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Mundo
25/06/2026
3 min

Irã ataca navio de carga e põe em xeque acordo com os EUA para reabrir o estreito de Ormuz

Irã ataca navio de carga e põe em xeque acordo com os EUA para reabrir o estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou um ataque contra um navio de carga com bandeira de Singapura nesta quinta-feira, 25, no Estreito de Ormuz, segundo autoridades dos Estados Unidos.

O episódio ocorreu em meio ao acordo assinado na semana passada entre Estados Unidos e Irã para encerrar as ofensivas e reabrir a rota marítima estratégica, que conecta o Golfo Pérsico ao mercado global de energia.

O ataque atingiu a ponte de comando da embarcação, sem registro de vítimas, informou a organização UK Maritime Trade Operations a Wall Street Journal. O incidente ocorreu próximo à costa de Omã, horas depois de a marinha da força paramilitar iraniana emitir alerta para que navios não utilizassem rotas não autorizadas pelo regime na via navegável.

Na terça-feira, a Organização Marítima Internacional (IMO, órgão das Nações Unidas responsável pela regulação do transporte marítimo) comunicou empresas do setor sobre a coordenação de uma rota de evacuação destinada a centenas de navios retidos no Golfo Pérsico, em cooperação com Irã, Omã, países litorâneos e Estados Unidos.

Horas depois do ataque, a IMO anunciou a suspensão da operação de evacuação. O secretário-geral Arsenio Dominguez afirmou que a interrupção buscou “reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuam em vigor para os navios em nossa lista de evacuação e para todos os que se encontram na região”. Ele acrescentou que a embarcação atingida não integrava o protocolo de evacuação da organização.

O acordo de 60 dias para reabertura do estreito prevê que o Irã adote medidas para garantir a passagem de navios comerciais, enquanto os Estados Unidos retiram bloqueios sobre portos iranianos. Como parte do entendimento, os Estados Unidos suspenderam sanções sobre vendas de petróleo do Irã e autorizaram a comercialização de petróleo bruto em dólares.

O tráfego marítimo na região registrou recuperação ao longo da semana, após meses de baixa movimentação. Na quarta-feira, entre 70 e 80 embarcações cruzaram o estreito, segundo sistemas de rastreamento. A empresa Kpler registrou 70 navios, número mais que o dobro do dia anterior.

O aumento do fluxo ocorreu após período de risco elevado no Estreito de Ormuz, afetado por tensões militares e restrições operacionais impostas por diferentes partes envolvidas na crise.

No fim de semana anterior, o Irã declarou fechamento do estreito em meio a confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Até o momento, não houve confirmação oficial de reabertura. O país não realizou novos ataques contra navios comerciais desde 12 de junho.

Organização Marítima Internacional e operação de evacuação

Na quinta-feira, a Guarda Revolucionária informou em seu canal no Telegram que três navios-tanque que utilizavam a rota sul autorizada pela IMO receberam ordem de retorno. A empresa de inteligência marítima Windward relatou que cinco embarcações realizaram manobras de reversão no mesmo período.

A corporação iraniana afirmou que rotas definidas pela IMO não têm autorização para uso sem coordenação com o Irã, e classificou tais movimentações como “inaceitável e extremamente perigoso”.

Antes do ataque, o navio Ever Lovely partiu de Umm Qasr, no Iraque, com destino a Singapura, segundo o sistema Marine Traffic. A embarcação da Evergreen Marine Asia Pte Ltd permaneceu retida no Golfo por mais de 100 dias, de acordo com a LSEG.

O Ever Lovely entrou em direção ao Estreito de Ormuz na manhã de quinta-feira, integrando um grupo de quatro embarcações que seguiam a rota indicada pela IMO, próxima à costa de Omã. Dados de rastreamento indicam que o navio liderava o grupo em maior velocidade, sem registros de alerta por rádio ou ordens de retorno emitidas pela marinha iraniana.

AutorMateus Omena
FonteExame
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