Investidores japoneses fazem maior venda de ações estrangeiras em cinco anos

Os investidores japoneses reduziram de forma mais intensa a exposição a ações estrangeiras em maio, em um movimento de aversão a risco que marcou o maior fluxo de saída em cerca de cinco anos.
A decisão veio em meio ao aumento dos conflitos no Oriente Médio e à leitura de que a forte valorização recente das bolsas globais, especialmente no setor de tecnologia, pode ter avançado além do justificável, segundo a Reuters.
No mês, o saldo de vendas de ações estrangeiras por investidores do Japão chegou a 2,72 trilhões de ienes, o equivalente a US$ 16,98 bilhões. Trata-se da maior retirada líquida desde abril de 2021, segundo dados divulgados pelo Ministério das Finanças do Japão.
O movimento reforça a mudança de postura após um período de forte apetite por ativos internacionais. O MSCI World chegou a renovar máximas recentes, mas passou a perder fôlego ao longo do mês.
O índice acumula queda de cerca de 2,9%, com investidores reagindo a um relatório de empregos mais forte nos Estados Unidos, que reacendeu expectativas de juros elevados por mais tempo e desencadeou uma correção em ações ligadas à inteligência artificial (IA).
Enquanto reduziram posição em ações, investidores japoneses aumentaram a exposição a renda fixa no exterior. No mês, as compras líquidas de títulos de dívida estrangeira somaram 2,9 trilhões de ienes, o maior volume desde maio do ano passado, indicando uma migração parcial para ativos considerados mais defensivos.
Os dados mostram ainda que o movimento não foi homogêneo entre os agentes locais. As contas fiduciárias foram as principais responsáveis pela saída, com vendas líquidas de 3,38 trilhões de ienes em ações estrangeiras, ao mesmo tempo em que direcionaram 3,16 trilhões de ienes para títulos internacionais.
Já empresas de gestão de recursos e seguradoras de vida ampliaram posições em ações externas, com compras líquidas de 614,6 bilhões de ienes e 77,5 bilhões de ienes, respectivamente.
Em um recorte mais amplo, dados do Banco do Japão indicam que, nos primeiros quatro meses do ano, investidores do país ainda mantinham apetite por mercados desenvolvidos. No período, foram comprados 1,91 trilhão de ienes em ações dos Estados Unidos e 826,4 bilhões de ienes em ações europeias.
Reino Unido e Espanha também apareceram no radar, com aquisições de 285,5 bilhões de ienes e 80,1 bilhões de ienes, respectivamente.
