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Mundo
06/06/2026
3 min

Irã lança mísseis contra Bahrein e Kuwait em resposta a ataque dos EUA

Irã lança mísseis contra Bahrein e Kuwait em resposta a ataque dos EUA

O Irã lançou neste sábado, 6, mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, dois aliados estratégicos dos Estados Unidos no Golfo, em resposta a recentes ataques americanos contra alvos iranianos. A nova escalada militar aumenta os temores de colapso da trégua que vigora, ainda que de forma frágil, desde abril.

O episódio ocorre após semanas de negociações sem avanços concretos para encerrar a guerra e restabelecer a normalidade no Estreito de Ormuz, rota considerada essencial para o comércio global de petróleo e gás.

Na sexta-feira, 5, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que suas forças derrubaram quatro drones e atacaram duas instalações de radar em território iraniano.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis contra “bases inimigas na região”.

Segundo o Centcom, sete mísseis balísticos foram disparados contra o Bahrein e o Kuwait. Seis deles teriam sido interceptados pelos sistemas de defesa, enquanto o sétimo não atingiu o alvo.

O Bahrein, que abriga o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, classificou a ação como uma “agressão descarada”. Já o governo do Kuwait descreveu o episódio como uma “escalada perigosa”.

“Fomos acordados por uma enorme explosão”, relatou à AFP Reem, uma egípcia residente no Kuwait. “Meus filhos ficaram aterrorizados e demoraram para se acalmar”, acrescentou.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, os países do Golfo passaram a conviver com o risco crescente de serem atingidos pelas represálias de Teerã.

Após mais de um mês de confrontos que atingiram parte da estrutura militar e política iraniana, um cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril. Apesar de ter reduzido os combates, a trégua vem sendo marcada por violações e episódios esporádicos de violência.

O governo iraniano acusou os Estados Unidos de descumprirem o acordo ao realizar novos ataques e classificou as ações americanas como uma “violação flagrante” do cessar-fogo.

As negociações diplomáticas para encerrar o conflito permanecem travadas. Além do impacto geopolítico, a guerra tem provocado volatilidade nos mercados internacionais e aumentado a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato.

“As negociações estão em ponto morto e Trump precisa romper esse impasse”, afirmou Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, em entrevista à CNN.

Segundo Rezaei, um dos requisitos para o avanço das conversas é o desbloqueio de US$ 24 bilhões (cerca de R$ 123 bilhões) em ativos iranianos congelados no exterior.

Programa nuclear

Outro ponto central das negociações é o programa nuclear do Irã. Estados Unidos e Israel sustentam que o país busca desenvolver armas nucleares, acusação rejeitada por Teerã, que afirma manter um programa exclusivamente voltado para fins civis.

Neste sábado, autoridades iranianas também criticaram um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que a agência não deve transformar avaliações técnicas em instrumento de pressão política.

“Se uma agência quiser fazer parte de uma solução diplomática, deve evitar transformar um relatório técnico em uma ferramenta de pressão política”, escreveu o diplomata na rede social X.

AutorDa redação, com agências
FonteExame
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