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Mundo
23/08/2026
4 min

Irã desafia novas sanções dos EUA e diz que medidas vão fracassar

Teerã afirma que ameaça de punições econômicas mostra “desespero” de Washington

Irã desafia novas sanções dos EUA e diz que medidas vão fracassar

O Irã afirmou neste domingo, 23, que as novas sanções que os Estados Unidos devem anunciar contra o país não serão capazes de pressionar Teerã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, classificou a ameaça como um sinal de “desespero” do governo americano.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que fará uma entrevista coletiva na segunda-feira, 24, às 14h no horário de Washington. Ele já havia ameaçado impor as “sanções mais duras da história” contra o Irã.

A expectativa ocorre em meio à continuidade do conflito entre os dois países. Segundo a Reuters, a economia iraniana já sofre forte pressão das sanções internacionais, enquanto a infraestrutura do país foi atingida repetidamente e milhares de pessoas morreram em ataques aéreos desde o início das ofensivas dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro.

Irã diz que novas sanções dos EUA não terão efeito

Em um vídeo publicado no Telegram, Araqchi afirmou que a mudança de operações militares para novas medidas econômicas demonstra que os Estados Unidos estariam recorrendo a estratégias já utilizadas.

“O fato de terem passado das operações militares [...] para trazer à tona os mesmos planos antigos mostra que estão desesperados”, afirmou.

O chanceler iraniano também defendeu que Washington adote uma postura respeitosa nas negociações para buscar uma solução para o conflito.

Segundo Araqchi, medidas anteriores adotadas pelos EUA, incluindo bloqueios e ações militares, não atingiram o objetivo de pressionar o Irã. Por isso, afirmou que as novas sanções também fracassarão.

Estreito de Ormuz segue no centro da crise

A disputa também afeta o transporte de petróleo. O Irã levou o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz a uma situação próxima da paralisação, ao impedir a passagem de navios-tanque de petróleo não autorizados.

A via marítima é considerada fundamental para o transporte global de petróleo. A restrição contribuiu para a alta dos preços internacionais da commodity.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também ameaçou impor consequências econômicas a países que ofereçam qualquer tipo de apoio ao Irã.

Bessent pediu que a China coopere com Washington. O país asiático é o principal comprador do petróleo iraniano e adquiriu mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã em 2025, segundo dados da empresa de análise Kpler. Pequim, por sua vez, defendeu uma solução diplomática.

Chefe do Exército do Paquistão vai a Teerã

Em meio à pressão internacional, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, deve viajar a Teerã na segunda-feira. O governo iraniano informou que a visita faz parte dos esforços para restaurar a paz e a segurança na região.

O Paquistão atua como mediador no conflito. Uma fonte do governo paquistanês afirmou que Munir deve discutir os acontecimentos recentes, incluindo a ameaça americana de novas sanções.

Trump afirmou na sexta-feira que os Estados Unidos estão acompanhando o desenrolar do conflito e disse que o Irã gostaria de chegar a um acordo, mas ainda não estaria disposto a aceitar os termos considerados adequados por Washington.

Irã mantém capacidade de atacar navios e rivais regionais

Os ataques americanos reduziram fortemente a economia iraniana e atingiram a Marinha e a Força Aérea do país. Apesar disso, Teerã ainda mantém capacidade de lançar mísseis e drones, o que permite dificultar o tráfego de navios-tanque no Estreito de Ormuz e realizar ataques contra rivais regionais.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou no sábado que o país recebeu “numerosas mensagens” de nações vizinhas sobre a criação de novos acordos de segurança regional e cooperação econômica.

Qalibaf não informou quais países teriam enviado as mensagens. Ele acusou os Estados Unidos de colocar em risco a segurança de seus aliados na região em benefício de Israel e defendeu uma ordem regional independente para garantir paz e segurança.

AutorAna Dayse
FonteExame
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