um novo recorde, sustentando uma trajetória consistente de expansão do ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).
Para a Genial, o Inter negocia a um preço bastante atrativo.
Os analistas lembram que o banco já alcançou a neutralidade de capital, ampliando sua capacidade de financiar o crescimento com geração própria de resultados, enquanto negocia a 7,3 vezes o lucro projetado para 2026, 5,3 vezes o lucro estimado para 2027 e apenas 1,1 vez o valor patrimonial projetado para 2026.
“Acreditamos que o mercado ainda subestima o potencial de expansão da rentabilidade ao longo dos próximos anos, mesmo considerando uma convergência gradual para as metas do plano 60-30-30 (60 milhões de clientes, 30% de índice de eficiência e 30% de ROE).”
A Genial mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 50, equivalente a um potencial de valorização de 69,7%.
Enquanto isso, o Bradesco BBI afirma que, embora o lucro de curto prazo tenha surpreendido positivamente, a piora na qualidade dos ativos e nas receitas com tarifas exige cautela em relação à expansão da rentabilidade futura.
“Ainda assim, mantemos a recomendação de compra para INBR32, sustentada por um valuation que consideramos pouco exigente nos níveis atuais.”
O BBI reduziu o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 42 para R$ 38, o que ainda representa um potencial de valorização de cerca de 30%.
