Investimento anjo no Brasil chega a R$ 919 milhões e cresce 4,2%

Os investimentos anjo no Brasil chegaram a R$ 919 milhões em 2025, um crescimento de 4,2% em relação ao ano anterior. É o que aponta a pesquisa “A Evolução do Investimento Anjo no Brasil”, realizada pela Anjos do Brasil, organização de referência no setor.
No total, os recursos foram aportados por pouco mais de 8 mil investidores, o que representa uma queda de 1% em relação a 2024. O valor médio investido por participante alcançou R$ 114 mil.
Para 2026, a expectativa é de expansão. O estudo mostra que os investidores pretendem aportar, em média, 10% mais recursos do que no ano anterior.
“Os dados mostram uma perspectiva de retomada do investimento anjo. Entretanto, devido à manutenção das taxas de juros em patamares muito elevados, faltam estímulos para ampliar a base de investidores, como ocorre em diversos países, mas ainda não foi aprovado no Brasil”, afirma Cassio Spina, presidente da Anjos do Brasil.
Dominância do B2B
O modelo Business-to-Business (B2B) consolidou-se como a principal tese de investimento no ecossistema brasileiro de startups. Segundo a pesquisa da Anjos do Brasil, com ano-base 2025, 91,2% dos investidores demonstraram preferência por empresas que vendem produtos ou serviços para outras empresas.
Na sequência aparecem os modelos B2C, com 61,9% das respostas, B2B2C, com 59,9%, e marketplace, com 30,6%. Os modelos O2O e B2G registraram, respectivamente, 21,1% e 16,3%.
Entre as áreas de maior interesse, destacam-se Inteligência Artificial (54,4%), AgTech (53,7%), Deep Tech (46,9%), Health Tech (46,9%), SaaS (42,2%) e FinTech (40,8%).
Diversidade
Além das preferências de investimento, o levantamento também analisou aspectos relacionados à diversidade no ecossistema de startups.
Embora as mulheres representem apenas 21% do total de investidores anjo, startups fundadas por mulheres apresentam desempenho 63% superior ao de equipes formadas exclusivamente por homens. Além disso, negócios liderados por mulheres geram retorno sobre o investimento 35% maior.
Investimento anjo gera retorno para a economia
Um dos dados do relatório, elaborado em parceria com a Grant Thornton, contesta a percepção de que incentivos ao setor de startups representam perda de arrecadação.
Segundo o estudo, o investimento anjo gera um efeito multiplicador de R$ 5,84 na economia. Na prática, cada R$ 1 investido retorna R$ 5,84 para a sociedade, por meio da geração de empregos, arrecadação de impostos e contribuições e contratação de serviços de terceiros.
A pesquisa aponta ainda que políticas de incentivo, como a isenção de imposto sobre ganho de capital para investidores em inovação, tendem a ampliar a arrecadação tributária no longo prazo. De acordo com o levantamento, o crescimento acelerado das empresas apoiadas por esses recursos contribui para a criação de empregos e para a expansão da base de arrecadação do governo.
Embora os números sejam positivos, a pesquisa destaca uma defasagem em relação aos padrões internacionais. Ao comparar a participação do investimento anjo no PIB brasileiro com a dos Estados Unidos, o estudo estima que o Brasil deveria movimentar cerca de R$ 7,5 bilhões por ano para alcançar um patamar equivalente — aproximadamente nove vezes o volume investido atualmente.
