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Sacre Investimentos
Mundo
05/09/2026
4 min

Investigado por lavagem, bilionário vira peça-chave dos EUA para conseguir o petróleo da Venezuela

Empresa de Alejandro Betancourt entra em acordo que dá ao Pentágono participação de 35% e acesso preferencial ao petróleo venezuelano

Investigado por lavagem, bilionário vira peça-chave dos EUA para conseguir o petróleo da Venezuela

O bilionário venezuelano Alejandro Betancourt, que até recentemente era alvo de investigações por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, tornou-se um dos principais parceiros de Washington em um novo acordo de petróleo com a Venezuela.

A empresa de Betancourt, a North American Blue Energy Partners (NABEP), integra um acordo que garante aos Estados Unidos acesso a parte das reservas e da produção de petróleo venezuelanas. Antes disso, o empresário também colaborou com autoridades americanas na estratégia que antecedeu a captura de Nicolás Maduro.

Como funciona o acordo de petróleo entre EUA e Venezuela

Pelo acordo anunciado na semana passada, os Estados Unidos terão acesso, por décadas, a cerca de um quinto das reservas de petróleo da Venezuela.

O Escritório de Capital Estratégico do Pentágono terá 35% de participação na NABEP, que já produz petróleo no país. O Departamento de Estado também poderá comprar 20% da produção da empresa a preço de custo e terá acesso preferencial aos 80% restantes.

Betancourt ajudou os EUA antes da captura de Maduro

Segundo pessoas familiarizadas com a política americana para a Venezuela, Betancourt teve papel relevante na estratégia dos Estados Unidos antes da operação de 3 de janeiro que retirou Nicolás Maduro do poder e o levou a Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas, que ele nega.

Nos meses anteriores, o empresário forneceu informações que ajudaram na aplicação do bloqueio naval americano contra navios-tanque sancionados que operavam na Venezuela. A operação levou à apreensão ou interceptação de mais de uma dúzia de embarcações.

Betancourt também facilitou contatos com autoridades venezuelanas, incluindo Delcy Rodríguez, que assumiu a Presidência interina após a captura de Maduro.

Acordo intermediado em janeiro já movimentou 135 milhões de barris

Em janeiro, Betancourt ajudou a intermediar um acordo comercial que já resultou na exportação de mais de 135 milhões de barris de petróleo e combustíveis para Estados Unidos, Europa, Índia e Caribe.

O volume representa cerca de metade das exportações venezuelanas de petróleo até o fim de agosto. A Reuters não conseguiu determinar o papel exato do empresário nas negociações.

Investigações por lavagem de dinheiro

Betancourt foi investigado nos Estados Unidos, Espanha e Suíça, mas nunca foi formalmente acusado.

No início de 2026, procuradores federais da Flórida suspenderam uma investigação relacionada a um suposto esquema que teria desviado mais de US$ 1 bilhão da estatal PDVSA e lavado os recursos por meio de imóveis em Miami e contas bancárias em Malta e na Suíça.

Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que procuradores foram posteriormente desencorajados por superiores a continuar a investigação. A reportagem não conseguiu determinar quando o caso foi suspenso nem se a decisão teve relação com a cooperação de Betancourt com o governo Trump.

Suíça mantém processo contra Betancourt

A Suíça retirou em maio um pedido de extradição do empresário a partir do Reino Unido, mas a Promotoria de Zurique informou que o processo criminal continua em andamento.

Segundo o órgão, a retirada ocorreu por questões específicas da legislação britânica de extradição e não encerrou a investigação.

Quem é Alejandro Betancourt?

Betancourt integra o grupo conhecido como “Bolichicos”, formado por uma geração de empresários que acumulou fortunas durante o governo de Hugo Chávez.

Sua empresa Derwick Associates recebeu cerca de US$ 2 bilhões em contratos públicos para construir usinas durante a crise elétrica venezuelana na década de 2010, algumas delas sem licitação.

Dados governamentais mostraram posteriormente que várias instalações operavam abaixo da capacidade prevista ou não funcionavam. Betancourt e a Derwick negaram irregularidades e atribuíram os problemas posteriores à má gestão estatal.

Em 2012, o empresário firmou uma parceria com a PDVSA para operar campos maduros de petróleo no oeste da Venezuela. Esses ativos se tornaram depois a base da produção da NABEP, fundada por Betancourt e pelo bilionário Harry Sargeant em abril de 2024.

Influência de Betancourt gera preocupação nos EUA

Ex-integrantes da inteligência americana, procuradores e diplomatas manifestaram preocupação com a influência do empresário sobre a política dos Estados Unidos para a Venezuela.

As críticas envolvem as investigações anteriores, o processo em andamento na Suíça e a proximidade de Betancourt com autoridades dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Um funcionário americano afirmou à Reuters, porém, que a maior parte dos problemas legais envolvendo Betancourt tem quase uma década e que ele atualmente não enfrenta problemas judiciais nos Estados Unidos.

Segundo o representante, a experiência da NABEP na produção de petróleo venezuelano tornou a empresa a parceira mais adequada para ajudar a elevar a produção no país.

AutorAna Dayse
FonteExame
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