Irã promete resposta mais dura a novos ataques e cria força para enfrentar crise econômica
Sanções, bloqueio do petróleo e inflação pressionam a economia

O Irã prometeu intensificar a resposta a novos ataques dos Estados Unidos e anunciou medidas para enfrentar os efeitos econômicos da guerra e das sanções.
A declaração ocorre após uma nova escalada militar. No sábado, 5, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou ter atingido três petroleiros ligados ao Irã depois que mísseis balísticos foram lançados contra dois navios de guerra americanos na região.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou neste domingo, 6, que qualquer novo ataque contra os interesses e a segurança do país receberá uma resposta “mais rápida, pesada e dolorosa”.
EUA dizem ter atacado três petroleiros iranianos
Segundo o Centcom, dois navios-tanque foram “permanentemente desativados”: um próximo à Ilha de Kharg e outro perto de Jask, no Golfo de Omã. Uma terceira embarcação, também no Golfo de Omã, teria sido “completamente destruída”.
Os Estados Unidos afirmaram que a operação foi uma resposta a múltiplos ataques da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) contra um porta-aviões e um destróier de mísseis guiados americanos.
Nenhum militar dos EUA ficou ferido, segundo o Comando Central.
A mídia estatal iraniana confirmou que forças americanas atingiram três petroleiros. Segundo a emissora IRIB, não houve vítimas no ataque à embarcação próxima de Kharg, e o incêndio foi controlado em cerca de uma hora.
As tripulações dos dois navios atingidos no Golfo de Omã foram levadas à costa em botes salva-vidas. Um dos petroleiros estava vazio e o outro transportava petróleo.
O almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, afirmou que os ataques buscavam impor um custo econômico maior ao Irã. Segundo os EUA, as três embarcações integravam uma rede de financiamento da Guarda Revolucionária e de aliados regionais.
Irã ameaça resposta mais forte aos EUA
Após os ataques, Qalibaf afirmou que as “regras do jogo” na guerra contra o Irã mudaram.
Teerã ainda mantém capacidade de atingir interesses americanos em países vizinhos e de interferir no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do conflito.
A Guarda Revolucionária também ameaçou ampliar os ataques contra embarcações militares americanas na região.
Guerra entre Irã e EUA volta a escalar
O conflito completa seis meses sem avanço significativo nas negociações diplomáticas.
Um acordo preliminar de cessar-fogo alcançado em junho perdeu força, e os ataques voltaram a ocorrer após uma pausa durante grande parte de julho.
Os Estados Unidos retomaram os ataques no domingo anterior, quando disseram ter atingido dois lançadores de foguetes para impedir que fossem usados na colocação de minas navais no Estreito de Ormuz.
Na terça-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA haviam realizado um novo “ataque muito pesado”, mas disse que os combates não deveriam durar muito tempo.
O Irã respondeu com ataques contra alvos americanos na região, incluindo nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Sanções e bloqueio pressionam economia do Irã
Além da frente militar, o governo iraniano enfrenta dificuldades provocadas pelas sanções americanas e pelo bloqueio de suas exportações de petróleo.
Qalibaf citou oscilações cambiais, inflação, desemprego e problemas na gestão dos mercados entre os principais desafios do país.
O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, afirmou que Teerã pretende responder à pressão econômica dos Estados Unidos com reformas internas e rejeitou a possibilidade de mudar sua política por causa das sanções.
O Ministério da Economia também reforçou o trabalho de uma estrutura chamada “Quartel-General da Guerra Econômica”, criada para lidar com problemas relacionados ao conflito.
Petróleo e Estreito de Ormuz ficam no centro da disputa
Antes da guerra, o Irã exportava cerca de 90% de seu petróleo bruto pela Ilha de Kharg, principal centro de exportação do país.
Os fluxos foram afetados desde que os Estados Unidos começaram, em meados de abril, a bloquear as exportações iranianas.
O ministro iraniano do Petróleo, Mohsen Paknejad, afirmou que Kharg foi atingida cerca de 550 vezes nos últimos meses, mas continuou funcionando.
Ao mesmo tempo, o Irã mantém um bloqueio no Estreito de Ormuz. O conflito na região elevou os preços da energia no mundo e aumentou a pressão sobre Trump antes das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos.
EUA e Irã seguem sem novo acordo
O cessar-fogo de 60 dias entre os dois países expirou no mês passado sem sinais de um novo acordo diplomático.
Dias depois, Trump afirmou que os Estados Unidos adotariam medidas econômicas mais duras contra o Irã e também contra países que ajudassem ou mantivessem negócios com Teerã.
Os primeiros ataques de grande escala de Estados Unidos e Israel contra o Irã começaram em 28 de fevereiro. O Irã respondeu com ofensivas contra Israel, bases americanas e países aliados no Golfo, além de restringir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
