Irã diz que suspendeu ataques a Israel: entenda situação no Oriente Médio

O Irã anunciou nesta segunda-feira, 8, a suspensão dos ataques contra Israel após os dois países retomarem os confrontos diretos pela primeira vez desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em abril.
Apesar da trégua temporária, a troca de ataques expôs a fragilidade do acordo e aumentou as dúvidas sobre a viabilidade das negociações conduzidas pelo presidente americano Donald Trump para encerrar a guerra.
O comando das Forças Armadas iranianas afirmou que Teerã respondeu "com veemência" aos bombardeios israelenses em Beirute, reduto do Hezbollah no Líbano, e que a operação militar foi encerrada após a retaliação.
A decisão foi acompanhada por um sinal diplomático. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país continua comprometido com as negociações. "Não abandonamos nem o campo de batalha nem a mesa de negociações", diz o líder iraniano na rede X (antigo Twitter).
Troca de ataques testou acordo mediado por Trump
A escalada começou após Israel bombardear posições ligadas ao Hezbollah em Beirute, no Líbano. O governo de Benjamin Netanyahu alegou que o alvo era uma instalação do grupo terrorista apoiado pelo Irã.
Em resposta, Teerã lançou várias ondas de mísseis contra Israel. Segundo militares israelenses, cerca de 30 mísseis balísticos foram disparados. O governo israelense retaliou com ataques contra alvos militares no centro e no oeste do Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e uma instalação petroquímica.
Os ataques marcaram o primeiro confronto direto entre Israel e Irã desde a entrada em vigor do cessar-fogo de 8 de abril.
A ofensiva também ocorreu após Trump pedir publicamente que Netanyahu evitasse uma resposta militar. Horas depois dos ataques, o presidente americano voltou a pressionar os dois lados.
"Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente", escreveu Trump na rede Truth Social.
Hezbollah e Líbano seguem como principal obstáculo
Enquanto os Estados Unidos tentam construir um acordo mais amplo com o Irã, Israel insiste que qualquer entendimento não limitará sua campanha militar contra o Hezbollah.
Já Teerã considera a situação no Líbano parte central das negociações e exige o fim das operações israelenses contra o grupo aliado.
Na semana passada, Washington anunciou um cessar-fogo entre Israel e o governo libanês. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Hezbollah e pelo próprio Irã, que defendem a retirada completa das forças israelenses do território libanês.
Mesmo após o anúncio da trégua, Israel e Hezbollah continuaram trocando ataques esporádicos, criando um ambiente de constante tensão.
Petróleo dispara e risco econômico aumenta
O petróleo Brent chegou asubir mais de 5%, aproximando-se de US$ 98 por barril, diante do temor de interrupções no fluxo de energia no Oriente Médio.
O mercado acompanha especialmente a situação do Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Além disso, os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, anunciaram uma nova ofensiva contra Israel e declararam um bloqueio total à navegação israelense no Mar Vermelho, ampliando os riscos para as cadeias globais de transporte.
