Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Bolsa e dólarACS
23/07/2026
5 min

IPCA+ 8% é pouco: gestores revelam qual outro investimento pode render IPCA+ 14% e quase ninguém está percebendo

IPCA+ 8% é pouco: gestores revelam qual outro investimento pode render IPCA+ 14% e quase ninguém está percebendo

Muitos investidores estão com os olhos brilhando para os títulos públicos oferecendo juros reais entre 7% e 8% acima da inflação — e seria natural imaginar que esse é o melhor negócio disponível no mercado brasileiro. Mas, para alguns dos principais gestores de ações do país, essa remuneração já não é suficiente para justificar o investimento.

Na visão de Octávio Magalhães, fundador e diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, esses títulos podem ser muito mais arriscados do que parecem, dado que o governo não passa muita credibilidade do lado fiscal. Para ele, as melhores oportunidades hoje estão na bolsa, com muitas ações boas sendo negociadas a valuations bastante deprimidos.

"Na bolsa, com os ativos amassados, você consegue encontrar empresas líderes de mercado negociando a IPCA+ 14%. Prefiro isso do que emprestar dinheiro para o governo a IPCA+ 8%", disse Magalhães durante a Expert 2026, nesta quinta-feira (23).

Para ele, empresas de boa qualidade e desalavancadas são as vencedoras no longo prazo, já que o ambiente macro restritivo tende a eliminar a concorrência de players menores que "foram ficando pelo caminho".

O painel também contou com a presença de André Lion, CIO e gestor da estratégia de ações da Ibiuna Investimentos, e João Braga, sócio-fundador e principal gestor da Encore Asset Management. A conversa foi mediada por Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head de Research da XP Investimentos.

Ferreira explica que a bolsa é precificada pelo preço das ações, enquanto a renda fixa é comparada pela taxa de retorno. Por isso, quando o mercado entra em turbulência e as cotações caem, muitos investidores se assustam com o preço e deixam de avaliar o valor e a qualidade das empresas. A avaliação é que se a bolsa negociasse em yields, como é o caso dos títulos do Tesouro, a situação seria bem diferente.

O cenário para a bolsa em 2026

Para os gestores, o pessimismo com a bolsa parece exagerado, mesmo considerando um cenário de guerra no Oriente Médio e juros elevados aqui e no mundo, além de uma eleição presidencial se aproximando.

Na avaliação deles, boa parte das más notícias já foi incorporada aos preços das ações, enquanto a percepção de risco em relação ao cenário externo começou a diminuir nas últimas semanas.

"O mundo percebeu que o risco de petróleo a US$ 150 a US$ 200 ainda existe, mas é bem menor e deixou de ser o cenário-base para os agentes econômicos, reduzindo a pressão sobre as expectativas de inflação e de juros globais", disse Lion.

Quanto à eleições, mesmo que a vitória seja do atual governo — percebido como menos responsável do ponto de vista fiscal — os gestores acreditam que o mercado já tenha precificado isso.

"Hoje deve ter 65% de Lula no preço das ações da nossa carteira", avaliou Braga. Para ele, embora a economia brasileira esteja crescendo na base dos estímulos do governo, o cenário seria preocupante mesmo em um contexto de estagflação.

Mas não é o caso, com os dados mais recentes do IPCA mostrando desaceleração maior do que o mercado esperava, abrindo espaço para o mercado sonhar com possíveis cortes de juros no horizonte, o que favorece ativos de risco, como as ações.

Com isso, eles avaliam que o mercado brasileiro passou a oferecer uma assimetria favorável ao investidor. Nos cenários traçados pelas gestoras, o potencial de valorização das ações supera com folga o risco de novas quedas, mesmo em uma hipótese mais pessimista para os juros e para a economia.

IPCA+8% é pouco: quais ações comprar (e de quais ficar longe)?

Diante desse cenário, os gestores revelaram algumas posições e de quais ações o investidor deve fugir agora.

"Se a bolsa está ridícula de barata, eu fujo de histórias problemáticas. Natura, Ânimae Azzas eu não tenho, por exemplo. Agora, ao menos sinal de melhora no cenário macro, eu vou fazer um movimento parecido com o que fiz em 2015, quando pulei para empresas mais alavancadas", disse Braga.

Para ele, empresas atrativas para o momento são: Smart Fit (SMFT3), Nubank (ROXO34) e Vibra (VBBR3).

Já Magalhães destacou que gosta de Vivara (VIVA3), Fleury (FLRY3) e Klabin (KLBN11). Já a principal posição da Guepardo é Ultra (UGPA3). Lion, por sua vez, destacou o setor de construtoras expostas ao Minha Casa Minha Vida.

Copasa (CSMG3): uma unanimidade

Além das ações acima, os gestores são unânimes ao falar da Copasa. "Tentei colocar R$ 1 bilhão lá, não consegui. Hoje, ela representa cerca de 2% do nosso fundo", afirmou. A declaração arrancou uma reação imediata de Ferreira: "Todo mundo tentou".

Na visão do grupo, a companhia reúne justamente as características mais valorizadas no atual cenário macroeconômico: receita previsível, reajustes tarifários atrelados à inflação, forte geração de caixa e baixa sensibilidade ao ciclo econômico.

Em um ambiente de juros elevados e incerteza fiscal, empresas com essas características tendem a atravessar o ciclo sem grandes impactos sobre seus resultados, enquanto concorrentes mais dependentes de crédito enfrentam maiores dificuldades.

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por