Inter lança fundo para investir em ETFs — enquanto não tem um para chamar de seu
Gestora do banco transforma antigo FoF de ações em carteira de ETFs e avalia lançar fundo de índice próprio

A Inter Asset, gestora do Inter com mais de R$ 22 bilhões sob gestão, acaba de lançar um fundo de fundos (FoF) de renda variável que investe exclusivamente em ETFs. A gestora escolhe quais fundos de índice comprar, quando rebalancear a carteira e como protegê-la em diferentes cenários de mercado. A casa vai montar a carteira com ETFs de outras gestoras porque, hoje, não tem nenhum fundo de índice próprio. Por enquanto.
"Estamos discutindo um ETF próprio da casa, sim. Tem alguma definição em relação a isso? Ainda não", disse Daniel Castro, CEO da Inter Asset. "Estamos vendo o que faz sentido, ter um ETF próprio ou operar através de instrumentos de terceiros."
Se a casa decidir seguir com o produto, o ETF não deve ser mais um replicador do Ibovespa. "Se a gente montar um ETF, não queremos que seja mais um para competir no preço mais barato. A questão é qual inteligência a gente agrega para aquele investidor", afirmou Marcelo Mattos, CIO da Inter Asset.
Como funciona
O Inter Evolution ETF Ações aceita aplicações a partir de R$ 100 e está disponível, por ora, apenas para clientes do Inter. Cobra taxa de administração de 1% ao ano e taxa de performance de 20% sobre o que exceder o Ibovespa, seu índice de referência. A aplicação é feita no mesmo dia (D+0). Em caso de venda, o valor das cotas vendidas é calculado no dia útil seguinte ao pedido (D+1) e o pagamento em D+2 dias úteis.
A carteira pode combinar ETFs amplos de mercado, com exposição local e global, posições temáticas e setoriais, apostas táticas e estruturas de proteção. O regulamento permite até 20% em exposição global, mas hoje o fundo não tem ações internacionais. Na seleção dos ETFs, a gestora diz considerar custos, liquidez, qualidade da exposição e fundamentos.
O Evolution não parte do zero. É o antigo FoF de ações da casa, que alocava em fundos de gestores terceiros e foi rebatizado com a nova estratégia. Com a mudança, o prazo de resgate, que era de 30 dias, ficou bem mais curto.
Dentro do fundo, as trocas de ETFs no portfólio ficam a cargo do gestor, e a tributação para o cotista ocorre no resgate. No Brasil, a gestão ativa de ETF não é regulamentada e o índice somente replica benchmarks como o Ibovespa. Isso muda uma vez que cotas de diferentes ETFs estão dentro de um fundo de investimento.
Para Mattos, o avanço dos ETFs pressiona os gestores tradicionais. "Em alguns segmentos, é muito difícil gerar alfa [retorno]. Por que eu vou pagar uma taxa de administração para um gestor que não está agregando àquele portfólio, se eu tenho toda essa ferramenta do ETF?", reflete.
