Irã exige garantias dos EUA para avançar em acordo sobre guerra

O Irã afirmou neste domingo, 31, que não aceitará um acordo com os Estados Unidos sem garantias de que os interesses do país serão respeitados. A declaração ocorre em meio às negociações para encerrar formalmente o conflito no Oriente Médio e reduzir as tensões na região.
Teerã condicionou qualquer entendimento com Washington ao reconhecimento de seus direitos e afirmou não confiar nas promessas feitas pelo governo americano durante as negociações.A posição foi expressa por Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal. Segundo ele, o governo iraniano não aprovará nenhum acordo antes de receber garantias consideradas satisfatórias.
Nos últimos dias, os dois países sinalizaram avanços nas conversas. No entanto, o jornal The New York Times informou no sábado que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou uma nova proposta a Teerã com termos mais rígidos para um possível acordo.
Entre as exigências iranianas estão o desbloqueio de US$ 12 bilhões em ativos congelados e a inclusão do Líbano em um eventual acordo regional.
Apesar das negociações, permanecem divergências em temas considerados centrais. O governo americano insiste que o principal objetivo é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás.
Trump afirmou que sua principal exigência é a garantia de que o Irã não terá capacidade de produzir armas nucleares.O governo iraniano, por sua vez, rejeita declarações americanas sobre a destruição de suas reservas de urânio enriquecido e considera as acusações sem fundamento.
Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que não tem pressa para concluir as negociações e indicou que Washington avalia diferentes caminhos para alcançar seus objetivos na região.
Tensão militar persiste apesar das negociações
Embora um cessar-fogo tenha reduzido os confrontos diretos entre as partes, episódios de violência continuam sendo registrados.
No sábado, a Guarda Revolucionária do Irã informou ter derrubado um drone militar americano que se aproximava de suas águas territoriais. O governo dos Estados Unidos não confirmou o incidente.
Os confrontos mais intensos desde a trégua ocorreram no início da semana, após ataques americanos ao porto iraniano de Bandar Abbas, seguidos por uma resposta militar de Teerã.
As negociações também esbarram em divergências sobre o controle do Estreito de Ormuz. Enquanto Trump afirmou que o Irã teria concordado em não impor restrições à navegação na região, autoridades iranianas negaram qualquer compromisso nesse sentido.
O Parlamento iraniano discute ainda medidas para reforçar a gestão e a soberania do país sobre a passagem marítima, considerada estratégica para o comércio internacional de energia.
Outro ponto de impasse é a situação do Líbano, que Teerã pretende incluir em qualquer acordo mais amplo com os Estados Unidos.Enquanto isso, os combates seguem no território libanês. As forças de Israel anunciaram neste domingo a tomada da fortaleza de Beaufort, no sul do país, em mais uma etapa da ofensiva contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as operações militares continuarão e classificou o avanço como um ponto de inflexão na campanha.
Diante da escalada do conflito, a França solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O governo francês afirmou reconhecer o direito de Israel à autodefesa, mas criticou a ampliação das operações militares e da presença israelense em território libanês.
