Irã faz maior ataque a navios em Ormuz desde início da guerra e ameaça fluxo de petróleo
Seis embarcações foram atingidas em um único dia, enquanto exportações de petróleo pelo corredor marítimo despencam novamente

Os ataques com mísseis e drones do Irã contra embarcações no Estreito de Ormuz atingiram sua maior intensidade desde o início dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, sete meses atrás.
Segundo reportagem do Financial Times (FT), seis navios foram atacados no domingo, 11 de outubro, no dia mais violento contra o transporte marítimo na região desde o início do conflito, levando armadores a reconsiderar o envio de cargas pelo corredor estratégico.
De acordo com a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO), responsável pelo monitoramento da segurança marítima na região, as seis embarcações foram atacadas no mesmo dia.
Três eram navios-tanque transportando derivados de petróleo, enquanto outros dois transportavam petróleo bruto e pertenciam à chinesa New Treasure Shipping e à sul-coreana Sinokor, segundo a empresa de segurança marítima Vanguard.
Uma embarcação indiana de transporte de contêineres também foi atingida. O episódio ocorreu após outros ataques contra navios com tripulação indiana nos dias anteriores, que deixaram marinheiros feridos. Dois tripulantes indianos de um dos navios-tanque de derivados de petróleo foram declarados desaparecidos.
Em resposta aos ataques, o Ministério das Relações Exteriores da Índia classificou os episódios como “profundamente preocupantes” e pediu uma solução imediata para o conflito, segundo o Financial Times.
Os números compilados pelo jornal britânico a partir de relatórios da UKMTO e de fontes europeias de segurança indicam que 24 embarcações foram atingidas nas duas semanas encerradas em 11 de outubro.
O período supera o pico anterior de violência contra navios desde o início da guerra, registrado nas duas primeiras semanas de março, quando 13 embarcações foram atacadas.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) avalia que o Irã pode estar desenvolvendo sua capacidade de empregar mísseis antinavio para ampliar a eficácia dos ataques contra embarcações, segundo declaração citada pelo FT.
Exportações de petróleo recuam ainda mais
A escalada militar afeta o já tênue fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global da commodity, que representa cerca de um quinto do total.
Dados da plataforma de análise de mercado Kpler mostram que as saídas de petróleo do Golfo atingiram uma média de 15,5 milhões de barris por dia em setembro, o maior volume desde o início da guerra.
Desde então, porém, as exportações despencaram, à medida que os novos ataques iranianos reduziram o número de navios que atravessam o estreito.
Em 11 de outubro, apenas 2,9 milhões de barris de petróleo passaram pela via marítima, o menor volume diário registrado no mês até então, segundo dados da Kpler divulgados na terça-feira, 13 de outubro.
A plataforma ressalvou que o número ainda poderia ser revisado para cima, caso imagens de satélite permitissem identificar outras embarcações que haviam transitado pela região. Ainda assim, a média dos sete dias anteriores estava cerca de 43% abaixo dos níveis observados antes do início do conflito.
A intensificação dos ataques e a redução do tráfego marítimo aumentam aincerteza no mercado de energia, ao dificultarem o transporte de petróleo e derivados pelo estreito.
O cenário também pressiona as empresas de navegação a reavaliar os riscos de operar na região, em um momento em que a frequência dos ataques ameaça interromper ainda mais os fluxos de exportação do Golfo.
