Irã condiciona acordo com os EUA a cessar-fogo no Líbano

O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira, 1º, que qualquer acordo com os Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio dependerá da implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano.
A declaração ocorre em meio à ampliação da ofensiva israelense no país e a novas acusações de violações da trégua entre Washington e Teerã.
Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a interrupção dos combates no Líbano é uma condição indispensável para qualquer entendimento diplomático.
"Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra", declarou.
Segundo Baqaei, os Estados Unidos continuam realizando ações militares contra o Irã mesmo após o anúncio de uma trégua. O porta-voz acusou Washington de promover novos ataques durante a madrugada.
"Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã", afirmou. Ele acrescentou que o Irã adotará todas as medidas que considerar necessárias para proteger sua segurança nacional.
Programa nuclear fica fora das negociações
O representante iraniano também rejeitou a ideia de que o programa nuclear do país esteja sendo discutido nas negociações atuais com os americanos.
De acordo com Baqaei, o foco das conversas permanece concentrado no encerramento do conflito regional.
"Não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra", disse.
A declaração contrasta com comentários recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter recebido garantias de que o Irã não pretende desenvolver armas nucleares.
As declarações foram feitas enquanto seguem os esforços diplomáticos para construir um acordo mais amplo de paz no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, Israel intensifica operações militares no Líbano, aumentando a pressão sobre as negociações.
A exigência iraniana coloca o cessar-fogo no território libanês como um dos principais obstáculos para um eventual entendimento entre Washington e Teerã.
*Com AFP
