Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
14/09/2026
6 min

Irã nega envolvimento em ataques dos houthis; petróleo Brent supera US$ 107

Confrontos entre houthis e Arábia Saudita aumentam a tensão no Mar Vermelho, enquanto negociações sobre o Estreito de Ormuz são adiadas

Irã nega envolvimento em ataques dos houthis; petróleo Brent supera US$ 107

O governo do Irã negou, nesta segunda-feira, 14, estar envolvido nos conflitos entre os rebeldes Houthi, no Iêmen, e a Arábia Saudita no Mar Vermelho. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que "o Irã não interfere nos assuntos iemenitas”.

Teerã teria reuniões com o governo saudita para definir melhor a situação em Ormuz, de maneira semelhante a como fizeram com Omã, mas as negociações foram atrasadas também nesta segunda-feira.

Na Europa, o polêmico programa nuclear iraniano retornou aos holofotes após a delegação persa ter sido vetada pelo governo austríaco de participar na conferência anual da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena.

Houthis atacam Arábia Saudita

Os houthis anunciaram nesta segunda-feira o lançamento de “dezenas de mísseis balísticos e drones” contra alvos militares no sul da Arábia Saudita, em resposta aos ataques das forças militares do reino. Os ataques provocaram alertas da Defesa Civil saudita nas cidades de Khamis Mushait e Abha.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou, em coletiva de imprensa, que os ataques atingiram “hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso, depósitos de munição e outros alvos” na base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait.

Segundo Saree, a ofensiva foi uma retaliação aos ataques aéreos realizados pela Arábia Saudita no Iêmen. Ele acusou Riade de realizar “mais de 300 ataques aéreos nos últimos cinco dias” em território iemenita.

A retomada dos combates acontece em um país que já enfrenta uma das maiores crises humanitárias do mundo. Os houthis tomaram a capital, Saná, em 2014, obrigando o governo internacionalmente reconhecido a transferir sua sede para Aden.

No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão militar em apoio ao governo. Após anos de guerra, uma trégua mediada pela ONU em 2022 reduziu os combates até a retomada da ofensiva neste ano.

A nova escalada já provocou uma onda de deslocamentos. Segundo a agência da ONU para migrações, 86 mil pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas desde a retomada dos confrontos, número que cresceu em 10 mil em apenas um dia.

A ONU também informou no fim de semana que mais de 2 mil pessoas fugiram do Iêmen para o Djibouti desde quinta-feira para escapar dos combates entre as forças governamentais e os insurgentes.

Em 2025, a ONU havia estimado que 17 milhões de iemenitas enfrentavam dificuldades para conseguir alimentos e que 1 milhão estava em situação de fome extrema.

Irã nega participação nos combates

O Irã apoia politicamente os houthis e considera o grupo parte de seu “eixo de resistência” contra Israel, mas negou participação direta na retomada dos confrontos.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou, em coletiva de imprensa: “O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”.

Segundo Baqaei, os houthis são “totalmente independentes” e “tomam suas decisões em função de seus próprios interesses”. O governo iraniano sustenta que os combatentes são independentes e nega exercer controle militar sobre o grupo.

Apesar da negativa, Teerã apoia os houthis há anos, inclusive com armas e tecnologia, mas nega exercer controle militar sobre o grupo.

Os houthis passaram a desempenhar papel mais direto no conflito regional desde julho, quando começaram combates no Mar Vermelho entre o grupo e os sauditas.

Bab el-Mandeb vira novo ponto de pressão

A ofensiva ocorre depois de os houthis assumirem, na semana passada, o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb. O grupo também tomou a cidade portuária de Mocha e a ilha de Perim.

A movimentação aumentou a importância estratégica da passagem. Com o Estreito de Ormuz bloqueado pelo Irã, Bab el-Mandeb se tornou uma rota fundamental para as exportações de petróleo sauditas.

Os houthis também declararam um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita. A situação aumenta a pressão sobre Riade e consolida uma segunda frente de risco para o transporte de petróleo na região.

Reunião sobre Ormuz é adiada

Uma reunião entre o Irã e outros países do Golfo para discutir a navegação pelo Estreito de Ormuz foi adiada nesta segunda-feira, afirmou Esmaeil Baqaei na mesma coletiva de imprensa em que discutiu a atuação iraniana no Iêmen.

O encontro deveria tratar do futuro da passagem marítima e de um possível acordo semelhante ao estabelecido entre Irã e Omã. Segundo a AFP, o adiamento ocorreu a pedido de alguns países da região.

Teerã acusou Riade de utilizar o conflito no Iêmen como “pretexto” para postergar as negociações. Uma nova data deverá ser definida em coordenação com Omã.

Petróleo supera US$ 107 por barril

A combinação entre os ataques aos sauditas, os riscos no Mar Vermelho e a situação em Ormuz voltou a pressionar o mercado de petróleo. O Brent avançou 2,8%, para US$ 107,54 por barril, enquanto o WTI subiu 2,9%, para US$ 102,93.

O mercado também reagiu ao fechamento temporário de um importante oleoduto saudita após um ataque com drones na sexta-feira, 11. Segundo autoridades sauditas, a ação foi atribuída a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque.

O oleoduto East-West permite que o país transporte petróleo até o Mar Vermelho sem passar por Ormuz.

Segundo compradores e operadores do setor, a interrupção pode levar a uma perda de até 4% da oferta mundial de petróleo caso não seja solucionada rapidamente.

Irã é barrado de conferência nuclear em Viena

A tensão envolvendo o Irã também avançou no campo diplomático. O chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, Mohammad Eslami, foi impedido de participar da conferência anual da AIEA, em Viena.

Teerã acusou os Estados Unidos de pressionar a Áustria. O funcionário da Organização de Energia Atômica do Irã, Behrouz Kamalvandi, classificou a decisão, em coletiva de imprensa, como “maliciosa” e afirmou que ela cria um precedente de pressão política sobre a organização.

Segundo o Irã, a Áustria havia concedido inicialmente um visto a Eslami, mas posteriormente o revogou.

Os Estados Unidos confirmaram que se opuseram a uma exceção que permitiria a entrada do dirigente, considerado uma pessoa submetida a sanções. O secretário de Energia americano, Chris Wright, afirmou, em coletiva de imprensa em Washington, que Eslami é uma pessoa sancionada e que o governo americano se opôs à exceção.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
Distribuído por