iPhone agora pode transmitir vídeo ao vivo para o 190 durante uma emergência
Recurso da Apple, que roda por infraestrutura da RapidSOS, permite que o atendente peça imagens em tempo real de quem liga para a polícia; não deve ser confundido com o SOS via satélite, que segue indisponível no país

Quem tem iPhone no Brasil ganhou, a partir desta segunda-feira, 24, um recurso a mais em situações de emergência: a possibilidade de transmitir vídeo ao vivo diretamente para o atendente do 190, número usado pela Polícia Militar em todo o país.
A função, batizada de Emergency SOS Live Video, já existia nos Estados Unidos desde 2024 e passa a operar aqui por meio de uma parceria entre a Apple e a RapidSOS, empresa americana especializada em conectar dados de dispositivos a centrais de emergência.
O funcionamento depende de o atendente da chamada avaliar que o vídeo ajudaria a entender a situação. Nesse caso, ele envia uma solicitação ao aparelho de quem ligou; a pessoa recebe um aviso na tela e pode compartilhar a câmera com um toque, podendo interromper o envio a qualquer momento. A transmissão é criptografada por padrão, e cada central de atendimento decide, por conta própria, se e quando ativa o recurso, e pode restringir o acesso por função dentro da equipe.
Não confundir com o SOS via satélite
Vale uma distinção importante para quem usa iPhone no Brasil. Essa novidade é diferente do SOS de Emergência via satélite, recurso que permite acionar socorro mesmo sem sinal de celular ou Wi-Fi e que segue indisponível no país, por depender de acordos regulatórios específicos com a Anatel que a Apple ainda não fechou.
O vídeo ao vivo, por outro lado, funciona pela rede de dados comum do celular durante uma ligação de emergência tradicional, por isso pôde ser ativado sem essa barreira regulatória.
Uma central por vez
A ativação depende de cada central de emergência aderir à tecnologia, então a disponibilidade prática deve variar de cidade para cidade nos primeiros meses, à medida que os Centros de Operações da Polícia Militar (Cecopom) de cada estado integrem o recurso aos próprios sistemas.
A RapidSOS afirma que a ferramenta já está incorporada, sem custo adicional, às centrais que utilizam sua plataforma UNITE, mas isso não significa adesão automática e imediata em todo o território.
A empresa não é estreante no mercado brasileiro de emergências: já opera no país desde pelo menos 2023, quando forneceu a tecnologia por trás da integração entre o aplicativo da Uber e o 190 no Rio de Janeiro, permitindo o envio automático de dados da corrida, placa, localização, informações do motorista, para o centro de operações policiais em caso de acionamento pelo app.
Por que o vídeo muda o atendimento
O ganho prático, segundo relatos de operadores de emergência nos Estados Unidos, está na precisão da informação. Uma descrição verbal de um suspeito, por exemplo, costuma ser genérica; imagens em tempo real permitem identificar detalhes concretos, roupas, objetos, características do local, que ajudam equipes a agir com mais segurança e rapidez.
A lógica é a mesma que já embasa outras integrações de dados a centrais de emergência: quanto mais contexto o atendente tem antes de despachar uma viatura, menor a margem de erro.
