Irã ameaça retaliar Israel caso infraestrutura do país seja atacada

O Irã voltou a elevar o tom contra Israel nesta sexta-feira, 10, ao afirmar que responderá a qualquer ataque contra sua infraestrutura e que o governo israelense "não estará seguro" caso novas ofensivas sejam realizadas.
A declaração foi feita por Mohammad Bagher Zolghadr, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, em comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, em meio à escalada das tensões após os recentes confrontos entre Estados Unidos e Irã.
"Como já anunciamos, qualquer ataque à infraestrutura será respondido, e o regime sionista criminoso responsável por essas atrocidades não estará a salvo da resposta de nossos combatentes", afirmou Zolghadr.
A nova ameaça amplia o discurso adotado por Teerã desde a retomada dos ataques americanos e reforça que Israel também poderá ser alvo de retaliações iranianas, caso participe ou apoie ofensivas contra o território do país.
Por que os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã
Os Estados Unidos retomaram os ataques contra o Irã nesta semana, poucos dias após o acordo provisório que havia interrompido os confrontos entre os dois países.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a operação foi uma resposta aos ataques iranianos contra embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz e teve como objetivo reduzir a capacidade militar de Teerã de ameaçar a principal rota marítima para o transporte global de petróleo.
Os bombardeios atingiram sistemas de defesa aérea, radares costeiros, centros de comando, bases de mísseis antinavio e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica posicionadas nas proximidades do estreito.
Desde então, autoridades iranianas vêm prometendo responder às ofensivas e ampliaram o tom das ameaças contra Estados Unidos e Israel.
Estreito de Ormuz continua no centro da disputa
Além das ameaças militares, o Irã segue indicando que poderá voltar a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, considerado um de seus principais instrumentos de pressão sobre Washington.
Responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e é utilizado por grandes exportadores da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Catar e o próprio Irã.
Qualquer interrupção no tráfego marítimo da região é acompanhada de perto pelos mercados internacionais devido ao potencial impacto sobre a oferta global de petróleo e os preços da commodity.
