Irã ataca Kuwait e Bahrein após bombardeios dos EUA

O Irã lançou neste domingo ataques com mísseis e drones contra o Kuwait e o Bahrein, em resposta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos um dia antes.
A ofensiva eleva a tensão no Oriente Médio e ameaça comprometer as negociações em andamento para encerrar o conflito na região.
Os novos ataques ocorrem apesar do memorando de entendimento firmado em 17 de junho para reduzir as hostilidades e estabelecer regras para a navegação noEstreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
Irã afirma ter atingido bases militares dos EUA
A Guarda Revolucionária informou ter disparado mísseis e drones contra a base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, e contra a base da Quinta Frota americana, localizada no Porto Salman, no Bahrein.
Segundo o grupo militar iraniano, oito instalações militares dos Estados Unidos foram atingidas durante a operação.
No Bahrein, as Forças Armadas afirmaram ter interceptado diversos projéteis lançados pelo Irã, enquanto o Kuwait classificou a ofensiva como uma nova agressão que ameaça os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
Os ataques representam uma nova escalada militar poucos dias após EUA e Irã retomarem negociações para buscar um acordo de paz duradouro na região.Disputa pelo Estreito de Ormuz volta ao centro da crise
O novo episódio ocorre em meio às disputas sobre o controle do Estreito de Ormuz, corredor por onde circulava cerca de 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra.
Embora a passagem tenha sido reaberta em meados de junho, Teerã mantém restrições à navegação, autorizando apenas embarcações que utilizem um corredor específico ao longo de sua costa e ameaçando agir contra navios que desrespeitem essa determinação.
No sábado, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter bombardeado dez alvos iranianos, incluindo instalações de defesa aérea, depósitos de drones e infraestrutura destinada à instalação de minas marítimas. Washington afirmou que a operação foi uma resposta a ataques iranianos contra embarcações que cruzavam o estreito.
O controle do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de atrito entre Irã e Estados Unidos e tem impacto direto sobre o mercado internacional de energia.Trump ameaça ampliar ofensiva militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irã de voltar a violar o acordo de cessar-fogo e afirmou que Washington poderá recorrer novamente à força caso os ataques continuem.
Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que, se necessário, os Estados Unidos concluirão militarmente a operação iniciada contra o regime iraniano.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou durante visita ao Iraque que qualquer tentativa de questionar o controle de Teerã sobre o estreito aumentará as tensões e atrasará a normalização da navegação.
Conflito também se intensifica no Líbano
Enquanto a tensão cresce no Golfo, os confrontos também continuam no Líbano. Israel voltou a bombardear o sul do país, apesar de um acordo preliminar firmado na sexta-feira com mediação dos Estados Unidos.
Segundo a agência estatal libanesa NNA, novos ataques foram registrados neste domingo, um dia após bombardeios que deixaram ao menos uma vítima fatal.
O líder do Hezbollah, Naim Qasem, classificou o acordo como um "grave erro" e afirmou que o movimento não aceitará sua implementação. Já o presidente libanês, Joseph Aoun, garantiu ao governo americano que o Estado trabalhará para colocar o entendimento em prática.
A retomada dos ataques em diferentes frentes reforça a fragilidade das negociações diplomáticas e amplia o risco de uma nova escalada regional envolvendo Irã, Israel, Estados Unidos e aliados do Golfo.*Com AFP
