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Sacre Investimentos
Economia
25/09/2026
3 min

Inter vê Selic a 13,25% no fim do ano, mas pondera que eleição pode mudar rumo dos juros em 2027

O Inter espera que o Banco Central reduza a Selic mais duas vezes até dezembro, levando a taxa dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano. A desaceleração da inflação e a perda de força da economia sustentam a projeção. Para 2027, porém, o banco condiciona a continuidade dos cortes aos rumos da política fiscal após […]

Inter vê Selic a 13,25% no fim do ano, mas pondera que eleição pode mudar rumo dos juros em 2027

O Interespera que o Banco Central reduza a Selicmais duas vezes até dezembro, levando a taxa dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano. A desaceleração da inflação e a perda de força da economia sustentam a projeção. Para 2027, porém, o banco condiciona a continuidade dos cortes aos rumos da política fiscal após a eleição presidencial.

“A inflação segue desacelerando, com a atividade perdendo força, mas o risco da nova alta do petróleo e o comportamento do câmbio e expectativas de inflação pós-eleições serão fundamentais para as decisões de juros no início de 2027”, afirmam a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, e o gerente de pesquisa macroeconômica, André Valério.

No cenário do banco, há espaço para uma redução de pelo menos 2 pontos percentuais na Selic ao longo de 2027. A projeção considera uma economia ainda fraca e uma expansão fiscal menor. Se o próximo governo anunciar mais gastos ou revisar as metas fiscais, contudo, a alta do dólar e das expectativas de inflação poderá levar o BC a interromper o ciclo antes do previsto.

“O câmbio e as expectativas de inflação serão os principais indicadores para monitorar”, dizem os economistas. Segundo eles, um ajuste fiscal considerado mais realista poderia favorecer o real e abrir espaço para cortes adicionais.

PIB mais fraco, petróleo mais caro

O Inter projeta crescimento de 1,7% para o PIB em 2026 e de 1,5% em 2027. Para o segundo semestre deste ano, espera estabilidade da atividade tanto no terceiro quanto no quarto trimestre. Juros elevados por um período prolongado e menor impulso dos gastos públicos explicam a perspectiva de desaceleração.

O petróleo é um risco para esse cenário. Com o barril próximo de US$ 100, o banco vê pressão sobre combustíveis e commodities agrícolas. A economia mais fraca, por outro lado, tende a limitar a transmissão desses aumentos para os demais preços.

Na avaliação do Inter, as despesas federais devem crescer 6,1% acima da inflação em 2026, enquanto o déficit primário deve ficar próximo de R$ 80 bilhões, ou 0,6% do PIB, apesar da arrecadação recorde. Para os economistas, uma melhora duradoura das contas públicas dependerá de regras que contenham o crescimento dos gastos.

Fed deve seguir na direção oposta

Enquanto prevê cortes no Brasil, o Inter espera mais duas altas de juros nos Estados Unidos até o fim de 2026. O Federal Reserve elevou a taxa em 0,25 ponto percentual em setembro, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

A projeção do banco é mais agressiva que a sinalização dos dirigentes do Fed, que apontaram apenas mais uma alta neste ano. Para o Inter, a resistência da inflação americana, a força da economia e a pressão do petróleo sobre os combustíveis podem exigir juros ainda maiores.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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