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TecnologiaBDR
18/06/2026
5 min

iPhone mais caro? CEO da Apple diz que alta no preço dos produtos é 'inevitável'

iPhone mais caro? CEO da Apple diz que alta no preço dos produtos é 'inevitável'

A Apple vai aumentar os preços de seus produtos para compensar a escalada nos custos de chips de memória e armazenamento, disse o CEO Tim Cook em entrevista exclusiva ao Wall Street Journal.

"Infelizmente, os aumentos de preço são inevitáveis", afirmou Cook. "Estamos fazendo o possível para mitigar os grandes aumentos que estão sendo repassados a nós, e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável."

Cook não detalhou o momento ou a magnitude dos aumentos planejados, nem quais produtos seriam afetados.

O próximo grande lançamento da Apple deve ser em setembro, quando a empresa apresenta a linha iPhone 18 — que, segundo rumores, deve incluir o primeiro iPhone dobrável da marca.

Aumentos de preço, especialmente em Macs e iPads, podem vir antes: a Apple já elevou o preço inicial do Mac Mini no mês passado, entre dois eventos de lançamento.

Por que a memória ficou tão cara?

A demanda disparada por chips de memória e armazenamento de empresas de inteligência artificial elevou tanto o custo desses componentes que a Apple precisaria aumentar substancialmente os preços dos dispositivos para manter sua margem de lucro.

Repassar o custo adicional aos consumidores mantendo a margem atual adicionaria cerca de US$ 270 ao preço do próximo iPhone Pro, segundo estimativas da consultoria TechInsights.

Desde o ano passado, quando Google, Microsoft, Meta e Amazon começaram a anunciar grandes aumentos em seus orçamentos de capital, os preços de memória e armazenamento quadruplicaram. A TechInsights espera que ambos continuem subindo até 2027.

Cook explicou a mecânica do problema citando especificamente o mercado de DRAM — a memória que permite que smartphones executem aplicativos em uso —, apontando o aumento nas alocações destinadas à chamada memória de alta largura de banda, usada em servidores de IA.

"Há menos oferta num momento em que os consumidores querem dispositivos, e as empresas de memória estão repassando grandes aumentos de preço", disse Cook. "Definitivamente precisamos que o preço e a oferta de memória voltem a níveis razoáveis para produtos de consumo. Esse é o ponto principal."

Os números da escalada

Três empresas dominam o mercado de memória DRAM: Samsung e SK Hynix, da Coreia do Sul, e a americana Micron.

Fabricantes de armazenamento NAND incluem essas três, além da Kioxia e da SanDisk.

As ações dessas empresas, junto com seus lucros, dispararam nos últimos 12 meses: Micron e SK Hynix subiram mais de 800%, enquanto Kioxia e SanDisk subiram 4.600%.

As fabricantes de memória estão construindo mais fábricas. O Morgan Stanley projeta que a capacidade de produção de wafers de DRAM crescerá 30% até 2027. Ainda assim, como os fornecedores priorizam a memória especializada para IA, os wafers destinados à tecnologia de consumo devem ficar até 15% abaixo da demanda, segundo o banco.

A China tem fabricantes nacionais de memória e armazenamento, mas, devido a regras de segurança nacional, empresas americanas provavelmente precisariam de licenças para negociar com elas.

Sobre a flexibilização das restrições, Cook disse que acha que "tudo precisa estar na mesa", acrescentando que "deveríamos olhar para toda a oferta disponível."

O efeito em cadeia no mercado

Empresas que fabricam PCs, consoles de videogame, smartphones e outros dispositivos já elevaram preços, incluindo Hewlett-Packard, Dell e Nintendo.

Um consórcio de associações do setor enviou recentemente uma carta ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, e ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, reclamando da superalocação de memória para compradores de IA e pedindo ajuda para aumentar a oferta.

O Morgan Stanley estima um aumento de 15% nos preços de smartphones e PCs nos Estados Unidos este ano. Esse aumento deve ter impacto limitado no índice de preços ao consumidor, que tem peso pequeno para esse tipo de dispositivo. Ainda assim, qualquer aumento no preço do popular iPhone tende a chamar a atenção de Washington.

O problema é agravado pela necessidade da Apple de mais DRAM para suportar recursos adicionais de IA, incluindo a Siri reformulada anunciada na semana passada. E a empresa há muito usa upgrades de armazenamento NAND para aumentar margens, cobrando entre US$ 100 e US$ 200 por incrementos extras que custam à empresa apenas uma fração desse valor.

O que a Apple está disposta a fazer — e o que não vai fazer

Na entrevista, Cook disse que a Apple está pronta para usar suas reservas de caixa para ajudar a aumentar a oferta de memória. "Estamos dispostos a usar nosso balanço para ajudar a ser parte da solução", disse. "Obviamente, é necessária mais capacidade."

Cook não deu detalhes específicos.

Não está claro como a Apple poderia igualar, muito menos superar, os termos de acordo que as hyperscalers de IA oferecem para garantir fornecimento — essas empresas assinam contratos de três a cinco anos com grandes pagamentos antecipados em dinheiro, algo que a Apple provavelmente não estaria disposta a igualar, dado seu histórico de gastos disciplinados.

Cook também descartou que a Apple use seu caixa e expertise em silício para construir suas próprias fábricas de memória e armazenamento. "Não podemos fazer tudo", disse Cook. "Sabemos no que somos bons."

A Apple gasta na faixa de dezenas de bilhões de dólares por ano em memória e armazenamento, segundo pessoas familiarizadas com seus custos, tornando-a uma das maiores clientes do mundo nesse mercado.

Historicamente, a empresa usou esse peso para conseguir os menores preços de fornecedores, colocando-os uns contra os outros e deixando pouca margem de lucro para eles. Com a entrada agressiva das empresas de IA nesse mercado, agora é a Apple que precisa esperar na fila.

Cook disse que, durante seu tempo na cadeia de suprimentos de eletrônicos — passando por IBM, Compaq e Apple —, nunca havia visto uma oscilação de preço de commodity como a dos últimos seis meses.

"Esta é uma enchente de cem anos", disse Cook. "Nunca vi nada parecido em nenhuma área em mais de 40 anos."

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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