Irã diz que resposta aos EUA será 'olho no olho' em caso de ataque a estruturas

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta-feira, 22, que a resposta iraniana às recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será "um olho por um olho". O norte-americano havia ameaçado horas antes ataques à infraestrutura do país asiático e à capital Teerã, densamente populada, oque o New York Times categorizou como uma ameaça a alvos civis iranianos.
Em uma publicação na rede social X, Araghchi afirmou que a doutrina de defesa do Irã prevê uma resposta proporcional a qualquer agressão.
"Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer agressão contra o Irã, incluindo contra nossa infraestrutura, exigirá uma resposta poderosa e decisiva", escreveu o chanceler.
Araghchi também advertiu que países ou atores que prestarem qualquer tipo de apoio a uma ofensiva contra o Irã passarão a ser considerados "alvos legítimos" pelas autoridades iranianas. A afirmação segue a linha iraniana de ataques retaliatórios a países aliados aos EUA no Oriente Médio, como Jordânia, Bahrein e Omã.
Our defense doctrine is clear: eye for an eye.
Any aggression against Iran, including our infrastructure, will compel a powerful and decisive response.
Those who contribute to such aggression, whatever the kind of support, will also be considered as legitimate targets.
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) July 22, 2026
Trump ameaçou atacar infraestrutura iraniana
Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira bombardear pontes e usinas de energia do Irã caso o país volte a atacar embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz.
Segundo o republicano, a resposta americana será imediata e atingirá uma estrutura diferente a cada novo ataque iraniano com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de armamento.
"A partir deste momento, sempre que a República Islâmica do Irã atirar contra um navio no Estreito de Ormuz, seja com míssil, foguete, drone ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma usina de energia, incluindo as localizadas ao lado ou dentro da capital, Teerã", escreveu Trump em sua rede social.
A declaração marca uma nova escalada na crise entre Washington e Teerã, que voltaram a trocar ataques nas últimas semanas após o rompimento do cessar-fogo firmado em 18 de junho para viabilizar negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Após as ameaças de Trump, o comando militar Khatam al-Anbiya, responsável pela coordenação das Forças Armadas iranianas, afirmou que o Estreito de Ormuz continuará fechado e advertiu que, caso os Estados Unidos ataquem pontes e usinas de energia no país, o Irã impedirá a exportação de petróleo pela região e responderá atingindo infraestrutura de petróleo, gás, eletricidade e outros ativos econômicos.
Nova ameaça se soma à ofensiva contra programa nuclear
A publicação ocorre poucas horas depois de Trump afirmar, durante uma reunião na Casa Branca com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, que os Estados Unidos devem atacar "muito em breve" a montanha Pickaxe, onde estaria localizada uma instalação nuclear subterrânea próxima à cidade de Natanz.
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O presidente foi questionado sobre a possibilidade de o Irã ter transferido centrífugas nucleares para o complexo subterrâneo, mas disse não ter conhecimento da movimentação e afirmou que isso não faria diferença porque, segundo ele, o país "não possui o material" necessário para enriquecer urânio.
Segundo a CNN, autoridades israelenses avaliam que o Irã transferiu centrífugas avançadas e parte de suas reservas de urânio altamente enriquecido para a montanha Pickaxe após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra instalações nucleares iranianas em 2025. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente por Washington.
O programa nuclear iraniano continua sendo o principal ponto de tensão entre os dois países. As centrífugas são utilizadas para enriquecer urânio, tecnologia que pode ser empregada para fins civis, como geração de energia, mas que também permite a produção de material para armas nucleares quando atinge níveis mais elevados de enriquecimento.
