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Sacre Investimentos
Empresas
20/10/2026
4 min

Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%

Inter paga R$ 409,5 milhões por fatia da Inter Seguros, negócio rentável que a Wiz vendeu por múltiplo considerado baixo pelo mercado

Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%

Em uma negociação de compra e venda, é previsível que ambas as partes saiam satisfeitas com o negócio. Mas, no caso da venda da participação da Wiz (WIZC3) na Inter Seguros para o próprio Inter, a conta ficou salgada para os investidores da corretora. Por volta das 15h51, as ações da Wiz despencavam 23%, cotadas a R$ 6,97, enquanto os papéis do Inter (INTR) saltavam 6,01%.

O Inter desembolsou R$ 409,5 milhões para adquirir 39,75% da participação da Wiz na Inter Seguros, negócio que divide opiniões entre analistas.

A parceria entre Wiz e Inter começou em 2019, quando a companhia de seguros combinou sua expertise no setor com a plataforma digital do banco. Desde então, a operação se mostrou altamente rentável. Segundo cálculos do JP Morgan, a taxa composta de crescimento anual (CAGR) da Inter Seguros se mantém em 30% desde 2020.

Foi justamente o desempenho da operação que levantou questionamentos sobre o preço da venda. Para parte do mercado, a Wiz abriu mão de um ativo valioso por um múltiplo abaixo do que seu potencial justificaria.

Na avaliação de Leonardo Piovesan, analista da Quantzed, a Inter Seguros era, de longe, o melhor negócio dentro da companhia.

"É uma operação extremamente rentável, com uma margem bem elevada e com venda 100% digital. Então, tem um custo de aquisição de clientes baixo", afirma.

Além das margens elevadas e da distribuição digital, a operação se beneficia diretamente da expansão do Banco Inter, que oferece uma base de clientes e um canal de distribuição próprios para impulsionar a venda de seguros.

Outro fator que pesa na avaliação é a duração do contrato entre as empresas, válido até 2069. Na prática, trata-se de uma operação com um horizonte contratual de longo prazo, que oferece maior previsibilidade para a geração de receitas.

"É um negócio que poderia muito bem ser avaliado a P/L (preço sobre lucro) de 15 ou P/L 20 pelo mercado, dada essa rentabilidade e esse potencial de crescimento. Foi vendido a P/L 9", diz Piovesan.

Na visão do analista, a transação também acontece em um contexto que pode favorecer ativos de crescimento, diante da perspectiva de queda dos juros. Esse cenário ganha relevância, segundo ele, com a possibilidade de vitória do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nas eleições.

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Para o Inter, compra faz sentido estratégico

Se a Wiz pode ter deixado dinheiro na mesa com a venda, a avaliação sobre o negócio é diferente para o Inter. Para Danielle Lopes, analista da Suno Research, o preço pago é razoável e representa uma aquisição a um múltiplo atrativo para o banco.

"Eu esperava um múltiplo mais alto para esse tipo de empresa. A compra reforça um movimento que o Inter já vem fazendo, de recomprar participações minoritárias em suas verticais", afirma.

A estratégia é ampliar o controle sobre negócios que podem crescer apoiados na estrutura já existente do banco. Com uma base robusta de clientes, aplicativo próprio e canais diretos de distribuição, o Inter tem condições de expandir a oferta de produtos sem precisar construir uma operação comercial do zero.

Ao internalizar a Inter Seguros, o banco passa a reter uma parcela maior dos resultados de uma operação de alta rentabilidade. Também ganha mais autonomia para definir os produtos oferecidos, selecionar parceiros e estabelecer prioridades comerciais.

"Vender mais seguros aos clientes, com uma operação mais internalizada, ainda que pequena, abre outra frente de crescimento, que consome menos capital, embora exija um desembolso maior no momento da compra", diz Lopes.

A aquisição também pode produzir efeitos sobre o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) do banco. Isso porque a redução contábil do patrimônio líquido associada à operação pode elevar o indicador, mesmo sem que haja, necessariamente, um ganho equivalente de eficiência operacional.

AutorRenan Dantas
FonteSeu Dinheiro
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