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Mundo
12/06/2026
5 min

Irã divulga rascunho de acordo com os EUA para encerrar guerra; veja

Irã divulga rascunho de acordo com os EUA para encerrar guerra; veja

A agência de notícias iraniana Mehr publicou nesta sexta-feira, 12, o que descreveu como um rascunho do acordo em negociação entre Irã e Estados Unidos para encerrar a guerra.

Citando uma fonte próxima à equipe negociadora iraniana, a agência afirmou que o documento reúne compromissos políticos, econômicos e de segurança que serviriam de base para o fim do conflito e a retomada das negociações diplomáticas.

A divulgação ocorre em meio à expectativa de que o acordo seja assinado nos próximos dias. Na quinta-feira, 11, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as partes estão próximas de um entendimento. Embora Teerã diga que ainda não tomou uma decisão final, autoridades iranianas reconhecem que grande parte do texto já foi concluída e está sob análise dos órgãos responsáveis.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, confirmou em entrevista na quinta-feira que "textualmente, o texto foi quase finalizado em suas partes principais", mas ressaltou que "as posições contraditórias dos Estados Unidos sempre causaram turbulência e perturbação nesse processo".

Segundo ele, desde o cessar-fogo declarado em abril, tanto os EUA quanto Israel violaram a trégua repetidamente, incluindo ataques americanos à infraestrutura do sul do Irã e a dois reservatórios de água em Sirik.

"Enquanto falam em diplomacia e negociações, simultaneamente recorrem à força, a ações ilegais e a comportamento criminoso", afirmou Baghaei.

O porta-voz reiterou que o Irã não abrirá mão de suas linhas vermelhas: "Caso a República Islâmica tivesse a intenção de recuar de suas posições de princípio sob pressão e ameaças, teria feito isso um ano e meio atrás."

Acordo inclui paz no Líbano

De acordo com a Mehr, o memorando incluiria "cessação permanente e imediata das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano". A medida atende auma das principais demandas de Teerã durante as negociações.

O governo iraniano vinha cobrando o fim das operações militares israelenses em território libanês, onde continuam os confrontos entre Israel e o Hezbollah, movimento apoiado por Teerã.

Trump afirmou em suas redes sociais que o acordo foi aprovado por países como Israel, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, porém, fez questão de deixar claro que Israel não é parte do memorando de entendimento com o Irã.

Em nota divulgada após conversa entre os dois líderes, o governo israelense disse que Netanyahu agradeceu o compromisso de Trump com um acordo que preveja a retirada do material enriquecido iraniano, o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento, a limitação da produção de mísseis e o fim do apoio iraniano a grupos armados regionais.

60 dias para negociar o programa nuclear iraniano.

Outro ponto central do documento estipula um período de 60 dias de negociações para que as partes cheguem a um acordo sobre asquestões nucleares e o "levantamento completo das sanções primárias e secundárias dos EUA".

Segundo a agência iraniana, o prazo serviria para que os dois países tentem resolver divergências relacionadas às atividades nucleares de Teerã e discutam a retirada completa das sanções primárias e secundárias impostas pelos Estados Unidos.

Trump tem repetido que qualquer acordo deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear, exigência que é também condição explicitada por Netanyahu. O governo iraniano, por sua vez, nega estar desenvolvendo esse tipo de armamento.

Liberação de US$ 24 bilhões de fundos iranianos

A proposta também prevê a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos atualmente bloqueados no exterior.

Segundo a Mehr, os recursos seriam disponibilizados ao longo do período de 60 dias destinado às negociações finais. Metade do montante, equivalente a US$ 12 bilhões, seria liberada antes mesmo do início formal das conversas, segundo fonte próxima à equipe iraniana citada pela agência.

A liberação dos recursos congelados é uma das principais exigências de Teerã. Entre as demandas do governo iraniano nas negociações estão também o levantamento das sanções internacionais e o reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Acordo ainda depende de aprovação final

Apesar do otimismo demonstrado por Trump, autoridades iranianas afirmam que o acordo ainda está em fase de avaliação.

O presidente americano declarou que o memorando poderá ser assinado "muito em breve", possivelmente ainda neste fim de semana, e afirmou acreditar que o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, já deu sinal verde para a proposta.

Teerã, porém, adotou um tom mais cauteloso. Baghaei disse que não há uma conclusão definitiva e que o texto continua sendo analisado pelas instâncias responsáveis pela tomada de decisão no país.

Baghaei rejeitou especulações da mídia sobre o momento e o local de uma eventual cerimônia de assinatura. "O processo de tomada de decisão em nosso país é completamente claro. As autoridades relevantes devem revisar cada detalhe do texto. Assim que chegarmos a uma conclusão final que sirva aos interesses da nação iraniana, será anunciado oficialmente", afirmou.

As tensões seguem elevadas no Estreito de Ormuz. Forças americanas abateram dois drones de ataque iranianos após o Irã tentar atingir navios comerciais que transitavam pelo estreito, segundo oficial americano ouvido pela Reuters.

O Estado-maior das Forças Armadas iranianas anunciou o fechamento do estreito a todos os navios, responsabilizando os EUA pela situação. "A única razão para essa situação são as ações ilegais e agressivas da América", disse Baghaei.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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