Irã enterra aiatolá Ali Khamenei, líder supremo morto por ataques dos EUA

O Irã enterrou nesta quinta-feira, 9, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica, morto em um ataque atribuído por Teerã aos Estados Unidos e Israel.
A cerimônia em Mashhad, cidade natal do religioso, encerrou uma semana de funerais que mobilizou milhões de pessoas no Irã e no Iraque.Centenas de milhares de pessoas acompanharam o cortejo até o santuário do imã Reza, principal local sagrado do islamismo xiita no país, onde Khamenei foi sepultado conforme seu desejo. O caixão chegou à cidade a bordo de um avião civil, escoltado por um caça da Força Aérea iraniana.
Ao longo do trajeto, milhares de apoiadores exibiram bandeiras iranianas, imagens do líder religioso e cartazes com mensagens contra os Estados Unidos e Israel.
Em diferentes momentos da cerimônia, manifestantes repetiram palavras de ordem pedindo vingança pela morte de Khamenei.
Enfrentando um calor intenso e clamando por vingança, iranianos leais à República Islâmica reuniram-se em massa, em 9 de julho, para o sepultamento do falecido líder supremo Ali Khamenei em sua cidade natal, Mashhad (ATTA KENARE/AFP)
As homenagens ocorreram após seis dias de cerimônias em cidades iranianas e iraquianas. Segundo autoridades do país, os funerais reuniram milhões de pessoas e tiveram como objetivo demonstrar força política e unidade nacional após a guerra contra Estados Unidos e Israel.
O líder religioso governou a República Islâmica por quase quatro décadas e morreu aos 86 anos, em 28 de fevereiro, durante o conflito que opôs Irã, Estados Unidos e Israel. Seu corpo passou por Teerã, Qom e cidades do Iraque antes de chegar a Mashhad para o sepultamento.
Entre os presentes estavam famílias inteiras, incluindo crianças, sob forte esquema de segurança. O calor intenso levou equipes de emergência e voluntários a distribuírem água ao longo do percurso. A oração fúnebre foi conduzida pelo aiatolá Hossein Noori Hamedani, uma das principais autoridades religiosas conservadoras do país.
Tensões entre Irã e Estados Unidos voltam a crescer
O enterro ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre Teerã e Washington. Dois dias de ataques entre Estados Unidos e Irã colocaram fim ao cessar-fogo firmado entre os dois países e elevaram novamente o risco de escalada militar na região.
O governo iraniano afirmou que os bombardeios americanos esvaziaram pontos centrais do memorando firmado entre os dois países em junho. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que considera encerrada a trégua. Na noite de quarta-feira, os americanos afirmaram que atacaram 90 alvos militares de Teerã.
O conflito também afetou a infraestrutura do país. A ligação ferroviária entre Teerã e Mashhad foi suspensa após ataques registrados durante a semana, segundo a companhia ferroviária nacional. O governo iraniano classificou a ação como um "crime de guerra flagrante".
Outro fator que amplia a tensão é a disputa em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. O Irã voltou a defender a cobrança de pedágios para embarcações que cruzam a região, medida rejeitada pelos Estados Unidos.
Durante as cerimônias, também chamou atenção a ausência de Mojtaba Khamenei, filho e sucessor de Ali Khamenei. O novo líder supremo não participou publicamente dos funerais e se manifestou apenas por comunicados divulgados pela imprensa estatal após sofrer ferimentos durante os ataques de fevereiro.
