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InvestMercados
04/08/2026
5 min

IPO da Shein: empresa reduz valuation às vésperas da estreia na bolsa

Varejista de moda mira estreia na Bolsa de Hong Kong com avaliação entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões, bem abaixo do pico de 2022

IPO da Shein: empresa reduz valuation às vésperas da estreia na bolsa

A Shein está nos ajustes finais para lançar sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em Hong Kong, prevista para agosto, mas o valor de mercado que a varejista pretende alcançar segue em redução às vésperas da oferta.

Segundo a Reuters, três fontes a par das negociações mostraram que a companhia agora trabalha com uma faixa entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões, abaixo dos US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões mirados anteriormente, quando o prospecto preliminar foi divulgado.

Parte dos investidores cotados para atuar como âncoras da oferta defende um valuation ainda mais conservador, entre US$ 30 bilhões e US$ 32 bilhões, de acordo com uma das fontes à agência.

O corte reforça uma tendência observada nos últimos meses. Em 2022, no auge do forte crescimento do comércio eletrônico, a Shein foi avaliada em US$ 98,2 bilhões em uma rodada privada. Em 2023 e, depois, em abril de 2024, esse valor caiu para cerca de US$ 64 bilhões.

Hoje, até o teto da nova faixa representa menos da metade do pico histórico da empresa, enquanto o piso defendido pelos investidores mais conservadores equivale a cerca de um terço daquele valor.

De hipercrescimento à normalização

O prospecto divulgado no fim de julho ajuda a explicar a postura mais cautelosa do mercado. A receita da Shein somou US$ 41,8 bilhões em 2025, alta de 8% sobre o ano anterior. Embora positivo, o avanço ficou bem abaixo do ritmo acelerado que marcou sua expansão nos últimos anos.

No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de US$ 99 milhões, resultado atribuído às mudanças nas regras para remessas internacionais nos Estados Unidos e no Brasil, às novas tarifas europeias sobre importações, entre outros encargos.

Em um relatório sobre o prospecto, analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) haviam afirmado que a companhia vive uma transição de uma fase de hipercrescimento para outra de normalização, marcada por pressões regulatórias e competitivas mais intensas.

Mercados relevantes são desafiadores

A concentração das receitas nas regiões que endureceram as regras para importações de baixo valor é um dos principais pontos de atenção. Os EUA responderam por cerca de 22,5% da receita da Shein em 2025, enquanto a Europa representou um terço das vendas.

Juntos, os dois mercados concentram mais da metade do faturamento global da empresa e são aqueles onde as mudanças tributárias recentes têm maior potencial de reduzir sua vantagem competitiva baseada em preços baixos.

O diretor-executivo do Global Public Investment Funds Forum e ex-executivo da China Investment Corporation, Winston Ma, afirmou à Reuters que o principal indicador a ser acompanhado é a margem operacional da companhia, hoje em 2,9%.

Já o diretor do banco de investimentos Chanson & Co, Shen Meng, disse que dificilmente a empresa conseguirá uma valorização significativa em relação à última rodada privada, seja no IPO ou após a estreia na bolsa.

Isso porque o ambiente era muito mais favorável para abrir capital há alguns anos, quando investidores ainda premiavam empresas de crescimento acelerado no comércio digital, na avaliação do analista de e-commerce Juozas Kaziukenas.

O Citi também alertou que a perda de competitividade da empresa no segmento de moda de entrada na Europa pode abrir espaço para concorrentes como Primark e H&M ampliarem participação. A companhia afirma que estuda medidas, como reajustes de preços, para compensar parte do impacto.

Como a Shein se compara aos rivais

Mesmo no teto da nova faixa de avaliação, a Shein ficaria próxima da sueca H&M, avaliada atualmente em cerca de US$ 26 bilhões, e ainda distante das maiores empresas globais do setor.

A Fast Retailing, controladora da Uniqlo, vale cerca de US$ 161 bilhões. Já a espanhola Inditex, dona da Zara, está avaliada em cerca de US$ 208 bilhões, mais de cinco vezes o piso defendido pelos investidores mais conservadores para a Shein.

Para tornar a oferta mais atraente aos investidores que participaram de rodadas privadas em avaliações mais elevadas, a companhia também estuda mecanismos para reduzir o custo efetivo de entrada desses acionistas.

Documentos públicos apresentados à Bolsa de Hong Kong e reportados pela Reuters evidenciam que, entre as alternativas, estão compensações financeiras para investidores das primeiras rodadas em até US$ 1,1 bilhão e a distribuição de ações adicionais com preço de conversão mais baixo.

Brasil ganha importância na estratégia

O Brasil aparece, neste sentido, como uma das principais apostas de crescimento da Shein, segundo o BTG, ao reunir uma combinação favorável de grande mercado consumidor, expansão do comércio eletrônico e penetração ainda menor do setor em comparação com economias desenvolvidas.

Dados da SensorTower citados pelo BTG mostram que a Shein foi um dos aplicativos de comércio eletrônico que mais cresceram no Brasil no segundo trimestre. Os usuários ativos mensais avançaram cerca de 34% na comparação anual, acima de Mercado Livre (17%), Amazon (16%) e Shopee (9%).

A China aprovou a listagem da Shein em Hong Kong, por meio da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários do país, destravando um processo que havia fracassado anteriormente nastentativas de abertura de capital em Nova York e Londres.

Segundo o prospecto, os recursos captados serão destinados a investimentos em tecnologia, fortalecimento da marca fora da China, iniciativas de responsabilidade corporativa e outras despesas corporativas gerais.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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