Investimento sustentável com R$ 10: BTG lança primeiro ETF que investe no desenvolvimento da Amazônia
O fundo de índice investe em debêntures, títulos públicos e ativos sustentáveis ligados ao financiamento de projetos na Amazônia

A indústria de fundos de índice, chamados de Exchange Traded Funds (ETFs), tem vivido um boom no Brasil nos últimos anos. Trata-se de um produto que possibilita, de forma acessível e prática, a alocação tanto em classes tradicionais do mercado quanto em iniciativas temáticas.
É o caso de um ETF da BTG Asset que estreia na bolsa nesta quarta-feira (12), o AMAB11, voltado ao financiamento sustentável da Amazônia, com cotas de R$ 10.
O ETF, que segue o índice Teva Amazônia Index, investe majoritariamente em debêntures de 20 empresas economicamente relacionadas à região amazônica – cerca de 85% da carteira.
Uma parcela de 10% é alocada em títulos públicos. E, em um percentual menor, com peso de 5% do portfólio, estão dois Amazon Bonds, títulos de dívida sustentáveis.
O objetivo desse fundo de índice, segundo a gestora do BTG, é viabilizar o acesso do investidor comum ao investimento de impacto na Amazônia Legal, região que engloba nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
O ETF foi criado com apoio do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID), que concedeu a licença da iniciativa Amazônia Para Todos ao produto, o pioneiro a receber essa certificação.
A ideia é captar recursos para projetos capazes de gerar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.
“Ao alinhar-se com as diretrizes do Grupo, esse ETF combina potencial de retorno e impacto, em uma solução acessível, transparente e eficiente do ponto de vista tributário, permitindo o acesso de investidores locais e globais a uma nova”, afirma Rubens Henriques, CEO da BTG Asset.
Como funciona esse ETF
Os ETFs ativos são fundos que replicam diferentes indicadores de mercado e têm crescido aceleradamente no país — em julho, a B3 anunciou o marco de mais de 200 fundos de índice listados.
Uma das gestoras que vêm focando nessa indústria é a do BTG Pactual. De acordo com Tiago Lima, sócio e head de distribuição da asset, em dezembro de 2024, a instituição financeira tinha R$ 1 bilhão sob gestão em ETFs. Já em junho deste ano, a cifra saltou para R$ 20 bilhões.
O AMAB11 chega nesta quarta à B3 com cotas de R$ 10, como parte do objetivo de ser um produto acessível para qualquer investidor interessado em financiar projetos na região amazônica e capturar lucros ligados a premissas de ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês).
Além da cota com valor reduzido, o ETF possui outras características comuns dos fundos de índice, como ausência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e come-cotas, a cobrança de Imposto de Renda (IR) semestral feita nos fundos de investimento tradicionais.
A carteira do fundo de índice será rebalanceada trimestralmente. De acordo com a gestora, o objetivo é que, à medida que novos Amazon Bonds forem emitidos no mercado, esse tipo de título tenha um peso maior dentro do ETF.
As 20 debêntures presentes na carteira, que são títulos de renda fixa com empréstimo para empresas privadas realizarem projetos, têm exposição a setores variados: energia, saneamento, telecomunicações, saúde e educação.
Por normalmente serem um investimento de longo prazo, as debêntures que fazem parte do portfólio do ETF geram um benefício tributário à carteira. O fundo de índice é enquadrado na menor alíquota de IR aplicável aos ETFs de renda fixa, de 15% sobre os ganhos de capital somente na venda da cota.
Cabe destacar que o ativo é negociado com taxa de administração de 0,40% e, ao vender a cota, o dinheiro cai na conta D+1 — ou seja, leva um dia útil.
Participação do BID
A gestora do BTG destaca que o AMAB11 é o primeiro ETF do mercado a receber o selo Amazônia Para Todos, programa criado pelo Grupo BID para ampliar o acesso a investimentos na Amazônia.
Desde 2024, outras instituições financeiras, como Banco do Brasil, Caixa e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) falam sobre a criação de produtos financeiros ligados à região amazônica. Porém, nada saiu do papel por enquanto.
Ao final do ano passado, o Grupo BID chegou a comentar, durante a COP 30, realizada no Pará, sobre a criação de um fundo de índice voltado ao programa, que se concretizou com o lançamento da BTG Asset.
Crescimento da indústria
Para o presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn, o ETF AMAB11 é um primeiro passo para incentivar investidores comuns a alocarem os recursos na região amazônica.
Além disso, ele acredita que o lançamento pode inspirar outras instituições financeiras a emitirem produtos voltados ao desenvolvimento sustentável.
Pensando na indústria de ETFs como um todo, Lima, do BTG, acredita que é um mercado com bastante potencial de crescimento.
“Os ETFs ainda representam cerca de 1% da indústria de fundos no Brasil. Comparando com mercado norte-americano, onde esses ativos são quase 50% dos fundos, existe um espaço enorme para avançar por aqui”, defende.
